Câncer e infertilidade

Publicado em: 14 de junho de 2012

Câncer e infertilidade

O tratamento efetivo do câncer frequentemente causa danos irreversíveis na capacidade reprodutiva dos pacientes. Uma nova tendência na medicina reprodutiva comumente descrita como oncofertilidade oferece aos pacientes com câncer não somente tratamento contra a infertilidade, mas também potencial prevenção de danos irreversíveis dos órgãos e funções reprodutivas.

Métodos eficazes de prevenção deste tipo de dano já são desenvolvidos há quase 10 anos. Uma melhora na vigilância e nos tratamentos resultaram num decréscimo das taxas de mortalidade das pacientes com câncer, permitindo a essas mulheres focar na sobrevivência e na qualidade de vida, incluindo a capacidade de preservar sua fertilidade.

Os tratamentos que têm melhorado a sobrevivência, tanto entre adultos como crianças diagnosticadas com câncer, são frequentemente gonadotóxicos, especialmente aqueles que empregam altas doses de agentes alquilantes e terapia com radiação diretamente nas proximidades ou em direção à pelve. O impacto na reserva ovariana é relacionado à acelerada depleção do reservatório das células germinativas primordiais, resultante dessas terapias.

Abordagens não cirúrgicas para a preservação da fertilidade, incluindo as criopreservações provenientes das fertilizações in vitro, além da criopreservação do oócito, por meio de hiperestimulação controlada do ovário e sua maturação in vitro, estão sendo utilizadas com grande êxito. Abordagens cirúrgicas, como cirurgia ginecológica conservativa, transposição ovariana e a criopreservação de tecido ovariano, estão sendo revisadas. Guidelines da Sociedade Americana para Medicina Reprodutiva e a Sociedade Americana para Oncologia Clínica classifica esses tratamentos em procedimentos estabelecidos e experimentais e eles apresentam uma ótima abordagem para preservar a fertilidade desses pacientes antes de iniciar suas terapias contra o câncer.

Assim sendo, com o número crescente de pacientes jovens que sobrevivem ao câncer, o papel da preservação da fertilidade assumiu um papel muito importante. Todos os pacientes jovens com câncer deveriam ter seus prognósticos com relação à fertilidade discutidos antes do início do tratamento quimioterápico e/ou radioterápico. A criopreservação do esperma ou do embrião deveria ser considerada prática padrão e ser avaliada principalmente quando há risco significativo de infertilidade. Para meninas pré-púberes, a criopreservação do tecido ovariano deveria ser considerada se o risco de menopausa prematura for alto. Para os meninos pré-púberes não há nenhuma técnica estabelecida correntemente utilizada nos dias atuais.

Artigo elaborado pela equipe Fecondare em parceria com a E-saúde.

Conteúdo atualizado em: 3 de Maio de 2017

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