Reserva ovariana: o que a fertilidade feminina tem a ver com isso?

Publicado em: 25 de Março de 2016

Reserva ovariana: o que a fertilidade feminina tem a ver com isso?

Entre 2000 e 2013, o número de filhos por mulher caiu 26%, passando de 2,39 filhos por mulher para 1,77, segundo a Síntese de Indicadores Sociais 2014 (SIS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conforme a pesquisa, há três anos, 43,9% dos casais brasileiros tinham filhos. Em 2004, esse percentual era de 50,9%.

O número menor de nascimentos ainda se deve, muito, ao  fato de grande parte dos casais, ou pelo menos das mulheres, optarem por adiar a gestação até que estejam estáveis econômica e profissionalmente, e também à  inserção crescente delas no mercado de trabalho. Tudo isso, somado aos métodos contraceptivos eficazes e seguros que proporcionam à mulher maior poder de escolha sobre o momento ideal para engravidar tem contribuído para o adiamento das gestações.

Socialmente, esperar para engravidar pode até parecer uma escolha sensata. Biologicamente, nem tanto. Isso porque as mulheres detém melhores taxas de fecundidade até os 35 anos de idade. Após esse período, alguns fatores naturais, como o envelhecimento, começam a influenciar o organismo, diminuindo as chances de gestação.

Como o tempo influencia sobre a fertilidade

Entre 35 e 39 anos, a fertilidade feminina é pelo menos 25% menor. Esse decréscimo que ocorre com o avançar da idade se deve a alguns fatores:

Diminuição da reserva ovariana

As mulheres já nascem com, em média, 2 milhões de óvulos. Na puberdade, esse número cai para 300 mil. Na idade fértil, uma mulher normal ovula entre 300 e 500 óvulos. Porém, conforme a mulher envelhece, os óvulos remanescentes no ovário também envelhecem, o que diminui a sua capacidade de fertilização e aumenta a dificuldade de implantação dos embriões.

Qualidade dos óvulos

O avanço da idade está associado a uma incidência maior de anormalidades cromossômicas e, como consequência, a uma maior taxa de abortamento.

Problemas de saúde

Problemas ginecológicos, como endometriose e miomatose, são mais frequentes em mulheres acima dos 35 anos. Conforme a idade da mulher aumenta, maiores são as chances dela ser afetada por essas condições, que interferem na fertilidade.

Pouca libido

A função sexual também pode ser afetada pela idade, como diminuição da libido e da frequência de relações sexuais.

Como avaliar a fertilidade

Os cerca de 300 mil óvulos que a mulher detém na puberdade constituem a reserva ovariana. E é possível à mulher avaliar qual é a condição da sua reserva. A informação é relevante, por exemplo, para decidir até quando é possível adiar a maternidade ou se uma boa opção é congelar os óvulos para dispor dos mais viáveis em uma futura gravidez.

Contagem de foliculos antrais – este recurso isoladamente ou associado com as dosagens hormonais tem grande acurácia na previsão da reserva ovariana. Deve ser realizado através de US transvaginal no 2o ou 3o dia da menstruação e por profissional médico da área reprodutiva.

Existem vários exames hormonais, que são geralmente feitos no 3º dia do ciclo menstrual e permitem avaliar a reserva ovariana:

  • dosagens do FSH: o Hormônio Folículo Estimulante (FSH) é responsável pelo crescimento e maturação dos folículos ovarianos durante a maturação do óvulo. Na primeira fase do ciclo menstrual, o FSH se encontra em maior quantidade na corrente sanguínea, a medida que o ciclo ovulatório vai andando.. A quantidade do hormônio por mililitro de sangue é um dos critérios que o médico especialista em reprodução humana assistida avalia para determinar qual a chance de a mulher submetida ao exame conceber um filho. Dosagens devem estar abaixo de 10 mUI/ml para termos um melhor prognóstico
  • dosagens do estradiol: este hormônio é responsável pelo crescimento dos seios, alongamento das trompas, pelos do corpo, entre outras características femininas. É produzido pelos ovários na fase pré-ovulatória e, basicamente, estimula a maturação dos óvulos e faz com que o endométrio (membrana mucosa que reveste a parede uterina) fique mais grosso e receptivo para o óvulo fecundado. A dosagem elevada indica uma reserva ovariana baixa.
  • dosagens da inibina-B: a inibina é um potente inibidor da secreção de FSH. Mulheres que, no 3º dia do ciclo menstrual, apresentam concentrações de inibina-B abaixo do normal podem deter baixa reserva ovariana e menor resposta quando submetidas à fertilização assistida.
  • dosagens de LH: o hormônio luteinizante (LH)  é produzido na hipófise (glândula pituitária) em homens e mulheres. Nas mulheres, é uma parte importante do ciclo menstrual. Ele trabalha em conjunto com o hormônio folículo-estimulante (FSH), na maturação e liberação do óvulo para fecundação.

A quantidade de LH na corrente sanguínea da mulher varia ao longo do ciclo menstrual e muda com a gravidez. Em geral, níveis de LH mais elevados do que o normal em uma mulher podem significar ausência dos ovários ou que eles não estão funcionando.

  • dosagens de prolactina: é outro dos hormônios produzidos pela hipófise, relacionado ao controle dos hormônios femininos. O exame de prolactina é usado para dosar a quantidade de hormônio que está sendo produzido e avaliar a presença de patologias associadas, mediante o resultado.
  • HAM ( Hormonio Anti Mulleriano): sua dosagem tem-se mostrado mais fidedigna na previsão da reserva ovariana quando feita isoladamente mas com grande correlação quando comparada com a associação – contagem de foliculos antrais + dosagens hormonais. Sua aferição poderá ser realizada em qualquer fase do ciclo mas trabalhos recentes mostram menor valor em mulheres usando anticoncepcional hormonal

Além da verificação dos níveis hormonais, uma ultrassonografia transvaginal realizada no mesmo dia em que as amostras de sangue ou urina são coletadas permite contar quanto óvulos estarão disponíveis nesse ciclo. Quanto mais baixo o número, menor a reserva ovariana. No entanto, a existência de alteração nos exames não significam que a mulher não conseguirá engravidar. Demonstram apenas que, quando ela quiser se tornar mãe, poderá enfrentar dificuldades. A maior parte delas podem ser contornadas com as técnicas de reprodução humana assistida.

Conteúdo atualizado em: 12 de julho de 2017

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