Publicado em 07/07/2021

Congelamento de óvulos: tudo o que você precisa saber!

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O congelamento de óvulos é uma técnica de reprodução humana assistida que permite preservar a quantidade e a qualidade das células reprodutivas femininas frente ao avanço da idade e outros fatores prejudiciais. Para isso, realiza-se a criopreservação de ovócitos maduros e saudáveis. De maneira simples e direta, trata-se de um tipo de procedimento que faz toda a diferença quando se decide adiar a maternidade.

Neste artigo, mostramos os principais aspectos sobre o congelamento de óvulos. Continue a leitura e veja como a técnica pode ajudar no seu planejamento familiar!

Quais motivos levam ao adiamento da maternidade?

O adiamento da primeira gestação é uma tendência global, registrada, principalmente, em regiões com melhores condições socioeconômicas. Segundo a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA),em menos de duas décadas o número de brasileiras que tiveram o primeiro filho depois dos 30 anos aumentou mais de 70%.

A opção pela chamada maternidade tardia se deve a diversos fatores. A dedicação aos estudos e à carreira, assim como o desejo de alcançar a independência e a estabilidade financeira, aparecem entre os principais motivos.

Existem, também, as mulheres que optam pelo congelamento de óvulos antes de se submeterem a tratamentos que comprometem a fertilidade. É o caso, por exemplo, de muitas pacientes oncológicas.

Além delas, existem as pacientes diagnosticadas com perda precoce da função ovariana (também conhecida como menopausa precoce). Nessas mulheres, a capacidade funcional, tanto hormonal quanto de reprodução, dos óvulos se deteriora muito cedo, por volta dos 30 anos.

Por fim, há aquelas que acabam postergando a gestação por conta da demora para encontrar um(a) parceiro(a). Assim, elas têm mais tempo para achar um companheiro(a) ou para refletir se preferem optar pela maternidade independente, tornando-se mães solo.

Seja qual for a motivação, as mulheres devem ser informadas, o quanto antes, sobre a possibilidade de realizar uma criopreservação (preventiva ou eletiva). Dessa maneira, podem assegurar sua autonomia reprodutiva e, se desejarem, futuramente, gerar um filho com seu material genético.

O que é e como ocorre o processo de criopreservação de óvulos?

Criopreservação é o resfriamento de células e tecidos abaixo de 100º. O objetivo do procedimento é interromper as respectivas atividades biológicas, preservando-os para o uso futuro.

O congelamento de óvulos é uma técnica relativamente nova (o primeiro humano gerado a partir de um oócito congelado nasceu em 1986). Em 2013, o procedimento foi aprovado pela American Society for Reproductive Medicine (ASRM) para o emprego além dos ensaios clínicos supervisionados.

Desde então, a possibilidade de “pausar a idade fértil” é uma realidade para mulheres que desejam e/ou precisam adiar a gravidez. Conheça, a seguir, as etapas do processo.

Estimulação ovariana

Primeiramente, realiza-se a estimulação hormonal ovariana. Essa etapa é importante para aumentar as chances de sucesso do procedimento — uma vez que, de forma natural, libera-se um único óvulo a cada ciclo menstrual.

O tratamento com medicamentos indutores de ovulação costuma durar entre dez a 12 dias. Nesse período, realizam-se três ou quatro ecografias, para monitorar o desenvolvimento (condições e crescimento) folicular.

Punção folicular

Após a estimulação ovariana, é chegada a hora da coleta. Isso é feito por meio da punção folicular. Nessa etapa, realiza-se a captura dos ovócitos, considerados viáveis, dentro dos folículos ovarianos.

A punção é um procedimento indolor. O processo leva de 15 a 30 minutos, sendo feito com a paciente sedada e acompanhada por um médico anestesista.

Vitrificação

No momento seguinte à punção, os ovócitos extraídos são analisados e, se suficientemente maduros, congelados por vitrificação — ou seja, instantaneamente. Depois, ficam armazenados em containers de nitrogênio líquido, o que garante a preservação de sua qualidade. Nessas condições, estima-se que a taxa de sobrevivência dos óvulos, após o descongelamento, seja em média de 80 %.

É importante esclarecer que congelar os óvulos não irá reduzir a reserva ovariana da paciente. Saiba mais no vídeo:

Existem efeitos colaterais associados ao congelamento de óvulos?

O uso do indutor de ovulação, necessário para gerar mais de um óvulo por ciclo, pode gerar uma resposta excessiva do organismo, levando à síndrome da hiperestimulação ovariana. Essa condição pode desencadear sintomas que variam de leves a moderados e aparecem entre quatro e sete dias após a punção dos óvulos. São eles:

  • inchaço nas mãos, tornozelos e abdômen;

  • náuseas e vômitos;

  • dificuldade para respirar;

  • fadiga, fraqueza e mal-estar;

  • dor de cabeça;

  • aumento da sensibilidade mamária;

  • ganho de peso em pouco tempo;

  • irritabilidade.

O lado positivo é que o problema afeta, apenas, de 3 a 6% das pacientes. Além disso, os efeitos adversos costumam ser muito bem controlados.

Em uma pequena parcela (de 0,1 a menos de 2%),no entanto, a hiperestimulação ovariana pode levar a efeitos colaterais graves, que exigem tratamento e, por vezes, internação hospitalar. É o caso de pacientes que apresentam:

  • aumento do tamanho dos ovários;

  • coágulos sanguíneos;

  • dor abdominal intensa, entre outros.

Vale ressaltar que a ocorrência da síndrome do hiperestímulo ovariano é maior em mulheres com ovários policísticos, níveis de hormônio anti-mulleriano altos e/ou contagem de folículos elevada. Para reduzir o risco, o médico responsável deve adotar um tratamento personalizado, com o protocolo de estímulo ovariano mais seguro possível.

O que sabe sobre segurança e taxas de sucesso do procedimento?

A criopreservação de oócitos é considerada segura e eficiente pelas associações médicas relevantes do Brasil e do exterior. Estudos revisionais mostram que bebês nascidos a partir da técnica, quando realizada em mulheres jovens e saudáveis, não apresentam mais anormalidades cromossômicas, defeitos congênitos ou déficits de desenvolvimento em comparação às gestações de reprodução assistida convencionais (com oócitos frescos) ou da população em geral. Na verdade, percebeu-se que o congelamento ajuda a reduzir o risco de anomalias cromossômicas associadas à aneuploidia ovariana.

Atualmente, há dados suficientes para recomendar o procedimento. A indicação é dada às pacientes cujas capacidades reprodutivas estão prestes a começar o declínio, seja por conta da idade ou de algum tratamento prejudicial à fertilidade, e desejam preservar seus óvulos para tentar uma gravidez futura.

Segundo um estudo da ASRM, em parceria com a Society for Assisted Reproductive Technology (SART), realizado em 2015, a taxa de fertilização a partir de oócitos vitrificados e descongelados é de 71 a 79%. A taxa de implantação fica entre 17 e 41%.

Tamanha variabilidade se deve à idade e às condições clínicas da mulher à época do congelamento. Mas atenção: esses percentuais remetem à experiência de pacientes mais velhas, com histórico de subfertilidade ou infertilidade.

O resultado do congelamento de óvulos em mulheres jovens, férteis e saudáveis é, notavelmente, melhor. Nelas, as taxas de gravidez clínica por transferência são de 36 a 61%.

Além disso, graças aos avanços da medicina reprodutiva, o prognóstico é cada vez mais promissor. Atualmente, há novos métodos para estimar, de maneira individualizada, as taxas de sucesso do procedimento. Na prática, isso permite que mulheres ou casais devidamente tratados tenham as mesmas taxas de sucesso de fertilização encontrada em casais normais (sem problemas de infertilidade).

Qual é a idade mais indicada para congelar os óvulos?

A idade é um fator-chave para quem decide adiar a gestação. Devido ao declínio da reserva ovariana, mulheres mais jovens têm mais e melhores óvulos — o que aumenta as chances da criopreservação ser bem-sucedida.

A partir dos 35 anos, o desafio de preservar a fertilidade aumenta. Isso porque, com o avanço da idade, a quantidade e a qualidade dos óvulos diminuem consideravelmente. Ao mesmo tempo, aumentam as taxas de má-formação cromossômica e abortamento espontâneo.

Por tudo isso, a melhor idade para realizar o congelamento de óvulos seria antes dos 35 anos — idealmente, entre os 25 e 35 anos. Afinal, quanto mais cedo, maiores as chances de ter uma futura gestação. Mas caso a precocidade não seja possível, a SBRA sugere que as candidatas ao procedimento devem fazê-lo, de preferência, até os 37 anos.

Ainda assim, é importante ressaltar que não há garantias de gravidez. Além da idade da paciente, as chances de ter um bebê variam em função da resposta ovariana aos indutores de ovulação, carga genética (como histórico familiar de menopausa precoce),fatores ambientais e estilo de vida.

Geralmente, mulheres mais novas precisam congelar entre quatro a seis óvulos. Já nas mais velhas, acima dos 40 anos, busca-se congelar 20 ou mais. Acontece que esse aumento ocorre, justamente, na fase e que há menos óvulos e de menor qualidade.

Além disso, é importante ressaltar que, quanto mais velhas as mulheres engravidarem, maiores os riscos para si mesmas e para os filhos. Entre os potenciais perigos para as gestantes, destacam-se a hipertensão arterial e o diabetes gestacional; já para os bebês, pode-se citar o parto prematuro, baixo peso ao nascer e um ligeiro aumento das anomalias estruturais congênitas.

Quais são as opções de tratamento pós-descongelamento?

O descongelamento dos óvulos pode ser realizado a qualquer momento. A partir de então, tem início o processo de fertilização, seja com o sêmen de um parceiro ou de um doador.

A escolha da técnica de reprodução assistida depende das condições de cada paciente, iniciando, sempre que possível, pela de menor complexidade. Elas variam entre:

Em seguida, analisa-se a viabilidade dos embriões resultantes e, só então, eles são transferidos para a cavidade uterina. Existem fortes evidências de que as taxas de fertilização e gravidez usando óvulos que foram criopreservados são semelhantes às realizadas com óvulos frescos.

Após o nascimento do bebê, os oócitos não utilizados podem continuar criopreservados (não existe limite de tempo para conservar o material) ou irem para um banco de óvulos e espermatozoides doados. No Brasil, esse processo é um ato voluntário, não remunerado e sigiloso (tanto para quem doa como para quem recebe).

Como tem sido a procura pela criopreservação na pandemia?

Com a pandemia de Covid-19, a procura pela técnica, que já vinha aumentando ano a ano, teve um crescimento expressivo. Para se ter ideia, segundo um levantamento publicado na revista Time, estima-se um aumento de até 50% no comparativo de criopreservações realizadas entre 2019 e 2020 — isso, tendo como base clínicas de fertilidade nos Estados Unidos.

Suspeita-se que, com o isolamento social imposto pelo coronavírus, as mulheres tiveram mais tempo para refletir. O novo normal permitiu que revissem os rumos que estavam dando às suas vidas e revissem suas prioridades.

No Brasil, o aumento recente também é perceptível. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que as brasileiras vêm seguindo a tendência global de adiamento da maternidade para depois dos 30 anos. Em contrapartida, a proporção de mulheres que deram à luz na faixa dos 20 anos ou menos vem caindo.

É preciso ser vacinada contra a Covid-19 para fazer o congelamento?

Em relação à vacinação contra a Covid-19, especialistas afirmam que é interessante recebê-la antes do procedimento. Mas, como já foi abordado, o tempo hábil de espera pode variar de acordo com as condições individuais da paciente. Dependendo da idade (principalmente, nas acima de 35 anos) e/ou comorbidade (câncer, por exemplo),talvez não seja possível aguardar a imunização.

Sendo assim, segundo o parecer das entidades médicas da área, não é preciso atrasar as tentativas de gravidez ou o início dos tratamentos de reprodução assistida por causa da pandemia. Portanto, mesmo quem ainda não se vacinou contra a Covid-19 pode seguir com seus planos.

Para concluir, o congelamento de óvulos como forma de preservar as funções reprodutivas, quando bem indicado e corretamente executado, é muito benéfico para mulheres que desejam gerar um filho, mas precisam adiar esse sonho. Cabe ao especialista responsável oferecer informações individualizadas sobre a segurança do procedimento e probabilidade de ser bem-sucedido.

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Publicado por: Dr. Marcelo Costa Ferreira - Ginecologista - CRM/SC 7223 e RQE 2935
Formado em Medicina pela FURB, Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia, Especialização em Reprodução Humana no Centro de Referência da  Saúde da Mulher em São Paulo e Especialização em Reprodução Assistida

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