Publicado em 05/03/2021 - Atualizado 15/03/2021

Quem tem endometriose pode engravidar?

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Os dados sobre a endometriose impressionam. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS),existem, aproximadamente, 180 milhões de mulheres com a doença. Trata-se de um tipo de processo inflamatório que acomete o útero, os ovários, as trompas, entre outros órgãos da cavidade abdominal e que, sem os devidos cuidados, leva à infertilidade. Por outro lado, com o tratamento adequado, quem tem endometriose pode engravidar.

Aproveitando o Dia Nacional da Luta contra a Endometriose, comemorado em 13 de março, que tal falarmos sobre como a doença afeta a fertilidade feminina? Aproveite a leitura e esclareça suas dúvidas!

Como a endometriose afeta a fertilidade?

Querer engravidar e não conseguir é muito sofrível. Muitas vezes, é a endometriose que está impedindo a fecundação. Mas as mulheres não têm ideia de que esse é o motivo pelo qual não conseguem ter um bebê.

Isso ocorre porque, em muitos casos, a doença é assintomática. Dessa forma, na maior parte do tempo as mulheres se sentem bem.

Além disso, mesmo quando ocorrem sintomas, como cólicas intensas no período menstrual, os quadros costumam ser encarados como normais. Assim, mesmo sofrendo, muitas mulheres não buscam ajuda médica para investigar a causa da dor. Esse comportamento “conformista” é o principal responsável para o atraso no diagnóstico da doença.

Segundo o Dr. Jean Louis Maillard, ginecologista especialista em reprodução humana e diretor técnico da clínica Fecondare, a endometriose é responsável pela maior parte dos casos de infertilidade feminina (mas não é a única causa). Estima-se que cerca de 30% dos diagnósticos de infertilidade sejam decorrentes da doença.

O que é a endometriose?

endometriose é um processo inflamatório que tem início quando as células do endométrio começam a migrar para outros locais, como os ovários e as trompas, alem de serem expelidas pela menstruação. É isso que provoca a inflamação. Os “focos de endometriose”, como são chamados, podem estar presentes no peritônio (tecido que recobre o interior da cavidade abdominal),no intestino, na bexiga e na vagina.

No Brasil, estima-se que haja em torno de 7 milhões de casos (1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva) da doença. Isso representa 15% das mulheres em idade fértil, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

A endometriose afeta, principalmente, mulheres em idade reprodutiva e pode causar infertilidade devido à produção de substâncias inflamatórias alem de alterações anatomicas na pelve nos casos mais avançados. Essas alterções influenciam nos processos de ovulação, fertilização e implantação do embrião.

Como já foi mencionado, a maioria das mulheres somente descobre que tem endometriose quando não consegue engravidar. Muitas delas, recebem esse diagnóstico entre sete e 12 anos depois de sentir os primeiros sintomas.

Entre as mulheres com endometriose que conseguem engravidar, o prognóstico não é tão bom quanto nas mulheres que não possuem a doença. Em geral, ela compromete a qualidade do embrião e o ambiente do útero, podendo causar maior incidência de abortamentos.

Como diagnosticar a endometriose precocemente?

Para chegar ao diagnóstico precoce da endometriose, o mais importante é que o ginecologista saiba ouvir as queixas das pacientes. Os principais relatos são de dor no período menstrual, sendo um sintoma que aumenta gradativamente com o decorrer do tempo. Não por acaso, mulheres com esse distúrbio têm, a cada ano, de aumentar as doses dos analgésicos que tomam para aliviar as dores de quando estão menstruadas.

No entanto, inúmeros estudos mostram que a compreensão do médico sobre a intensidade da dor e os sintomas relacionados à doença, muitas vezes, difere do que as pacientes relatam. Esse tipo de erro leva a atrasos nos diagnósticos.

Portanto, uma conversa franca entre paciente e médico é essencial para que ele compreenda os sintomas e tenha mais certeza sobre o diagnóstico. Quanto antes a mulher for diagnosticada, mais cedo poderá receber um tratamento que devolva sua qualidade de vida.

Uma avaliação médica adequada permite intervir para que a doença não evolua e, consequentemente, não comprometa a capacidade de engravidar. Por outro lado, sem o tratamento adequado, o convívio diário com a dor pode levar as pacientes à sensação de incapacidade. Isso, somado a outros sintomas da doença, torna o dia a dia da mulher com endometriose muito mais difícil e exaustivo.

O que causa a endometriose?

Diversos fatores colaboram com a suscetibilidade para a ocorrência da doença. Eles podem ter origem genética, ambiental e hormonal.

Algumas evidências sugerem que a endometriose é caracterizada pela resistência à ação da progesterona (hormônio responsável pela preparação do endométrio para a implantação do embrião no útero),cuja ação, antagônica ao estrogênio (hormônio que age no controle da ovulação),leva à atrofia do endométrio. Sem contar que a falta de vitamina D no organismo e o maior consumo de dioxina (substância liberada por embalagens plásticas quando aquecidas) também estão associadas à condição.

Como saber se você tem endometriose?

O quadro clínico da paciente com endometriose é bastante variável. Há mulheres que chegam ao consultório sem queixas, com exceção do fato de não conseguirem engravidar. Algumas, no entanto, sentem ou apresentam:

  • cólica menstrual;
  • dor profunda na vagina ou na pelve durante a relação sexual;
  • dor pélvica contínua não relacionada à menstruação;
  • obstipação (prisão de ventre ou constipação) intestinal;
  • diarreia no período menstrual;
  • dor para evacuar;
  • sangramento nas fezes;
  • dor para urinar;
  • sangramento na urina.

Alguns desses sintomas são iguais aos manifestados por outras doenças. Por isso, o médico diagnostica a endometriose com base na história clínica, no exame físico (principalmente, no toque vaginal) e ao constatar a presença de lesões suspeitas nos exames de imagem.

A endometriose é um fator de risco para desenvolver câncer no ovário. Por isso, uma vez descoberta, o acompanhamento médico regular é necessário para evitar que a doença evolua. Isso vale mesmo que a paciente tenha sido tratada e até já tenha engravidado.

Os principais exames complementares utilizados para o diagnóstico da endometriose são a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética. Outros exames, como a ultrassonografia transretal, a colonoscopia, a cistoscopia e urografia excretora, podem ser solicitados em algumas situações.

Por que a endometriose causa infertilidade feminina?

De acordo com a Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE),entre 50% e 70% das mulheres com a doença são inférteis. A condição de infertilidade pode ser desencadeada por vários motivos:

  • distorção anatômica, devido à obstrução das trompas e presença de aderências que impedem o transporte do óvulo até o encontro com os espermatozoides, no interior da tuba uterina;
  • mudanças no fluido peritoneal, por conta da produção de substâncias e células inflamatórias que interferem na interação óvulo-espermatozoide;
  • desordens ovulatórias, as quais são provocadas pelas substâncias inflamatórias e por modificações nos folículos ovarianos;
  • alterações foliculares e embrionárias;
  • anormalidades miometriais (na parede uterina);
  • desordens de implantação embrionária, por causa de alterações endometriais pela produção local de estrogênio e resistência à progesterona.

Quer entender melhor? Assista o vídeo que o Dr. Maillard, preparou:

Quais são as possíveis formas de tratar a endometriose?

Quando o diagnóstico revela que a mulher não consegue engravidar porque possui uma patologia como a endometriose, é necessário, primeiro, entender qual é o grau da doença. A classificação mais empregada para esse fim é a da Sociedade Americana para a Medicina Reprodutiva (ASRM).realizada durante o processo de visualização direta da pelve na videolaparoscopia.

Essa classificação gradua a endometriose em mínima, leve, moderada e severa. Para isso, avalia a extensão da doença no peritônio e nos ovários, bem como a presença de aderências tubo-ovarianas e o bloqueio do fundo de saco de Douglas.

A identificação do local onde a endometriose se desenvolve é determinante para a indicação do tratamento. A abordagem se baseia, também, no sintoma que a mulher apresenta, como dor pélvica ou infertilidade (frequentemente, elas podem manifestar-se em conjunto).

Atualmente, os tratamentos mais utilizados são a cirurgia, a terapia de supressão ovariana e a associação de ambas. Para algumas mulheres, a cirurgia é a única alternativa possível. A operação é feita, preferencialmente, por videolaparoscopia. No momento de considerar realizá-la ou não, é necessário ponderar sobre o desejo de engravidar e outros aspectos.

Quais são as possíveis indicações para o tratamento cirúrgico?

Os médicos indicam a cirurgia para remover ou destruir os focos de endometriose. Além disso, o procedimento serve para aliviar os sintomas, manter ou restaurar a anatomia normal das estruturas ovarianas, manter ou restaurar a fertilidade e evitar ou atrasar as recorrências nos casos em que:

  • não tenham sido realizadas outras cirurgias para endometriose;
  • reserva ovariana permaneça intacta;
  • haja dor pélvica;
  • a doença se manifeste unilateralmente;
  • exista suspeita de malignidade;
  • os focos de endometriose se desenvolvam rapidamente.

Mulheres com essas características e que realizam a cirurgia têm maiores chances de engravidar espontaneamente. No entanto, o tratamento cirúrgico não é recomendado para mulheres inférteis que:

  • já tenham realizado uma ou mais cirurgias para endometriose;
  • estiverem com a reserva ovariana comprometida;
  • não reclamem de dores pélvicas;
  • tenham manifestado a doença bilateralmente;
  • não apresentem suspeita de malignidade;
  • estejam com o desenvolvimento dos focos de endometriose estável.

Assim, os médicos nem sempre optam pela cirurgia. Nesses casos, consideram mais adequada a realização de uma fertilização in vitro para viabilizar a gravidez.

No entanto, é preciso ressaltar que as indicações da cirurgia para endometriose não são tão cartesianas. A avaliação de todos os fatores em conjunto é que faz com que o médico sugira uma ou outra possibilidade de tratamento. Sendo a cirurgia a opção mais viável, é imprescindível que seja feita por um médico especialista e preocupado em preservar a fertilidade.

Quem teve endometriose pode engravidar?

Sim. Após a operação, a mulher ainda passa por um período de tratamento antes de poder engravidar. Esse tempo pode variar de um mês até um ano, conforme o estado de saúde da paciente e outros fatores. entre eles, importantissimo, sua reserva ovariana.

Afinal, ainda que a endometriose tenha sido tratada, podem haver recorrência das lesões. Nesses casos, necessita-se da realização de terapias mais efetivas.

A boa notícia é que grande parte das mulheres recupera a fertilidade após a cirurgia. De acordo com cada caso, o médico pode recomendar a tentativa de engravidar naturalmente ou por meio de alguma técnica de reprodução humana assistida.

O método mais recomendado costuma ser a fertilização in vitro (FIV). Nos casos de endometriose leve, porém, também pode ser feita uma inseminação artificial. Existem grandes chances de o uso de uma dessas técnicas ser bem-sucedido.

Em uma consulta, o médico especializado em saúde reprodutiva pode explicar o funcionamento de cada uma delas. Muitas mulheres conseguem concretizar o desejo de ter um filho com o auxílio da reprodução assistida.

Para concluir, deixamos a afirmação do Dr. Ricardo Nascimento, ginecologista, especialista em reprodução humana da clínica Fecondare e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC):

“Para quem tem esse tipo de doença, quanto menos tempo passar, maiores as chances de melhorar a dor, a qualidade de vida e a fertilidade da paciente”. O tratamento realizado o mais precocemente possível é essencial para quem tem endometriose poder engravidar.

Esperamos ter ficado claro o assunto para você. Porém, caso ainda haja alguma dúvida sobre o assunto, fique à vontade para entrar em contato! Conte sempre com a ajuda dos nossos especialistas.

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Publicado por: Dr. Ricardo Nascimento - Ginecologista - CRM-SC 3198 e RQE 2109
Formado em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina, em 1981. Residência Médica na Maternidade Carmela Dutra- Secretaria Estadual de Saúde-SC, Especialização em Reprodução Humana na Universidade Federal do Paraná.

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      Nosso material tem caráter meramente informativo e não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico, autotratamento ou automedicação. Em caso de dúvidas , consulte o seu médico.

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