Publicado em 14/07/2021 - Atualizado 31/07/2021

Aborto espontâneo: quando há risco de perder o bebê?

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aborto espontâneo, ou seja, a morte embrionária ou fetal que ocorre de forma natural, geralmente, antes de 20 semanas de gestação, preocupa todas as grávidas. Mas você sabe até quantas semanas há risco de perder o bebê? Especialistas concordam que a probabilidade é maior antes de completar 12 semanas. Muitas vezes, o evento ocorre sem a mulher sequer ter tido tempo de descobrir que estava grávida. Outras vezes, tratam-se de gestações de alto risco.

Mas o que está relacionado ao problema? Para entender, continue a leitura.

O que acontece nas primeiras 12 semanas de gestação?

O abortamento é considerado a intercorrência obstétrica mais comum. Por conta disso, muitas mulheres desejam saber até quantas semanas têm risco de perder o bebê.

Pois bem: estima-se que até 20% das gestações terminem em um aborto antes da 20ª semana. Entre elas, 80% ocorrem no nas 12 semanas iniciais — o qual corresponde ao período embrionário (ou organogênese).

Nesse primeiro trimestre, há uma maior vulnerabilidade ao aparecimento de malformações fetais, bem como sensibilidade a agressões externas. Veja, resumidamente, como é o desenvolvimento do embrião:

  • até quatro semanas, o embrião chega ao estágio de blastocisto;

  • na quinta semana, tem início o desenvolvimento crânio-caudal;

  • na sexta semana, há um desenvolvimento considerável da região cefálica e o coração bate por si próprio;

  • na sétima semana, a face começa a ser formada, assim como os sulcos que formarão os dedos;

  • entre oito e nove semanas, os órgãos do embrião começam a funcionar, assim como os movimentos;

  • entre dez e 11 semanas, a cabeça corresponde a 1/3 do comprimento total e é possível identificar os dedos;

  • com 12 semanas, o feto é considerado completamente formado e tem início o segundo trimestre.

O que pode levar a um aborto espontâneo?

Existem alguns fatores importantes, que podem levar uma gestação a ser, naturalmente, interrompida. A seguir, conheça as principais causas para um aborto espontâneo.

Fatores genéticos

A maior parte dos abortos espontâneos (50%) ocorre em decorrência de anormalidades cromossômicas, sendo a Trissomia 16 a mais frequente. Portanto, o risco de perder o bebê está mais relacionado a anomalias genéticas do que a qualquer outro fator.

Dessa forma, não é algo sobre o qual se possa ter controle. Isso porque, grande parte das malformações fetais são resultado do número inadequado de cromossomos, não sendo decorrente de um “defeito herdado” do pai ou da mãe.

Idade materna

É importante alertar que a possibilidade de mutações nos cromossomos tende a aumentar quanto maior a idade da gestante ao engravidar. Assim, mulheres acima dos 35 anos estão mais suscetíveis. De acordo com a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA),estima-se que:
  • em gestantes até 35 anos, o risco de sofrer um aborto espontâneo é de 15%;

  • entre 35 e 39 anos, aumenta para 25%;

  • entre 40 e 44 anos, eleva-se para 50%;

  • após os 45 anos, sobe para mais de 90%.

Gestação anembrionada

Outra possível condição que impede uma gravidez de prosseguir é a chamada gestação anembrionada. Isso ocorre quando há a fertilização do óvulo, mas o embrião não se forma ou não se desenvolve.

Os sinais que confirmam essa causa podem ser descritos pela ausência repentina dos sintomas normais da gravidez. Também pode ocorrer um sangramento vaginal, geralmente, de coloração castanha-escura.

Problemas de saúde maternos

Fatores endócrinos (ligados a problemas hormonais) e doenças autoimunes podem aumentar o risco de perder o bebê. Essas condições tornam a mulher mais sujeita ao aborto espontâneo.

Algumas malformações uterinas, congênitas (como útero septado) ou adquiridas (como miomas e sinequias), também aumentam as chances de aborto no início da gravidez. Além disso, existem doenças que, se não tratadas corretamente, podem culminar em um aborto espontâneo. É o caso de:

  • infecções virais, como citomegalovírus, toxoplasmose, herpes-vírus, parvovírus e rubéola;

  • doenças sexualmente transmissíveis (DST),como sífilis, tricomoníase, entre outras;

  • doenças crônicas mal controladas, como hipotireoidismo, diabetes, hipertensão arterial, doença celíaca e doença renal crônica.

E não se pode deixar de mencionar o risco evidenciado pelo próprio problema. Após antecedentes de abortos espontâneos, com duas ou mais perdas, as chances de sofrer um novo aborto aumenta.

Por fim, extremos de peso (obesidade ou magreza excessiva) também aumentam o risco de aborto. Assim, são mais suscetíveis mulheres com índice de massa corpórea (IMC) menor que 18,5 e maior que 25.

Hábitos nocivos

Os hábitos não saudáveis da gestante também podem aumentar as chances de ter um aborto espontâneo durante o primeiro trimestre. Sabe-se que a ingestão de bebidas alcoólicas, tabagismo e uso de drogas ilícitas ampliam o risco da perda.

Além disso, o uso indiscriminado de analgésicos, anti-inflamatórios não hormonais e aspirinas, se usados próximos à concepção, também está na lista de fatores de risco. O mesmo vale para o consumo excessivo de cafeína.

Quais são os sinais de um aborto espontâneo?

Quando a mulher está passando por um aborto espontâneo, alguns sintomas podem sinalizar a situação. O primeiro deles é uma mancha de sangue vermelho-vivo ou de coloração escura, podendo conter muco ou coágulos.

O sangramento é seguido de fortes cólicas do útero, que se contraem até que o feto e a placenta sejam expelidos. Entretanto, é importante que a mulher procure ajuda médica o quanto antes, para receber os devidos cuidados necessários.

O que fazer após um aborto espontâneo?

Após o diagnóstico de um aborto, o médico irá verificar se o feto e a placenta foram expelidos completamente. Caso não haja vestígios, a recomendação é que a mulher fique de repouso até se recuperar.

No entanto, caso o feto e a placenta ainda estejam presentes no organismo, o ideal é que os fragmentos sejam removidos. Se não existirem contraindicações, esse processo pode ser feito naturalmente, pelo corpo da própria mulher (sob orientação médica).

Outra maneira de remover os vestígios da gestação é por meio da curetagem de sucção –  AMIU. Ou, ainda, com o uso de medicamentos que possam induzir o trabalho de parto.

Além disso, é importante que a mulher passe por um acompanhamento psicológico para entender o processo do aborto. Em geral, o luto perinatal é um evento bastante traumático.

Quando é possível tentar engravidar de novo?

Caso o aborto tenha ocorrido no começo da gestação, é possível voltar a tentar engravidar no próximo ciclo menstrual. Entretanto, se a mulher tiver passado por intervenções cirúrgicas, o ideal é esperar, pelo menos, três meses (ou os dois ciclos menstruais posteriores) para retomar as tentativas.

Ao engravidar novamente, a gestante não precisa, necessariamente, redobrar os cuidados. É importante esclarecer que escorregões, quedas e mudanças emocionais repentinas são fatores que não estão, diretamente, relacionados ao aborto.

Embora muitas pessoas acreditem nisso, não existe comprovação. O que se sabe é até quantas semanas tem risco de perder o bebê, por mais que a gestante se cuide.

Depois de 15ª semana, com o avanço da idade gestacional, cenário se torna mais tranquilo. Nessa fase, o risco de passar pelo processo de abortamento cai para 0,6%.

Isso explica a ansiedade das gestantes pela chegada do segundo trimestre. Afinal, é quando elas podem respirar mais aliviadas, afastando o medo de um possível aborto.

O risco é maior em procedimentos de reprodução assistida?

A preocupação de passar por um aborto espontâneo é ainda maior em mulheres que só conseguiram engravidar após realizar procedimentos como inseminação artificial, fertilização in vitro (FIV) ou outros tratamentos de reprodução assistida. Entretanto, é importante orientar que a probabilidade de um aborto acontecer após esses tratamentos é a mesma de qualquer outra gravidez, oriunda de condições normais.

De qualquer maneira, ao passar por algum tratamento para fertilidade, é preciso fazer um acompanhamento regular com o especialista. Isso, além do pré-natal realizado normalmente, como em qualquer outra gravidez.

Ao perceber algo que pareça anormal ou desconfortável, é fundamental que a gestante recorra ao médico imediatamente. Nesses casos, ele poderá solicitar exames complementares, para verificar se está tudo bem com o bebê.

Para concluir, contar com um especialista de confiança é a forma mais segura para a mulher estimar até quantas semanas tem risco de perder o bebê. Além disso, a permite tomar os devidos cuidados preventivos — caso a paciente tenha, comprovadamente, chances aumentadas de passar por um aborto espontâneo.

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Publicado por: Dra. Ana Lúcia Bertini Zarth - Ginecologista - CRM-SC 8534 e RQE 10334
Formada na Faculdade de Medicina da PUC – RS em 1993, Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia, Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) em 1997.

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      Nosso material tem caráter meramente informativo e não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico, autotratamento ou automedicação. Em caso de dúvidas , consulte o seu médico.

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