Publicado em 20/08/2020

Como é a consulta com um especialista em fertilidade

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Comparecer a uma consulta com um especialista em fertilidade pode transformar a vida dos casais tentantes. Além de ser essencial para diagnosticar os fatores que possam estar impossibilitando a tão sonhada gravidez, esse tipo de profissional os ajuda a reduzir o estresse e recuperar o equilíbrio em todos os âmbitos da vida. Isso, graças à maneira diferenciada como aborda o problema.

Quer saber tudo o que se passa em uma clínica de fertilização? Tanto em relação à mulher, como ao homem? Então, continue a leitura!

Quando agendar uma consulta com um especialista em fertilidade?

A recomendação para a mulher com menos de 35 anos, que está há 12 meses tentando engravidar e não consegue, mesmo tendo relações sexuais regulares, é de que busque ajuda médica especializada. Só assim é possível descobrir o que está dificultando a concepção.

Provavelmente, após conversar com o ginecologista de confiança, ela irá à consulta com um especialista em fertilidade. Dessa forma, obterá informações mais precisas.

Já para a mulher com mais de 35 anos, que tem mantido relações sexuais na intenção de engravidar, mas sem conseguir um resultado positivo, indica-se o mesmo. Mas em vez de esperar um ano, o prazo para buscar ajuda deve ser reduzido para 6 meses.

Não demore para buscar ajuda

A ida ao médico após o prazo sugerido (um ou meio ano, conforme o caso) poupa as tentativas malsucedidas de engravidar. Além disso, facilita o diagnóstico e o tratamento.

Muitas vezes, o que pode estar impedindo a fecundação é uma questão simples e fácil de resolver. Mas isso ocorre, principalmente, quando descoberta antes de evoluir e se tornar algo que demanda maior atenção.

Você não está sozinho

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 50 e 80 milhões de pessoas no mundo sejam inférteis. No Brasil, são cerca de 8 milhões.

As causas são diversas e variam entre os gêneros. Podem ser tanto femininas, como masculinas ou, ainda, decorrente de ambos. Sabe-se que:

  • 35% dos casos de infertilidade são ligados à mulher;
  • 35% decorrem de distúrbios ligados ao homem;
  • 20% têm a ver com fatores provocados pelo casal;
  • 10% são ocasionados por fatores desconhecidos.

O que é avaliado, pelo especialista em fertilidade, na mulher?

O especialista em fertilidade avalia, primeiramente, se existem alterações que apontam para o problema. Podem ser menstruações irregulares, síndrome dos ovários policísticos, infecção pélvica prévia, entre outros. Uma das  suspeitas também é a endometriose.

Presença de endometriose

Uma das principais razões para a mulher não engravidar é a endometriose. Em muitos casos, a doença é assintomática. Por isso, muitas delas só descobrem o problema quando querem entender por qual motivo a gravidez não ocorre.

A grande culpada por a mulher com endometriose não engravidar é a ação da doença no peritônio. Trata-se de um tecido que envolve a pelve e cria um ambiente agressivo e inflamatório para os gametas – tanto para o óvulo quanto para o espermatozoide.

Os ovários, as trompas e a cavidade abdominal são os locais mais atingidos. Isso pode provocar uma reação inflamatória, que prejudica os processos de ovulação, fertilização e implantação do embrião.

Dependendo do caso, a endometriose pode ser tratada com videocirurgia ou medicamentos. Porém, às vezes, a única abordagem possível para a mulher com endometriose engravidar é a realização de uma fertilização in vitro (FIV).

Diversos sinais do organismo

É importante ressaltar que a mulher precisa ficar atenta aos sinais do corpo. Através deles, pode-se, ao menos, desconfiar de que algo está acontecendo no organismo e, por isso, há dificuldade para engravidar. Por exemplo:

  • para algumas, a menstruação é irregular ou inexistente;
  • para outras, o sangramento é leve ou forte demais;
  • há as que não têm sintomas típicos, como tensão pré-menstrual (TPM), inchaço, cólica, etc.

Tudo isso pode parecer absolutamente normal quando não é. Tratam-se, na verdade, de sinais relacionados aos problemas de ovulação — outro possível motivo pelo qual uma mulher não consegue engravidar.

Problemas de ovulação

Quando há problemas de ovulação, os ovários não liberam gametas femininos como deveriam. Assim, não há como um espermatozoide fecundar um óvulo. Os problemas com a reserva ovariana são observadas com o exame anti-mülleriano, requisitado pelo especialista em reprodução assistida na consulta.

Pode-se buscar solucionar essa falência ovulatória com medicamentos e controle do peso, quando for o caso. Também existe a opção de fazer um tratamento com fertilização in vitro, para tornar a gestação possível.

A FIV também pode ser recomendada para as mulheres em que foram detectados óvulos de baixa qualidade. São classificados assim aqueles que apresentam danos ou anomalias cromossômicas e, por esse motivo, não evoluem na gestação. Muitas vezes, a baixa qualidade dos óvulos é o motivo para a gravidez não acontecer.

Fator idade

Em outros casos, a situação está relacionada à idade da mulher. Esse é um fator que precisa ser considerado, pois a partir dos 35 anos, os óvulos tendem a não ser tão bons quanto os que tinha quando era mais jovem.

Isso acontece porque as mulheres já nascem com a quantidade de óvulos determinada. E, assim como a idade influencia nas outras funções do organismo, o envelhecimento também provoca reações no sistema reprodutivo.

Fator sobrepeso

Mulheres acima do peso ideal se defrontam com uma menor possibilidade de engravidar. Além disso, o sobrepeso também aumenta a probabilidade de abortamento.

Em relação à obesidade, o prognóstico é ainda mais complicado. Comparadas a pacientes com IMC normais, mulheres obesas têm três vezes mais chances de apresentar infertilidade anovulatória. Além disso, a condição é diretamente associada a menores taxas de sucesso nos ciclos de reprodução assistida.

Por isso, quando se tratam de pacientes obesas, a via de tratamento proposta vai além da questão anovulatória. Fazer atividades físicas regularmente e uma boa reeducação alimentar, com o intuito de perder peso, além de adotar outros hábitos saudáveis, é imprescindível para uma concepção e gestação bem sucedidas.

Como é a consulta com um especialista em fertilidade?

Durante a consulta, o médico especialista em reprodução humana assistida levanta todas as possíveis causas para a infertilidade. Esse profissional tem a mesma formação de um ginecologista — porém, com uma especialização a mais: na área reprodutiva feminina e masculina.

Assim, ele pode diagnosticar tanto problemas de fertilidade em mulheres como em homens. Às vezes, o motivo pelo qual a mulher não consegue engravidar está relacionado a alguma desordem masculina, e não feminina.

O que é avaliado, pelo especialista em fertilidade, no homem?

O especialista primeiro avalia se existem fatores de risco (tabagismo, alcoolismo, estilo de vida degradante etc) e doenças preexistentes (varicocele, criptorquidia, torção testicular, infecções do trato genital masculino, entre outras). Afinal, esses elementos poderiam desencadear o problema.

Presença de varicocele

Os homens que enfrentam problemas de fertilidade, geralmente, os possuem devido à varicocele. Essa condição se caracteriza pela presença de um tipo de varizes nos testículos. Acredita-se que as veias alteradas elevam a temperatura local e isso, consequentemente, altera a produção de espermatozoides.

Quem é diagnosticado com varicocele descreve diferentes sensações. Alguns não apresentam qualquer sintoma. Outros, relatam ter sentido dor após permanecer muito tempo sentado, em pé ou ao realizarem exercícios físicos.

O tratamento para a varicocele é cirúrgico. Porém, não são todos os casos que se revertem com o procedimento. Dessa forma, é preciso avaliar o resultado com a realização de um espermograma.

O exame deve ser feito entre três e seis meses após a operação. Caso a produção de espermatozoides permaneça anormal, o médico pode recomendar um tratamento em reprodução humana.

Problemas de ejaculação

Quem sofre com problemas de ejaculação e obstrução também deve buscar um tratamento em reprodução humana. Afinal, para engravidar é preciso que os espermatozoides consigam passar pelos ductos deferentes, para serem ejaculados no momento certo e ir ao encontro do óvulo.

A questão é que, caso esses canais estejam bloqueados, seja por causa de um defeito congênito, uma infecção, um ferimento ou uma vasectomia anterior, não há como o esperma chegar ao seu destino. Assim, é preciso desobstruir a passagem ou reverter a vasectomia, com a realização de uma cirurgia. Ou partir para a FIV.

Há mais de uma alternativa para tratar os problemas detectados nos espermatozoides, estejam eles relacionados à falta de motilidade ou à quantidade. O especialista pode prescrever medicamentos para normalizar a produção das células reprodutoras masculinas ou indicar ao casal que tente se submeter a uma inseminação artificial ou à injeção intracitoplasmática de esperma (ICSI) – técnica específica da fertilização in vitro.

Azoospermia

Por trás da baixa quantidade de espermatozoides, pode estar a azoospermia. Essa condição, nem sempre, ocorre em função de alguma obstrução. Às vezes, ela surge em razão de distúrbios hormonais ou genéticos, bem como por danos sofridos pelo tecido testicular.

Com um espermograma, pode-se determinar se o homem está produzindo o número correto de espermatozoides e se a mobilidade deles é adequada para a fecundação. Porém, esse exame não faz parte da rotina de cuidados com a saúde masculina.

No entanto, quando o casal quer engravidar, o espermograma se torna indispensável. Por isso, é um dos primeiros exames a ser solicitado em uma consulta com um especialista em fertilidade.

O que é avaliado, pelo especialista em fertilidade, no casal?

Segundo a OMS, aproximadamente 15% da população sofre de infertilidade. As razões são diversas e só podem ser descobertas com a ajuda de um especialista.

Passo a passo da consulta

Para compreender o que está impedindo a gravidez, o médico:

  • revisa o histórico clínico do casal;
  • observa se há casos de infertilidade ou menopausa precoce na família;
  • avalia as eventuais tentativas anteriores de tratamento de fertilidade. Por isso, a consulta com um especialista em fertilidade é tão importante.

Independentemente de o casal ter realizado exames anteriores, o médico pode pedir para que os mesmos sejam repetidos, bem como solicitar outros complementares. Com todas as informações em mãos, ele finalmente:

  • efetua o diagnóstico;
  • prescreve um tratamento correto e individualizado;
  • discute as alternativas com o casal.

Qual é o impacto do fator psicológico durante o tratamento?

Enfrentar a dificuldade para engravidar é só uma barreira que alguns casais precisam transpor. Ainda há muita vergonha e um sentimento de incapacidade atrelado à infertilidade. Isso faz com que poucos casais compartilhem suas dificuldades, até mesmo com as pessoas mais íntimas, do círculo familiar e de amizade.

Nessas ocasiões, não há maneira certa ou errada de agir. Há apenas um sentimento, com o qual o casal precisa lidar, para que sensações, como estresse e ansiedade, não interfiram no processo. É por isso que, em certos casos, o médico recomenda aos parceiros que tenham um acompanhamento psicológico.

Esse profissional faz parte do tratamento em reprodução humana. Afinal, ele ajuda a superar sentimentos negativos, como o de frustração.

Quanto tempo demora um tratamento de fertilidade?

Todo esse processo pode levar algum tempo. Portanto, é preciso ter disposição para vivenciá-lo e estar aberto às possibilidades.

Tanto o homem quanto a mulher precisam ter paciência para conversar, sinceramente, com o médico e responder a todas as perguntas. Não se deve omitir qualquer informação, independentemente de o questionamento parecer não fazer sentido.

Em um diagnóstico de infertilidade, todo e qualquer dado é importante para determinar a causa do problema. Entender isso e qual é o resultado esperado é importante para a formação de uma expectativa realista.

A comunicação entre o casal e o médico deve ser a mais transparente possível. Assim, haverá abertura para o especialista explicar quais são as suspeitas, quais são as possibilidades de ele ajudar e deixar clara qual é a dificuldade que há para engravidar.

Por que é preciso realizar tantos exames?

Descobrir o que impede a gravidez de ocorrer também depende da realização dos exames. Para serem assertivos, eles devem ser sempre feitos no intervalo de tempo solicitado pelo especialista em reprodução assistida.

Comparecer apenas à primeira consulta, sem dar sequência aos encaminhamentos, não é suficiente para a realização de um diagnóstico preciso. Por isso, o homem precisa fazer o espermograma e, em casos específicos, o exame cariótipo. Já a mulher precisa realizar exames de sangue e de imagem — entre eles uma ultrassonografia com e sem preparo intestinal e o raio x do útero e das trompas a histerossalpingografia.

Quando o médico aborda as possibilidades de tratamento?

Na primeira consulta, dificilmente o especialista em reprodução assistida aborda as possibilidades de tratamento. Boa parte dos pacientes aproveita o momento para sanar dúvidas que possam ter surgido durante suas próprias pesquisas na internet.

Essa busca, no entanto, exige cuidado. Parte das informações que circulam na internet são equivocadas. Por isso, é sempre melhor conversar com um especialista.

Assim, após verificar os resultados dos exames e ter um diagnóstico para a infertilidade do homem, da mulher ou do casal o médico, finalmente, sugere o tratamento mais adequado para o momento. O processo pode levar até 6  a 12 meses para ser concluído e não há como prever se, depois de cada etapa, o resultado será a gravidez.

Quais são as chances de engravidar após o tratamento?

Em geral, casais que optam por realizar uma fertilização in vitro têm até 50% de chance de engravidar. Isso, considerando que a mulher tenha menos de 35 anos. Já a probabilidade de um aborto ocorrer, nesses casos, é a mesma de quando a gravidez acontece naturalmente.

Em comparação com a possibilidade de a concepção suceder naturalmente, a perspectiva de a gestação se concretizar é maior com a FIV. A título de comparação, a cada ciclo menstrual, homens e mulheres férteis têm de 15 a 20% de chance de tornarem-se pais.

Esses dados respondem ao questionamento de muitos casais que vão à consulta com um especialista em fertilidade. Eles se perguntam os motivos pelos quais não conseguem engravidar naturalmente, como seus pais.

Na verdade, isso não é tão fácil quanto se imagina. Sem contar que cada organismo é único e tem a sua própria maneira de desempenhar cada função. Fora o fato de que, na maioria dos casos, os pais iniciaram a prole muito mais cedo.

Quais são os possíveis motivos para a FIV não vingar?

É preciso lembrar que, apesar de a fertilização in vitro ter 50% de chance de dar certo, há outros 50% de chance de a gravidez não se confirmar logo no primeiro procedimento. E as causas para a gestação não se desenvolver são muitas.

Cerca de 80% dos casos em que isso ocorre se devem à incapacidade do embrião se desenvolver. Mas também pode acontecer de o endométrio não estar preparado para recebê-lo. E, sendo esse o caso, o médico e o casal precisam ponderar, juntos, quais são as melhores alternativas. Todos os trabalhos científicos mostram que ate 80% dos casais engravidam quando transferem mais de 8 embriões de ótima qualidade.

Agora que você sabe como é uma consulta com um especialista em fertilidade, avalie, junto ao seu parceiro/a, se não é hora de procurar a ajuda da medicina. Além dos fatores mencionados neste artigo, saiba que ainda podem existir outros impedimentos para a concepção. Por isso, diagnóstico e tratamento têm que ser individualizados. Você verá que, independentemente do desfecho, buscar esse apoio fará toda a diferença!

 

Gostou do artigo? Então, não perca mais tempo e agende sua consulta com um especialista em fertilidade. A equipe da Clínica Fecondare está pronta para ajudar!

 

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Publicado por: Dra. Ana Lúcia Bertini Zarth - Ginecologista - CRM-SC 8534 e RQE 10334
Formada na Faculdade de Medicina da PUC – RS em 1993, Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia, Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) em 1997.

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Nosso material tem caráter meramente informativo e não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico, autotratamento ou automedicação. Em caso de dúvidas , consulte o seu médico.

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