Receber o diagnóstico de uma doença autoimune pode trazer muitas dúvidas — e uma das mais comuns é: será que isso pode dificultar a gravidez?
A resposta é: depende do tipo da doença, do controle clínico e do momento em que a gestação é planejada. Em muitos casos, com acompanhamento adequado, é totalmente possível engravidar com segurança.
O que é uma doença autoimune?
As doenças autoimunes acontecem quando o sistema imunológico — que deveria proteger o organismo — passa a atacar células saudáveis por engano. Esse processo pode afetar diferentes órgãos, como tireoide, rins, sangue e até o sistema reprodutivo.
Essas condições são mais frequentes em mulheres, especialmente em idade reprodutiva, o que explica a relação direta com a fertilidade e a gestação.
Doença autoimune pode dificultar a gravidez?
Sim, algumas doenças autoimunes podem interferir na fertilidade ou aumentar os riscos durante a gestação. Isso pode acontecer por diferentes mecanismos, como inflamação crônica, alterações hormonais ou problemas na circulação sanguínea que impactam o útero e a placenta.
Ainda assim, isso não significa que a gravidez não seja possível. O ponto-chave está no planejamento, quando a doença está controlada e a gestação é acompanhada por uma equipe especializada, as chances de sucesso aumentam significativamente.
Principais doenças autoimunes que podem impactar a gravidez
Algumas condições merecem atenção especial no contexto da fertilidade:
Lúpus
O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória que pode afetar diversos órgãos, incluindo rins, pele e sistema circulatório. Na fertilidade, o principal impacto está na fase gestacional.
Mulheres com lúpus podem apresentar maior risco de aborto espontâneo, parto prematuro, restrição de crescimento fetal e pré-eclâmpsia. Além disso, quando a doença está ativa — especialmente com comprometimento renal — os riscos aumentam tanto para a mãe quanto para o bebê.
Por isso, o mais recomendado é que a gravidez seja planejada em períodos de remissão da doença, com acompanhamento conjunto entre especialistas.
Síndrome do anticorpo antifosfolipídeo (SAF)
A SAF é uma condição autoimune diretamente relacionada à coagulação sanguínea. Ela aumenta a formação de coágulos e pode afetar a circulação na placenta, comprometendo o desenvolvimento da gestação.
Essa condição está fortemente associada a:
- abortos de repetição
- complicações como pré-eclâmpsia e parto prematuro
Apesar disso, quando diagnosticada, a SAF pode ser tratada com anticoagulantes e medicações específicas, o que melhora significativamente as chances de uma gestação saudável.
Doença de Graves (hipertireoidismo autoimune)
A Doença de Gravesprovoca uma produção excessiva de hormônios da tireoide, o que pode impactar tanto a fertilidade quanto a gestação.
Antes da gravidez, o desequilíbrio hormonal pode interferir na ovulação e dificultar a concepção. Durante a gestação, o excesso hormonal pode aumentar o risco de parto prematuro, baixo peso do bebê e alterações cardíacas fetais, já que os anticorpos podem atravessar a placenta.
Por isso, o controle rigoroso dos níveis hormonais é essencial antes e durante a gravidez.
Tireoidite de Hashimoto
A Tireoidite de Hashimoto é uma das principais causas de hipotireoidismo e pode afetar diretamente a fertilidade feminina.
Níveis baixos de hormônios da tireoide podem levar a:
- irregularidade menstrual
- dificuldade de ovulação
- aumento do risco de aborto precoce
A boa notícia é que, com o diagnóstico correto e reposição hormonal adequada, muitas mulheres conseguem engravidar e manter uma gestação saudável. O acompanhamento é fundamental para manter os níveis hormonais equilibrados durante todo o processo.
Trombocitopenia imune
A trombocitopenia imune é caracterizada pela redução do número de plaquetas no sangue, o que pode comprometer a coagulação.
Durante a gestação, isso pode aumentar o risco de sangramentos e complicações no parto, exigindo acompanhamento próximo e, em alguns casos, tratamento medicamentoso.
Apesar disso, com monitoramento adequado, a maioria das gestações evolui bem. O cuidado individualizado é essencial para garantir a segurança da mãe e do bebê
Doenças autoimunes podem surgir ou piorar na gravidez?
A gestação provoca mudanças importantes no sistema imunológico. Em algumas mulheres, isso pode melhorar os sintomas; em outras, pode levar a uma piora do quadro.
Por isso, o acompanhamento próximo é essencial — idealmente com uma equipe multidisciplinar que inclua ginecologista, especialista em reprodução e, quando necessário, reumatologista ou endocrinologista.
É possível engravidar com doença autoimune?
Sim — e essa é uma informação importante.
Muitas mulheres com doença autoimune conseguem engravidar e ter uma gestação saudável. O diferencial está em:
- controle da doença antes de engravidar
- ajuste de medicações seguras para gestação
- acompanhamento especializado durante toda a gravidez
Na Fecondare, esse cuidado é ampliado com o olhar para a oncofertilidade e preservação da fertilidade, especialmente em pacientes que podem precisar de tratamentos mais complexos ao longo da vida.
Quando procurar ajuda especializada?
Se você tem uma doença autoimune e deseja engravidar — ou já está tentando sem sucesso — buscar orientação é um passo fundamental.
A avaliação permite entender:
- como está sua reserva ovariana
- se há impacto na ovulação ou implantação
- quais cuidados são necessários antes da gestação
Na Clínica Fecondare, cada paciente é acompanhada de forma individualizada, respeitando sua história, seu momento e seus planos de maternidade.
Conclusão
A presença de uma doença autoimune pode trazer desafios, mas não impede, na maioria dos casos, o sonho da gravidez.
Com planejamento, acompanhamento adequado e um olhar especializado para a fertilidade, é possível construir uma jornada mais segura e tranquila.
Se você tem dúvidas ou deseja entender melhor seu caso, o primeiro passo é buscar informação de qualidade — e apoio profissional.
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