Fumar causa infertilidade?

Publicado em: 9 de Março de 2018

Fumar causa infertilidade?

Há uma dúvida sobre se fumar causa infertilidade. O que os dados coletados pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) apontam é que homens e mulheres fumantes têm três vezes mais chances de sofrerem de infertilidade quando comparados àqueles que não fumam.

De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), fumar mata mais de cinco milhões de pessoas, anualmente. No Brasil, mais de 17% da população fuma e boa parte destes fumantes são adolescentes. Isso mostra que parte dos jovens podem vir a sofrer com a impotência devido ao cigarro.

Os prejuízos do cigarro ao sistema reprodutor são causados pelas substâncias tóxicas  pelas quais o produto é composto – as mais famosas são a nicotina e o alcatrão. Elas comprometem a função reprodutiva em diversos níveis. Afetam desde a produção dos espermatozoides até a movimentação tubária (que faz com que o óvulo percorra o caminho entre o ovário e o útero), a divisão celular, a formação do embrião e sua implantação.

Fumar causa infertilidade nas mulheres

As mulheres que fumam 20 cigarros por dia têm a fertilidade reduzida em 25%, enquanto as que fumam uma quantidade ainda maior tem um índice de fertilidade até 43% menor.

As mulheres que fumam estão mais propensas a ter a menstruação irregular e, inclusive, ausência de menstruação. E esses são apenas alguns dos prejuízos que o cigarro causa à fertilidade feminina. Outros que podem ocorrer são:

  • o comprometimento folicular;
  • a diminuição da reserva ovariana;
  • a alteração nas características fisiológicas tubárias;
  • a alteração nas taxas hormonais;
  • a dificuldade para produzir estrogênio;
  • a interferência no processo de produção de gametas;
  • a formação de óvulos com alterações genéticas;
  • o retardamento da concepção;
  • a interferência na fertilização;
  • a maior dificuldade na implantação do embrião.

 

Já na gestação, a nicotina absorvida pelo organismo pode aumentar as chances de a grávida ter placenta prévia, descolamento prematuro da placenta e parto prematuro.

Outra consequência do tabagismo é a relação com maiores taxas de abortamentos. As causas podem estar relacionadas a alterações cromossômicas dos gametas ou do embrião. Também há outros fatores associados, como a ação vasoconstritora da nicotina e do monóxido de carbono. Ambos podem causar insuficiência placentária, restrição do crescimento e desenvolvimento do embrião.

O tabagismo também interfere na idade na qual a mulher entrará na menopausa. O declínio da fertilidade está relacionado à diminuição dos marcadores de reserva ovariana, com diminuição do número dos folículos primordiais, ao aumento do hormônio folículo estimulante (FSH) basal e à diminuição do hormônio anti-mulleriano (AMH).

A alteração ovariana, na tabagista, poderá levá-la a antecipar em até quatro anos o início dessa fase, em comparação às não tabagistas. Estas alterações têm relação com o número de cigarros fumados por dia e o tempo de tabagismo.

Danos do cigarro à fertilidade masculina

No homem que fuma, o cigarro provoca alterações na concentração, morfologia, motilidade e, principalmente, no DNA dos espermatozoides. Os danos que o tabaco causa aos gametas masculinos, muitas vezes, é o que inviabiliza a fertilização.

Alguns pesquisadores da Universidade de Saarland analisaram uma proteína de nome protamina (dois tipos: P1 e P2), que é essencial para o desenvolvimento dos cromossomos. Eles descobriram que, nos fumantes, a concentração da P2 é mais baixa.

Como a formação do cromossomo é essencial para a reprodução e a deficiência da P2 prejudica a síntese dos cromossomos pelo organismo masculino, eles concluíram que essa é uma das razões pelas quais os fumantes podem se tornar inférteis. Com isso, os especialistas alertam que homens que querem ter filhos devem largar o cigarro o quanto antes, para evitarem problemas reprodutivos.

Nos casos em que o homem continua fumando e a fertilização acontece, o risco é de o embrião gerado ser geneticamente anormal e, por isso, não implantar, ou quando implantado, sofrer rejeição por parte do organismo feminino e, consequentemente, ser abortado espontaneamente. Isso pode acontecer mesmo quando a esposa não é fumante e não tem nenhum problema reprodutivo.

Complicações que o cigarro causa à reprodução humana assistida

O casal que não consegue engravidar naturalmente e busca obter sucesso na gestação pelas técnicas de reprodução humana assistida tem menor chance de a fertilização resultar em gravidez quando o homem, a mulher ou ambos são fumantes. Muitas vezes, precisam realizar um número maior de tentativas de fertilização.

O fumo reduz a qualidade e quantidade dos embriões por ciclo. Em muitos casos, a estimulação ovariana tem de ser prolongada. Perante essa possibilidade, é importante o médico especialista em reprodução assistida identificar se há risco de a paciente desenvolver a Síndrome da Hiperestimulação Ovariana (SHO), para buscar alternativas para impedir que a condição se manifeste visto que o quadro poderá ser mais grave em fumantes.

Isso tudo pode ser evitado pela simples iniciativa de parar de fumar. Abandonar o hábito do cigarro para concretizar o sonho da paternidade/maternidade vale o esforço, não vale?!

 

Conteúdo atualizado em: 20 de agosto de 2018

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