Publicado em 25/10/2020

Câncer e infertilidade

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Em mulheres, o tratamento do câncer, muitas vezes, causa danos irreversíveis à fertilidade. Por isso, uma nova área na medicina reprodutiva, comumente descrita como oncofertilidade, oferece tratamentos contra à infertilidade feminina, bem como formas de prevenir possíveis prejuízos aos órgãos e funções reprodutivas.

Assim, conforme o tempo avança, diversos métodos de prevenção à infertilidade feminina vêm sendo desenvolvidos e aperfeiçoados. Para conhecê-los, continue a leitura!

Como é o prognóstico de pacientes com câncer?

No início dos anos 1990, foi criado o movimento internacional conhecido como Outubro Rosa. Desde então, o mês é celebrado com o intuito de promover o acesso à informação em prol da conscientização sobre o câncer de mama.

O principal objetivo da campanha é ampliar a procura e adesão aos serviços de diagnóstico e tratamentos. E tem dado certo!

Graças a melhoras na vigilância e terapêuticas, observa-se um decréscimo das taxas de mortalidade entre as pacientes com cânceres de todos os tipos. Isso permite, mais do que focar na sobrevivência, que elas possam pensar na qualidade de vida — é aí que entra a capacidade de preservar a fertilidade.

Como o câncer afeta a fertilidade?

Geralmente, os tratamentos gonadotóxicos (que afetam as gônadas) são os que mais contribuem para a sobrevida, tanto entre adultos como crianças diagnosticadas com câncer. Porém, na maior parte dos casos, essa abordagem emprega altas doses de agentes alquilantes (drogas antineoplásticas) e terapias com radiação.

Por conta disso, não raro ocorrem prejuízos à fertilidade. O impacto na reserva ovariana decorre da diminuição acelerada das células germinativas primordiais.

Entre as mulheres que se submeteram à quimioterapia ou à radioterapia pélvica, o risco de ficar infértil, principalmente naquelas que têm entre 30 e 35 anos, é de mais de 50%. Além disso, a incidência de menopausa precoce também aumenta, ocorrendo de 5 a 20 anos antes do período estimado.

Quais tipos de câncer afetam a fertilidade?

Nem todos os tipos de câncer prejudicam a capacidade reprodutiva. Para estimar o risco, deve-se fazer uma avaliação individualizada, considerando:

  • o sexo;
  • a idade;
  • o tipo de câncer e seu grau de agressividade e
  • o tipo de tratamento escolhido.

No que diz respeito às mulheres, quanto mais próximo da menopausa, menor a preocupação com a preservação da fertilidade. Nessa fase, a função ovariana e a quantidade de óvulos já se encontram bastante reduzidas.

Sabe-se que, acima dos 45 anos de idade, a chance de uma mulher engravidar, naturalmente, é de menos de 1%. Por outro lado, em mulheres jovens que desejam se tornar mães, preservar a fertilidade é imprescindível.

Quais tratamentos mais prejudicam a fertilidade?

Os tratamentos oncológicos buscam impedir a proliferação das células cancerosas, as quais levam ao crescimento dos tumores. Por isso, a quimioterapia e a radioterapia interferem nos mecanismos de multiplicação celular.

No caso da quimioterapia, a atuação se dá sistematicamente. Isso significa que ela é distribuída via corrente sanguínea, atingindo o corpo todo — inclusive, os ovários, afetando a formação dos óvulos. A radioterapia, por sua vez, traz riscos quando direcionada à região pélvica.

Como preservar a fertilidade no tratamento oncológico?

preservação da fertilidade antes de iniciar o tratamento contra o câncer pode se dar por meio de abordagens não cirúrgicas e cirúrgicas. Entre as primeiras, as quais vêm sendo utilizadas com grande êxito, destacam-se as criopreservações, incluindo:

Já entre as abordagens cirúrgicas, dependendo das condições da paciente, pode-se realizar:

  • a cirurgia ginecológica conservativa, realizada em mulheres com câncer em apenas um dos ovários;
  • a transposição ovariana, por meio do afastamento dos ovários da área a ser tratada com radioterapia e posterior recolocação na posição pélvica central;
  • a criopreservação do tecido ovariano, retirando parte (ou a totalidade) de um ovário, cortando-o em tiras para ser congelado rapidamente e, após o término do tratamento, transplantando-o na região pélvica.

Qual é a importância da preservação da fertilidade?

Com o número crescente de jovens que sobrevivem à doença, a preservação da fertilidade assumiu um papel muito importante. Todos (homens e mulheres) em idade fértil deveriam ter seus prognósticos com relação à fertilidade discutidos antes do início do tratamento quimioterápico e/ou radioterápico. Preservar a fertilidade contribui, diretamente, para a qualidade de vida após a cura.

Em que momento a questão da preservação da fertilidade deve ser abordada?

Levantamentos realizados nos Estados Unidos mostram que o risco de infertilidade é uma das maiores preocupações em pacientes com câncer. Por isso, a questão da preservação da fertilidade deve ser tratada logo após a escolha da terapêutica — independentemente do problema só se manifestar após o término do tratamento.

Quando se trata da quimioterapia, a criopreservação (congelamento) é considerada prática padrão, principalmente se houver risco significativo de infertilidade. Assim:

  • em meninas pré-púberes (que ainda não atingiram a maturidade do sistema reprodutor),a criopreservação do tecido ovariano deveria ser considerada sempre que o risco de menopausa prematura for alto;
  • quando já menstruam, costuma-se realizar a criopreservação dos óvulos ou, novamente, de parte do tecido ovariano;
  • em mulheres que têm um parceiro, a prática mais comum é a criopreservação do embrião após o procedimento de fertilização in vitro.

Já em pacientes que vão se submeter à radioterapia na área do aparelho reprodutor, a abordagem preventiva se dá de maneira diferente. Nesses casos, uma possibilidade para a preservação da fertilidade é o deslocamento cirúrgico dos ovários para um local não irradiado (a chamada transposição ovariana).

Que especialista elabora a estratégia de prevenção à infertilidade feminina?

O tratamento oncológico é multidisciplinar. Portanto, ainda que a orientação sobre a importância de preservar a fertilidade seja dada à paciente pelo oncologista, a definição do melhor tratamento depende da avaliação de um especialista em reprodução humana.

Graças aos diagnósticos precoces e avanços nos tratamentos, as chances de cura de pacientes com câncer são cada vez maiores. Mas para lidar com problema da infertilidade feminina, a brevidade na prevenção do problema também é imprescindível. Na prática, o procedimento indicado para preservar a capacidade reprodutiva deve começar o quanto antes, evitando, inclusive, atrasos no tratamento do tumor.

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Artigo elaborado pela equipe Fecondare em parceria com a E-saúde.

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Publicado por: Equipe Fecondare

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      Nosso material tem caráter meramente informativo e não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico, autotratamento ou automedicação. Em caso de dúvidas , consulte o seu médico.

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