Aborto de repetição

Publicado em: 1 de setembro de 2011

Aborto de repetição

A fecundação constitui a primeira e importante etapa da gestação, mas não é a única. Abortos de repetição também podem se tornar um empecilho para os casais que muito querem mais um integrante para suas famílias.

Como definição, aborto é a perda espontânea do concepto antes de 20 semanas de gestação ou 5 meses. Também pode ser caracterizado quando a idade gestacional não é conhecida e o peso fetal é menor que 500g. Em 10% das gestações, aborto é um evento reconhecido e, em outras 20%, não é nem percebido, ocorrendo entre uma menstruação e outra.

Os abortos que acontecem antes da 10ª semana de gestação são devidos principalmente a erros cromossômicos ou má formações fetais severas, que inviabilizam a vida do feto dentro do útero materno. As perdas mais tardias, depois das 10 primeiras semanas, estão relacionadas em sua maioria a condições maternas, como a presença de miomas e alterações anatômicas do útero.

Os abortos de repetição recebem este nome quando acontecem mais de duas vezes consecutivas, acorrendo atualmente com  mais de 5% dos casais que tentam engravidar. Esta taxa é ainda maior em mulheres com mais de 35 anos, já que os óvulos maternos estão mais “velhinhos”.

Sem dúvida, os abortos de repetição geram grande angústia e frustração para a família e também para os médicos que auxiliam e acompanham todo o processo de gestar. Entretanto, há alguns casos que podem e devem ser tratados, tais como a síndrome antifosfolipides, a má formação uterina, o diabete não controlado, as doenças tireoidianas. Assim, vale ressaltar a importância do controle da doença, pois, quando tratada adequadamente, acaba não se associando a abortos.

Há diversos outros fatores que, apesar de não estarem diretamente relacionados com aborto de repetição, também podem ser suprimidos com intuito de aumentar as chances de sucesso da gestação, tais como a obesidade, o fumo, o uso de álcool, o uso de moderado a intenso de cafeína. Práticas de exercício físico intenso também devem ser evitadas, bem como atividade sexual extenuante.

Felizmente, mesmo sem intervenções, o prognóstico para mulheres com história de abortos de repetição é favorável. Para as com síndrome antifosfolipides, pesquisas ainda em fase de estudos clínicos mostraram que o uso de uma medicação anticoagulante aumenta as chances de o feto permanecer viável. Para as alterações na forma do útero materno, alguns sugerem cirurgia corretiva e outros a contraindicam, não havendo consenso sobre isso. A síndrome dos ovários policísticos também parece estar associada a abortos de repetição.

Nas alterações cromossomais, técnicas da área de reprodução humana como a procura pré-implantacional por erros genéticos tem sido utilizada porque evita a transferência de embriões geneticamente inviáveis, apesar de essa não ser uma prática preconizada .

É importante que os casais estejam cientes que os recursos médicos ainda são poucos estudados e que atualmente a observação é uma estratégia plausível, já que uma gestação subsequente irá resultar em sucesso para, em média, dois terços dos casais.

Após vinte e cinco anos utilizando a técnica histeroscópica para a resolução das mal-formações uterinas, Dr. Jean Louis Maillard, da Clínica Fecondare, acredita na melhora das perdas fetais quando o caso for de septo uterino. “Nestes casos, indico sempre a cirurgia. Nos demais aspectos concordo plenamente com as colocações e sobretudo com o aspecto de que vários tratamentos empíricos acabam sendo utilizados para dar ânimo aos casais, já que cerca de 70% deles engravidam espontaneamente”.

Artigo elaborado pela equipe Fecondare em parceria com a E-saúde.

Conteúdo atualizado em: 3 de Maio de 2017

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