O aborto espontâneo ocorre em até 20% das gestações e, na maioria dos casos, é causado por anormalidades cromossômicas do embrião. Não é culpa de algo que a mulher fez ou deixou de fazer. Se você está passando por essa experiência agora, saiba que a perda raramente tem relação com comportamentos ou escolhas da gestante.
Neste artigo, explicamos as principais causas do aborto espontâneo, os sinais de alerta, o que fazer após a perda e quando é possível tentar engravidar novamente.
Quão comum é o aborto espontâneo?
O aborto espontâneo é a intercorrência obstétrica mais frequente. Estima-se que até 20% das gestações terminem em perda antes da 20ª semana. Desse total, 80% dessas perdas ocorrem nas primeiras 12 semanas de gravidez, ainda no primeiro trimestre.
Muitas vezes, o aborto acontece antes mesmo de a mulher saber que estava grávida. Em outros casos, a gestação já era conhecida e esperada. Nesses casos, a perda é ainda mais difícil de processar.
É importante dizer: na maioria dos casos, o aborto espontâneo não é prevenível e não tem relação com o que a mulher fez ou sentiu. Quedas, susto, relações sexuais e alterações emocionais não causam aborto, mesmo que pareça difícil de acreditar no momento da perda.
Quais são as causas do aborto espontâneo?
Fatores genéticos: a causa mais comum
Cerca de 50% dos abortos espontâneos ocorrem por anormalidades cromossômicas, sendo a Trissomia 16 a mais frequente. Isso significa que a maior parte das perdas gestacionais resulta de uma falha na formação do embrião, não de algo que poderia ter sido evitado. Não é um “defeito herdado” dos pais: é uma combinação genética que não foi viável.
Esse é também o motivo pelo qual o aborto espontâneo isolado, embora doloroso, geralmente não indica problema de fertilidade.
Idade materna
O risco de aborto espontâneo aumenta progressivamente com a idade, porque a qualidade dos óvulos diminui com o tempo. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), os riscos estimados são:
- Até 35 anos: 15% de risco de aborto espontâneo
- Entre 35 e 39 anos: 25%
- Entre 40 e 44 anos: 50%
- Após os 45 anos: mais de 90%
Problemas de saúde maternos
Diversas condições podem aumentar o risco de perda gestacional:
- Malformações uterinas: útero septado, miomas ou sinéquias (aderências internas)
- Distúrbios hormonais: deficiência de progesterona ou disfunção da tireoide
- Doenças autoimunes: podem gerar resposta imunológica contra o embrião
- Infecções: citomegalovírus, toxoplasmose, rubéola, herpes, entre outras
- Doenças crônicas não controladas: diabetes, hipertensão, doença celíaca, doença renal
Mulheres com histórico de duas ou mais perdas gestacionais apresentam risco aumentado de um novo aborto e merecem investigação especializada para identificar e tratar as causas.
Fatores masculinos
O aborto espontâneo tende a ser percebido como uma questão exclusivamente feminina, mas a qualidade do espermatozoide também influencia na viabilidade do embrião. Alta fragmentação do DNA espermático está associada a perdas gestacionais precoces e deve ser investigada em casais com histórico de abortos de repetição.
Hábitos nocivos
Tabagismo, consumo de álcool, uso de drogas e excesso de cafeína aumentam o risco de perda gestacional. O uso de anti-inflamatórios não hormonais e aspirina próximo à concepção também está na lista de fatores de risco.
Quais são os sinais de um aborto espontâneo?
Os sinais mais comuns são:
- Sangramento vaginal: pode ser vermelho-vivo, escuro ou com coágulos
- Cólicas intensas: de intensidade maior que a cólica menstrual habitual
- Desaparecimento súbito dos sintomas de gravidez: como náusea e sensibilidade nos seios
Esses sinais não confirmam o diagnóstico por si só. Apenas um médico pode avaliá-los com exame clínico e ultrassonografia. Se apresentar qualquer um deles, procure atendimento médico imediatamente.
O que fazer após perder o bebê
Cuidado clínico
Após a confirmação do aborto, o médico avalia se o processo foi completo. Quando há necessidade de intervenção, as opções incluem o acompanhamento expectante (aguardar que o organismo complete o processo naturalmente),o uso de medicamentos que induzem a expulsão ou um procedimento cirúrgico minimamente invasivo (AMIU: aspiração manual intrauterina).
Cuidado emocional: tão importante quanto o clínico
A perda de uma gestação é um luto. Não existe prazo certo para superá-lo, nem a forma “correta” de sentir. Tristeza, culpa, raiva, confusão e alívio podem coexistir. Todos esses sentimentos são válidos.
O acompanhamento psicológico especializado em luto perinatal faz diferença real nesse processo: ajuda a nomear o que foi perdido, a processar sentimentos que muitas vezes não encontram espaço nem nome na vida cotidiana, e a preparar o casal emocionalmente para novas tentativas, se esse for o desejo.
A Fecondare oferece acompanhamento psicológico integrado ao tratamento.
O risco é maior em procedimentos de reprodução assistida?
Não. A probabilidade de aborto após tratamentos como inseminação artificial ou FIV é a mesma de gestações espontâneas, desde que se considere o contexto clínico de cada paciente. O que muda é o acompanhamento, que tende a ser mais próximo nesses casos, permitindo identificar alterações precocemente.
Quando é possível tentar engravidar novamente?
Após um aborto no início da gestação, sem procedimentos cirúrgicos, é possível tentar engravidar já no ciclo seguinte, se a mulher e o casal se sentirem física e emocionalmente prontos. Quando houve intervenção cirúrgica, recomenda-se aguardar pelo menos 2 a 3 ciclos menstruais.
Não existe uma resposta única para esse “quando”. Além do tempo físico, há o tempo emocional. Ambos merecem atenção.
Abortos de repetição: quando investigar?
Uma perda gestacional isolada, embora dolorosa, raramente indica infertilidade. Mas duas ou mais perdas seguidas são indicação para investigação especializada em ambos os parceiros.
Causas tratáveis frequentemente identificadas incluem alterações cromossômicas, trombofilia, malformações uterinas, distúrbios hormonais e fatores imunológicos. O Diagnóstico Genético Pré-Implantacional (PGT), disponível na Fecondare, permite avaliar os embriões antes da transferência e reduzir significativamente o risco de novas perdas em casais com indicação.
Se você passou por uma perda gestacional e quer entender as causas ou se preparar para tentar novamente, a equipe da Fecondare está pronta para te acompanhar, com cuidado clínico e suporte emocional integrados.
Conteúdo revisado pela Dra. Ana Lúcia Bertini Zarth | Ginecologista | CRM-SC 8534 | RQE 10334 | RQE 24082 | Clínica Fecondare.Este material tem caráter informativo e não substitui a consulta médica ou psicológica.
Perguntas Frequentes
A causa mais comum é a anormalidade cromossômica do embrião, presente em cerca de 50% dos casos. Isso ocorre por uma falha aleatória na divisão celular e geralmente não está relacionado a algo que a mulher fez ou deixou de fazer.
Os sinais mais comuns são sangramento vaginal (vermelho-vivo, escuro ou com coágulos),cólicas intensas e desaparecimento súbito dos sintomas de gravidez. Esses sinais exigem avaliação médica imediata. Apenas um exame clínico com ultrassonografia confirma o diagnóstico.
Não há evidência científica que relacione quedas, sustos ou emoções fortes ao aborto espontâneo. A maioria das perdas ocorre por causas internas (genéticas, hormonais ou anatômicas) que independem de fatores externos cotidianos.
Sem procedimentos cirúrgicos, é possível tentar engravidar no ciclo seguinte, se a mulher se sentir pronta. Com intervenção cirúrgica, recomenda-se aguardar 2 a 3 ciclos. O tempo emocional é tão importante quanto o físico. Um acompanhamento especializado ajuda nessa transição.
Não necessariamente, mas duas ou mais perdas consecutivas são indicação para investigação especializada em ambos os parceiros. Causas tratáveis, como alterações cromossômicas, hormonais, uterinas ou imunológicas, são identificadas com exames específicos e, quando tratadas, aumentam as chances de gestação bem-sucedida.
Sim. De acordo com a SBRA, o risco é de 15% em gestantes com até 35 anos e sobe progressivamente: 25% entre 35 e 39 anos, 50% entre 40 e 44 anos e mais de 90% após os 45 anos. Isso se deve à queda progressiva na qualidade dos óvulos com a idade.


