Publicado em 15/12/2021

Alimentação e endometriose: qual é a relação?

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endometriose é uma condição muito comum, que atinge 10 a 15% das mulheres no período reprodutivo. Entre os fatores ambientais relacionados à sua gênese, destaca-se a alimentação. Isso significa que a endometriose, assim como a hipertensão, a doença celíaca, a resistência insulínica, entre outras patologias, também é influenciada pela dieta.

Neste artigo, mostramos como uma alimentação anti-inflamatória pode ajudar no controle dos sintomas e na regressão da doença — inclusive, aumentando as chances de engravidar. Confira!

O que é endometriose?

A endometriose é definida como uma afecção ginecológica. Trata-se de uma doença crônica e inflamatória, que ocorre quando celulas do tecido endometrial (presente no revestimento interno do útero) surgem fora da cavidade uterina. Tais células podem aparecer em partes da pelve, do abdômen ou até nas membranas que revestem os pulmões e o coração.

O problema nem sempre é sintomático, mas, muitas vezes, o tecido ectópico inflama os tecidos próximos a ele. Isso provoca, entre outros sintomas, cólicas menstruais intensas, dor nas relações sexuais e infertilidade.

Como é o tratamento da endometriose?

O tratamento da endometriose deve ser individualizado. A escolha da terapêutica depende dos sintomas apresentados, da fase da doença, da idade da paciente e, principalmente, dos planos para engravidar. Assim, ele pode ser:

  • medicamentoso (terapia de supressão ovariana),para aliviar a dor e retardar o crescimento do tecido endometrial ectópico;
  • e/ou cirúrgico (videolaparoscopia),para remover o tecido ectópico e, se necessário, o útero e as trompas de falópio.

Qual é a relação entre nutrição e endometriose?

A alimentação não trata a endometriose, mas pode aliviar seus sintomas e otimizar o tratamento, do qual é uma importante coadjuvante. Nesse sentido, recomenda-se adotar uma dieta balanceada, rica em substâncias anti-inflamatórias, antioxidantes e antiproliferativas, as quais estão presentes em:

  • ácidos graxos poli-insaturados (como o ômega 3);
  • vitamina D;
  • vitaminas A, C e E;
  • vitaminas do complexo B (como a colina);
  • minerais (como magnésio, selênio e zinco);
  • polifenois (como o resveratrol);
  • N-acetilcisteína, uma forma do aminoácido cisteína.

Além disso, a ingestão de fibras é essencial. Isso porque, elas aumentam a liberação de estrogênio, hormônio que ajuda a reduzir o risco de endometriose.

Por outro lado, os fatores nutricionais também podem ter relação com a intensidade da endometriose, agravando seus sintomas. Para prevenir complicações, deve-se evitar a ingesta de:

  • gorduras saturadas e trans, as quais diminuem a liberação de estrogênio;
  • ômega 6, que, em excesso, aumenta a inflamação crônica.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a proporção de consumo de 5:1 a 10:1, na razão ômega-3:ômega-6, para adeptos de dietas saudáveis. Já para quem ingere muitos alimentos industrializados, a recomendação é de 30:1 a 50:1, na razão ômega-3:ômega-6.

Como deve ser a alimentação de quem tem endometriose?

Existem diversos alimentos comprovadamente benéficos para quem tem endometriose. São eles:

  • frutas, principalmente, vermelhas (como morango, amora e tomate),alaranjadas (como laranja, manga e acerola) e roxas (uva e jabuticaba);
  • hortaliças e legumes;
  • grãos inteiros;
  • cereais integrais;
  • peixes de água gelada (como o salmão, sardinha, atum e anchova);
  • carnes brancas (frango e porco);
  • laticínios com baixos teores de gorduras;
  • óleos vegetais (como azeite de oliva, óleo de linhaça e óleo de algodão);
  • cúrcuma ou açafrão, um tipo de tempero muito usado na culinária asiática;
  • alho e cebola, temperos típicos da culinária brasileira;
  • óleo de linhaça, de fígado de bacalhau ou de prímula, para a suplementação de mulheres que não ingerem peixes e cereais integrais em quantidade suficiente.

Quais alimentos devem ser evitados por quem tem endometriose?

A alimentação de quem tem endometriose precisa ser, essencialmente, saudável. Portanto, recomenda-se evitar:

  • pães, massas e outros carboidratos feitos com farinha branca, não integral;
  • bolos, tortas, bolachas, doces e guloseimas à base de açúcar e farinha branca;
  • carnes vermelhas;
  • bebidas alcoólicas e energéticas;
  • cafés, chás, refrigerantes e outras bebidas com cafeína;
  • fast foods e alimentos ultraprocessados em geral.

Um estilo de vida saudável ajuda mulheres com endometriose a engravidar?

Sim. Adotar uma dieta anti-inflamatória ajuda a controlar os sintomas da endometriose, bem como a alcançar os objetivos do tratamento. Uma vez que a doença não evolui, as chances de provocar infertilidade também diminuem consideravelmente.

Além disso, praticar exercícios físicos é outra medida benéfica para o combate à doença. Portanto, inclua atividades físicas na sua rotina, pois a liberação de endorfina (entre outros neurotransmissores) ajuda a aliviar seus sintomas.

Grande parte das mulheres submetidas ao tratamento cirúrgico conseguem recuperar sua fertilidade algum tempo depois. Porém, a possibilidade de engravidar depende das condições da reserva ovariana e da amostra seminal disponível.

Caso exista dificuldade, o ginecologista responsável irá sugerir que a paciente busque ajuda de um especialista em fertilidade. Esse profissional, por sua vez, poderá indicar alguma técnica de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV).

Por que é importante consultar especialistas?

A endometriose é uma doença difícil de diagnosticar e que traz impactos gigantes sobre a saúde e a qualidade de vida das mulheres. Por isso, vá às consultas ginecológicas de rotina e, em caso de suspeita, converse com seu ginecologista para que ele realize uma investigação aprofundada.

Se a endometriose for confirmada, procure um nutricionista e solicite um plano alimentar balanceado, levando em consideração seu quadro clínico. Afinal, a reeducação alimentar pode ser uma importante aliada no tratamento da doença, da mesma forma que adotar um estilo de vida mais saudável ajuda a melhorar a fertilidade.

Para concluir, quanto antes a doença for diagnosticada e tratada, melhor. Dessa maneira, há o alívio dos sintomas, assim como a melhora da capacidade reprodutiva. Portanto, agora que você conhece a relação entre alimentação e endometriose, faça escolhas conscientes!

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Publicado por: Dr. Jean Louis Maillard - Ginecologista - Diretor técnico médico - CRM-SC 9987 , CRM-RS 13107 e RQE 5605
Ginecologista formado na Faculdade de Medicina da PUCRS em 1983, com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia, Precertopship de Histeroscopia e Fellow nos Hospitais Tenon e Port Royal em Paris

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      Nosso material tem caráter meramente informativo e não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico, autotratamento ou automedicação. Em caso de dúvidas , consulte o seu médico.

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