Como é a consulta com um especialista em reprodução assistida

Publicado em: 31 de Janeiro de 2017

Como é a consulta com um especialista em reprodução assistida

A recomendação para a mulher com menos de 35 anos que está há 12 meses tentando engravidar e não consegue, mesmo tendo relações sexuais regulares com o parceiro, é de que busque ajuda médica especializada para descobrir o que está dificultando a concepção. Provavelmente, depois de conversar com o ginecologista de confiança, ela irá à consulta com um especialista em reprodução assistida em busca de informações mais precisas.

O mesmo é indicado às mulheres com mais de 35 anos, mas que estão há seis meses tendo relações sexuais na intenção de engravidar sem conseguir um resultado positivo no teste de gravidez. A ida ao médico após o prazo sugerido (um ou meio ano, conforme o caso) poupa a mulher do tempo perdido em tentativas frustradas e facilita o diagnóstico e o tratamento.

Muitas vezes, o que pode estar impedindo a fecundação é uma questão simples e fácil de resolver, principalmente quando descoberta antes de evoluir e tornar-se algo que demanda maior atenção.

Uma das principais razões para a mulher não engravidar é a endometriose. Em muitos casos, a doença é assintomática. Por isso, uma grande parcela das mulheres só descobre o problema quando quer entender por qual motivo a gravidez não ocorre.

A grande culpada por a mulher com endometriose não engravidar é a ação da doença no peritônio (tecido que envolve a pelve e cria um ambiente agressivo para os gametas – tanto para o óvulo quanto para o epermatoziode. Os ovários, as trompas e a cavidade abdominal são os locais mais atingidos. Isso pode provocar uma reação inflamatória que prejudica os processos de ovulação, fertilização e implantação do embrião.

Dependendo do caso, a endometriose pode ser tratada com videocirurgia ou medicamentos. Às vezes, a única abordagem possível para a mulher com endometriose engravidar é a realização de uma fertilização in vitro (FIV).

A mulher precisa ficar atenta aos sinais do corpo para, ao menos, poder desconfiar de que algo está acontecendo no organismo e, por isso, há dificuldade para engravidar. Para algumas, a menstruação irregular ou inexistente, o sangramento leve ou forte demais, além da ausência de sintomas como tensão pré-menstrual (TPM), inchaço, cólica, etc., pode parecer absolutamente normal quando, na verdade, não é.  Esses sinais estão relacionados aos problemas de ovulação, outro possível motivo porque uma mulher não consegue engravidar.

Não há como um espermatozoide fecundar um óvulo imaturo ou que não existe porque os ovários não liberam os gametas femininos periodicamente, como deveriam. Pode-se buscar solucionar essa falência ovariana prematura ou menopausa precoce com medicamentos e controle do peso, quando for o caso. Também existe a opção de fazer um tratamento com fertilização in vitro para tornar a gestação possível.

A técnica também pode ser recomendada para as mulheres em que foram detectados óvulos de baixa qualidade. São classificados assim aqueles que apresentam danos ou anomalias cromossômicas e, por esse motivo, não evoluem na gestação.

Muitas vezes, há desconfiança de que a baixa qualidade dos óvulos é o motivo para a gravidez não acontecer quando a mulher sofre abortos repetidas vezes. Em muitos casos, a situação também está relacionada à idade da mulher. Esse é um fator que precisa ser considerado, principalmente porque a partir dos 35 anos os óvulos que a mulher ainda possui tendem a não ser tão bons quanto os que detinha aos 30 anos.

Isso acontece por uma questão biológica. As mulheres nascem com a quantidade de óvulos que terão ao longo da vida já determinada. E, assim como a idade influencia nas outras funções do organismo, o envelhecimento também provoca reações no sistema reprodutivo.

O médico especialista em reprodução humana assistida levanta todas as possibilidades e explica todas as questões durante a consulta. O profissional tem a mesma formação de um médico ginecologista, porém, com uma especialização a mais: na área reprodutiva feminina e masculina.

Sim! O médico especialista em reprodução humana também pode atender e diagnosticar problemas de fertilidade em homens. Às vezes, o motivo pelo qual a mulher não consegue engravidar está relacionado a alguma desordem masculina, e não feminina. Isso também precisa ser muito bem analisado.

O que é avaliado no homem durante a consulta com um especialista em reprodução assistida

Os homens que enfrentam problemas de fertilidade, geralmente, os possuem devido à varicocele, principalmente. Ela é caracterizada pela presença de um tipo de variz nos testículos. A desconfiança dos médicos é a de que essas veias alteradas elevam a temperatura local e isso faz com que a produção de espermatozoides torne-se anormal.

Os homens diagnosticados com varicocele descrevem diferentes sensações. Alguns não apresentam qualquer sinal que denuncie a presença das varizes nos testículos. Outros, relatam ter sentido dor após permanecer muito tempo sentado ou em pé, ou ao realizar algum exercício físico.

O tratamento para a varicocele é cirúrgico. Porém, não são todos os casos que se revertem com o procedimento. Dessa forma, é preciso avaliar o resultado com a realização de um espermograma, que deve ser feito cerca de três a seis meses após a operação. Caso a produção de espermatozoides permaneça anormal, o médico pode recomendar um tratamento em reprodução humana para o casal que quer engravidar.

Quem sofre com problemas de ejaculação e obstrução pode receber a mesma orientação. É preciso que os espermatozoides consigam passar pelos ductos deferentes para serem ejaculados no momento certo e ir ao encontro do óvulo. A questão é que, caso esses canais estejam bloqueados de alguma forma, seja por causa de um defeito congênito, uma infecção, um ferimento ou uma vasectomia anterior, não há como o esperma chegar ao destino.

Em situações como essa, a única forma de os gametas masculinos encontrarem-se com o feminino é desobstruindo a passagem ou revertendo a vasectomia, com a realização de uma cirurgia, ou partir para a FIV.

Há mais de uma alternativa para tratar os problemas detectados nos espermatozoides, estejam eles relacionados à falta de motilidade ou à quantidade. O especialista pode prescrever medicamentos para normalizar a produção das células reprodutoras masculinas ou indicar ao casal que tente se submeter a uma inseminação artificial ou à injeção intracitoplasmática de esperma (ICSI).

Por trás da baixa quantidade de espermatozoides pode estar a azoospermia que, nem sempre, ocorre em função de alguma obstrução. Às vezes, ela surge em razão de distúrbios hormonais ou genéticos, ou de danos sofridos pelo tecido testicular.

Somente a partir de um espermograma é possível determinar se o homem está produzindo o número correto de espermatozoides e se a mobilidade deles é adequada para a fecundação. O exame não faz parte da rotina de cuidados com a saúde direcionada aos homens. Mas quando o casal quer engravidar, ele se torna quase indispensável. Por isso, é um dos primeiros a ser solicitado na consulta com um especialista em reprodução assistida.

O que acontece na consulta com um especialista em reprodução assistida

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 15% da população sofre de infertilidade. As razões são diversas e só podem ser descobertas com a ajuda de um especialista.

A compreensão de o que está impedindo a gravidez só vem depois de o médico revisar o histórico clínico do casal, observar se há casos de infertilidade ou menopausa precoce na família e avaliar as eventuais tentativas anteriores de tratamento de fertilidade.

Independentemente de o casal ter realizado exames antes da consulta, o especialista pode pedir para que os mesmos sejam repetidos para atualizá-los, confirmar o resultado e solicitar que outros sejam feitos para complementar os demais.

Somente com todas as informações à disposição é que o especialista em reprodução humana pode efetuar o diagnóstico, prescrever um tratamento correto e individualizado, e discutir as alternativas com o casal. Todo o processo pode levar algum tempo. É preciso ter disposição para vivenciá-lo e estar aberto às possibilidades.

Tanto o homem quanto a mulher precisam ter paciência para conversar sinceramente com o médico e responder a todas as perguntas que ele fizer, sem omitir qualquer informação, independentemente de o questionamento não parecer fazer sentido. Em um diagnóstico de infertilidade, todo e qualquer dado é importante para determinar a causa do problema. Um exemplo é o sobrepeso.

Mulheres que estão acima do peso ideal se defrontam com uma menor possibilidade de engravidar. O sobrepeso também aumenta a probabilidade de haver um abortamento. Por questões como essa, a comunicação entre o casal e o médico deve ser a mais transparente possível. Assim, haverá abertura para o especialista explicar quais são as suspeitas, quais são as possibilidades dele ajudar e deixar bem claro qual é a dificuldade que há para engravidar.

Entender perfeitamente cada um desses pontos e qual é o resultado esperado é importante para a formação de uma expectativa realista.

Descobrir o que impede a gravidez de ocorrer também depende da realização dos exames. Eles devem ser feitos no intervalo de tempo solicitado pelo especialista em reprodução assistida. Somente comparecer à primeira consulta, sem dar sequência aos encaminhamentos, não é suficiente para a realização de um diagnóstico preciso.

O homem precisa fazer o espermograma e o exame cariótipo em casos específicos. A mulher, em contrapartida, precisa realizar exames de sangue e de imagem, em geral, é solicitada uma ultrassonografia.

Dificilmente, na primeira consulta com um especialista em reprodução assistida, o médico já aborda as possibilidades de tratamento. Alguns pacientes aproveitam o momento para sanar as dúvidas que podem ter surgido durante as pesquisas que realizaram sobre as técnicas empregadas. Atualmente, com a internet à disposição, é comum a busca por informações prévias.

Essa não é uma atitude errada. Apenas exige cuidado. Parte das informações que circulam na internet são equivocadas, por isso, é sempre melhor conversar com um especialista da área.

É após verificar os resultados dos exames e ter um diagnóstico para a infertilidade do homem, da mulher ou do casal que o médico sugere o tratamento mais adequado para o momento. Conforme o caso, todo o processo pode levar de seis meses a um ano para ser concluído e não há como prever se, depois de cada etapa, o resultado será a gravidez.

Em geral, casais que optam por realizar uma fertilização in vitro tem até 50% de chance de engravidar, considerando que a mulher tenha menos de 35 anos. A probabilidade de um aborto ocorrer, nesses casos, é a mesma de quando a gravidez acontece naturalmente.

Em comparação com a possibilidade de a concepção suceder naturalmente, a perspectiva de a gestação concretizar-se é maior com a FIV. A cada ciclo menstrual, homens e mulheres saudáveis, ou seja, férteis, têm entre 15 e 20% de chance de tornarem-se pais.

Os dados respondem ao questionamento de muitos casais que chegam à consulta com um especialista em reprodução humana se perguntando porque não conseguem engravidar naturalmente, como seus pais. Na verdade, isso não é tão fácil quanto se imagina. Sem contar que cada organismo é único e tem a sua própria maneira de desempenhar cada função e, na grande maioria dos casos, seus pais iniciaram a prole muito mais cedo.

Enfrentar dificuldade para engravidar é só uma barreira que alguns casais precisam transpor. Mas, na era da informação, ainda há muita vergonha e um sentimento de incapacidade atrelado à infertilidade que faz com que poucos casais compartilhem suas dificuldades, até mesmo com as pessoas mais íntimas do círculo familiar e de amizade.

Nessas ocasiões, não há maneira certa ou errada de agir. Há apenas um sentimento com o qual o casal precisa lidar para que sensações como estresse e ansiedade não interfiram no processo. É por isso que, em certos casos, o médico recomenda aos parceiros que tenham um acompanhamento psicológico. Ele faz parte do tratamento em reprodução humana, pois, além de tudo, ajuda a superar sentimentos como o de frustração.

É preciso lembrar que, apesar de a fertilização in vitro ter 50% de chance de dar certo, também há 50% de chance de a gravidez não se confirmar logo no primeiro procedimento. As causas para a gestação não se desenvolver são muitas. Cerca de 80% dos casos em que isso ocorre deve-se à incapacidade do embrião se desenvolver. Mas pode acontecer de o endométrio também não estar preparado para recebê-lo. E, sendo esse o caso, o médico e o casal precisam ponderar, juntos, quais são as alternativas.

Conteúdo atualizado em: 26 de Abril de 2018

 Agendar Consulta

Para agendar uma consulta preencha o formulário: