Publicado em 10/04/2020 - Atualizado 19/05/2020

Reprodução assistida e coronavírus: o que você precisa saber

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Em decorrência da pandemia de Covid-19, doença ocasionada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2), os tratamentos de reprodução assistida e o uso de técnicas auxiliares para a fertilização humana também teve que se adequar às medidas para assegurar segurança  aos pacientes e doadores.

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Em uma transmissão ao vivo no Instagram da Fecondare, o Dr. Ricardo Nascimento, especialista em reprodução humana e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explicou como o coronavírus interfere na fertilidade humana e nos tratamentos relacionados, como a doação de células reprodutivas. 

Leia o artigo e entenda.

Novo coronavírus: o que devemos saber a respeito?

O coronavírus faz parte de uma família composta por diversos vírus, que em comum, apresentam infecções respiratórias agudas como principal mecanismo de ação no organismo. 

De acordo com o Ministério da Saúde, os primeiros coronavírus humanos foram descobertos por volta de 1937, mas atualmente, um novo tipo de coronavírus foi encontrado na China. Chamado de novo coronavírus 2019 (SARS-Cov-2), a infecção se alastrou mundialmente, levando à alta contaminação entre os seres humanos. 

O vírus causa a COVID-19, uma doença respiratória similar a um tipo de gripe, mas que em pacientes que possuem o sistema imunológico enfraquecido, pode levar à morte.

A partir dos altos números de contaminação e óbito, a Organização Mundial da Saúde decretou o estado de pandemia e está desenvolvendo uma série de medidas para interromper a transmissão do vírus, no mundo todo.

Mas isso significa que os procedimentos de reprodução assistida também devem ser interrompidos, durante a pandemia?

Os tratamentos de reprodução assistida devem ser adiados para depois da pandemia do coronavírus? 

Segundo o Dr. Ricardo, o que o coronavírus representa para a fertilidade ainda é algo desconhecido. Ou seja, como estamos falando de uma doença nova, diariamente, aprendemos alguma coisa a respeito. No entanto, algumas medidas já foram tomadas para o controle do problema.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), todo e qualquer tratamento de reprodução assistida deve ser adiado, até que a situação da epidemia relacionada ao novo coronavírus (Sars-CoV-2) esteja normalizada.

A recomendação foi uma medida da Gerência de Sangue, Tecidos, Células e Órgãos (GSTCO), juntamente a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e a Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH).

Essa foi a melhor saída encontrada para trazer segurança e proteção aos doadores e pacientes dos procedimentos de reprodução assistida. Além disso, a ação está levando em consideração o atual cenário da pandemia de Covid-19, onde uma das medidas fundamentais é interromper a propagação acelerada do vírus.

Exceções à parte

De qualquer forma, a orientação da ANVISA liberou o funcionamento de alguns casos individuais e específicos. Por exemplo, nos casos oncológicos, o médico e o paciente devem fazer uma análise do risco-benefício para a realização do procedimento.  

Segundo Dr. Ricardo, nos casos dos pacientes que descobriram o câncer recentemente e precisam passar pelo tratamento de quimioterapia, é sabido que logo nas primeiras sessões de tratamento oncológico, os pacientes passam pela queda da fertilidade, já que os óvulos e espermatozoides se perdem. Por isso, é importante conservar esses gametas.

Hoje em dia, é totalmente possível congelar os gametas para que, após a remissão da doença, o indivíduo possa então optar por ter filhos. Isso é feito, graças aos procedimentos de reprodução assistida.

Além dos pacientes oncológicos, também devemos nos colocar no lugar dos casais que tem pressa para engravidar, pois estão na corrida contra o tempo da fertilidade e, por isso, dependendo da situação, também representam uma exceção à norma da ANVISA. 

Dessa forma, os homens com baixa produção de espermatozoides e as mulheres com a redução de óvulos. “São grupos de uma fragilidade emocional e física, que se incluem nos casos de exceção”, explica o especialista.

Medidas para o banco de doação

Ainda segundo a norma da ANVISA, no que diz respeito à doação de células reprodutivas e embriões humanos, algumas orientações devem ser seguidas. Por isso, é fundamental que o candidato à doação esteja atento ao seguinte:

  • viagens internacionais recentes tornam o candidato à doação inapto por até 30 dias do retorno;
  • caso tenha tido contato com pessoas que obtiveram a confirmação do diagnóstico pelo novo coronavírus, o candidato à doação também estará suspenso em até 30 dias após o último contato;
  • se houver infecção do candidato à doação pelo vírus Sars, Mers e/ou 2019-nCov, este também se encontrará inativo por até 90 dias, após a completa recuperação da doença, sem apresentação de nenhum sintoma ou sequela.

Além disso, a nota implica que os pedidos de importação de células reprodutivas ou gametas para amostras colhidas após o dia 30 de janeiro de 2020 não serão aceitos pelas clínicas de reprodução assistida.

O ideal é esperar

“Dessa forma, o ideal é que quem puder adiar, espere pela gestação, mas quem não tiver essa opção, que realize o congelamento dos gametas ou mesmo embriões sob os devidos cuidados”, orienta o Dr. Ricardo.

De qualquer forma, procedimentos como indução da ovulação e inseminação intrauterina devem ser evitados ao máximo no período da pandemia pelo coronavírus. No entanto, basta sermos pacientes e cautelosos nesse momento, pois assim que a situação for regularizada e autorizada, os tratamentos voltarão a funcionar normalmente. 

Assim, os casais com dificuldade para engravidar podem procurar uma clínica de reprodução assistida de confiança e realizar o sonho de ter filhos por meio de ajuda médica.

Acompanhe a entrevista completa com o Dr. Ricardo Nascimento e saiba mais sobre a relação fertilidade e coronavírus. Na entrevista, o especialista aborda também recomendações para as gestantes e cuidados com os recém-nascidos.

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Publicado por: Dra. Ana Lúcia Bertini Zarth - Ginecologista - CRM-SC 8534 e RQE 10334
Formada na Faculdade de Medicina da PUC – RS em 1993, Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia, Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) em 1997.

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Nosso material tem caráter meramente informativo e não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico, autotratamento ou automedicação. Em caso de dúvidas , consulte o seu médico.

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