A Insuficiência Ovariana (menopausa precoce)

Publicado em: 17 de setembro de 2012

A Insuficiência Ovariana (menopausa precoce)

Muitas pessoas já ouviram falar em menopausa precoce, mas pouco realmente sabem sobre ela. Atualmente esta condição é chamada de insuficiência ovariana ou falência ovariana precoce, por ser mais fiel à realidade, isto é, reflete um ovário que trabalha menos do que deveria. Até um terço das mulheres com menos de 40 anos de idade têm o seu ovário, em um determinado momento, trabalhando menos e podem com frequência tornar-se inférteis.

Uma das principais características que nos faz suspeitar dessa doença é a irregularidade menstrual, sendo esta ilustrada por um período de pelo menos três meses sem menstruar regularmente (regular em duração, frequência e quantidade de fluxo), que, por si só, pode ter diversas causas. Vale ressaltar que, no caso em questão, ocorre uma mudança no padrão menstrual, ou seja, a mulher pode ter tido desde a puberdade um ciclo normal e, com o tempo, ter ficado irregular.

A insuficiência ovariana associa-se a deficiência de estrogênio (o hormônio sexual feminino) e o aumento persistente do hormônio foliculoestimulante (FSH) e luteinizante (LH), que são hormônios responsáveis por estimular a ovulação. Eles aumentam porque a hipófise – glândula localizada na base do cérebro – insiste em estimular um ovário que não lhe responde, ou seja, que, na verdade, não ovula. Caso contrário, eles diminuiriam em quantidade e só voltariam a aumentar no ciclo seguinte, para nova ovulação. Ainda pode haver as famosas ondas de calor da menopausa, dificuldade para dormir e também atrofia genital (afinamento da pele da vagina, diminuição da lubrificação), que pode ocasionar dor durante a relação sexual.

É difícil saber qual a origem deste quadro. Pode advir de causas genéticas, tóxicas (quimioterapia, radiação) e autoimunes (quando o corpo produz células de defesa contra ele mesmo). A paciente deve ser bem investigada. Para tanto faz-se necessário  procurar ajuda médica, uma vez que haja suspeita diagnóstica. Mulheres com insuficiência ovariana estão mais propensas a desenvolver osteoporose e problemas cardiovasculares, e também são em sua maioria inférteis, ou seja, não conseguem engravidar, e o profissional da saúde poderá orientar a paciente de forma a contornar, quando possível, essas situações.

Terapia com estrogênio é um dos caminhos a se seguir, quando pensamos em tratamento. É importante repor este hormônio, quando o ovário o deixou de produzi-lo, pois sua falta pode levar aos agravantes já mencionados. Essa reposição pode ser feita na forma de pílula ou de adesivo na pele. Muitas vezes será preciso associar um tipo de progesterona no tratamento (o outro hormônio sexual feminino) para prevenir a hiperplasia do endométrio, outra condição que poderia levar ao câncer pela terapia com o estrogênio isoladamente.

Até 10% dessas mulheres podem engravidar naturalmente. Para as que não podem, mas desejam ter filhos, uma opção seria a fertilização in vitro (a fecundação, ou seja, o encontro do óvulo com o espermatozoide, ocorre no laboratório e o embrião que resulta dela é posteriormente levado ao útero),  isso aconteceria por meio da doação de um óvulo (já que a mulher com insuficiência não pode mais gerar).

Para muitas mulheres esse é um diagnóstico difícil, pois acarreta impedimentos imprevistos, receios e frustrações. O aconselhamento médico faz-se essencial a fim de prover o apoio e o conhecimento que a paciente e seu parceiro precisam. É importante a mulher saber que não está sozinha e que tem opções, podendo viver de forma saudável e feliz.

Conteúdo atualizado em: 3 de Maio de 2017

 Agendar Consulta

Para agendar uma consulta preencha o formulário: