Endometriose é a doença que mais causa infertilidade feminina

Publicado em: 5 de julho de 2016

Endometriose é a doença que mais causa infertilidade feminina

É difícil para uma mulher querer engravidar e não conseguir. Muitas vezes, é a endometriose que impede a fecundação. A mulher pode nem saber que esse é o motivo pelo qual não consegue ter um bebê, porque, em muitos casos, a doença é assintomática e não é possível perceber que o organismo está sendo prejudicado porque, na maior parte do tempo, está se sentindo bem. No máximo, o que se sente são cólicas no período menstrual, consideradas normais. Por isso, a mulher não busca investigar a causa da dor, mesmo sofrendo muito por causa dela. Esse comportamento também é o que retarda o diagnóstico da endometriose.

O que é a endometriose

A maioria das mulheres somente descobre a doença quando não consegue engravidar (algumas delas, só entre sete e 12 anos depois de sentir os primeiros sintomas). A endometriose é responsável pela maior parte dos casos de infertilidade feminina (estima-se que cerca de 30% dos casos, segundo o Dr. Jean Louis Maillard, especialista em reprodução humana da clínica Fecondare), mas não é a única causa da dificuldade para ter um bebê.

A doença surge quando as células do endométrio passam a migrar para outros locais, como os ovários, as trompas e a cavidade abdominal, ao invés de serem expelidas pela menstruação, provocando uma reação inflamatória. Os focos de endometriose, como são chamados, também podem estar presentes no peritônio (tecido que recobre todo o interior da cavidade abdominal), no intestino, na vagina e na bexiga.

Cerca de sete milhões de brasileiras sofrem com a doença. Isso representa 15% das mulheres em idade fértil, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). A endometriose afeta, principalmente, mulheres em idade reprodutiva e pode causar infertilidade devido à produção de substâncias inflamatórias que influenciam nos processos de ovulação, fertilização e implantação do embrião.

Algumas mulheres com endometriose até conseguem engravidar, mas, em geral, a doença compromete a qualidade do embrião e o ambiente do útero, podendo causar maior incidência de abortamentos .

Como a endometriose é diagnosticada

O mais importante para detectar a endometriose precocemente é que o ginecologista saiba ouvir as queixas da paciente. Os principais relatos são de dor no período menstrual, sintoma que aumenta gradativamente com o decorrer do tempo. Progressivamente, mulheres com endometriose têm, a cada ano, de aumentar a dose do analgésico que tomam para aliviar a dor quando estão menstruadas.

Em meio a pesquisas, observou-se que a compreensão do médico sobre a intensidade da dor e os sintomas relacionados à doença, muitas vezes, era diferente do que a mulher relatava, levando ao atraso no diagnóstico.

Uma conversa franca entre paciente e médico é essencial para que ele compreenda os sintomas e tenha mais certeza sobre seu diagnóstico. Quanto mais cedo a mulher for diagnosticada, mais cedo poderá ser oferecido um tratamento que devolva sua qualidade de vida.

O convívio diário com a dor pode levar as pacientes a uma sensação de incapacidade de fazer qualquer coisa, o que, somado a outros sintomas da doença, pode tornar o dia a dia muito mais difícil e exaustivo.

Uma avaliação e percepção médica adequadas já permitem intervir para que a doença não evolua e não comprometa a capacidade de engravidar.

Existem alguns fatores que colaboram com a suscetibilidade para a ocorrência da doença. São eles genéticos, ambientais e hormonais. Além disso, algumas evidências sugerem, ainda, que a endometriose é caracterizada pela resistência à ação da progesterona (hormônio responsável pela preparação do endométrio para a implantação do embrião no útero), cuja ação, antagônica ao estrogênio (hormônio que age no controle da ovulação), leva à atrofia do endométrio. Sem contar que a falta de vitamina D no organismo e o maior consumo de dioxina (substâncialiberada por embalagens plásticas) também estão associadas à condição.

Como saber se você tem endometriose

O quadro clínico da paciente com endometriose é bastante variável. Há mulheres que chegam ao consultório sem queixas, com exceção do fato de não conseguir engravidar. Algumas, no entanto, sentem ou apresentam:

  • cólica menstrual;
  • dor profunda na vagina ou na pelve durante a relação sexual;
  • dor pélvica contínua não relacionada à menstruação;
  • obstipação (prisão de ventre ou constipação) intestinal ou diarreia no período menstrual;
  • dor para evacuar;
  • sangramento nas fezes;
  • dor para urinar;
  • sangramento na urina.

Alguns desses sintomas são iguais aos manifestados por outras doenças, por isso, o médico diagnostica a endometriose com base na história clínica, no exame físico (principalmente, no toque vaginal) e ao constatar a presença de lesões suspeitas nos exames de imagem.

A endometriose é um fator de risco para desenvolver câncer no ovário. Por isso, uma vez descoberta, o acompanhamento médico regular é necessário para evitar que a doença evolua, mesmo que já tenha sido tratada e a mulher já tenha engravidado.

Os principais exames complementares utilizados para o diagnóstico são a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética. Outros exames, como a ultrassonografia transretal, a colonoscopia, a cistoscopia e urografia excretora, podem ser solicitados em algumas situações.

Por que a endometriose causa infertilidade feminina

De acordo com a Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE), entre 50% e 70% das mulheres com a doença são inférteis. A condição de infertilidade pode ser desencadeada por vários motivos:

  • distorção anatômica – obstrução das trompas e presença de aderências que impedem o transporte do óvulo até o encontro com os espermatozoides, no interior da tuba uterina.
  • Mudanças no fluido peritoneal – produção de substâncias e células inflamatórias que interferem na interação óvulo-espermatozoide.
  • Desordens ovulatórias – provocadas pelas substâncias inflamatórias e por modificações nos folículos ovarianos.
  • Alterações foliculares e embrionárias.
  • Anormalidades miometriais.
  • Desordens de implantação embrionária – alterações endometriais pela produção local de estrogênio e resistência à progesterona.

Possíveis formas de tratar a endometriose

Quando o diagnóstico revela que a mulher não consegue engravidar porque possui uma patologia como a endometriose, é necessário, primeiro, entender qual é o grau da doença.

A classificação mais utilizada atualmente para esse fim é a da Sociedade Americana para a Medicina Reprodutiva (ASRM). Essa classificação gradua a endometriose em mínima, leve, moderada e severa, avaliando a extensão da doença no peritônio e nos ovários, bem como a presença de aderências tubo-ovarianas e o bloqueio do fundo de saco de Douglas.

A identificação do local onde a endometriose se desenvolve é determinante para a indicação do tratamento, que se baseia, também, no sintoma que a mulher apresenta: dor pélvica ou infertilidade (frequentemente, elas podem manifestar-se em conjunto). Atualmente, os tratamentos mais utilizados são a cirurgia, a terapia de supressão ovariana e a associação de ambas.

Para algumas mulheres, a cirurgia é a única alternativa possível. A operação é feita, preferencialmente, por videolaparoscopia. No momento de considerar realizá-la ou não, é necessário ponderar sobre o desejo de engravidar e outros aspectos.

Os médicos indicam a cirurgia para remover ou destruir os focos de endometriose, aliviar os sintomas, manter ou restaurar a anatomia normal das estruturas ovarianas, manter ou restaurar a fertilidade e evitar ou atrasar as recorrências nos casos em que:

  • não tenham sido realizadas outras cirurgias para endometriose;
  • a reserva ovariana permaneça intacta;
  • haja dor pélvica;
  • a doença se manifeste unilateralmente;
  • haja suspeita de malignidade;
  • os focos de endometriose se desenvolvam rapidamente.

Mulheres com essas características e que realizam a operação têm maiores chances de engravidar espontaneamente.

Já em mulheres inférteis que:

  • já tenham realizado uma ou mais cirurgias para endometriose,
  • estiverem com a reserva ovariana comprometida,
  • não reclamem de dores pélvicas,
  • tenham manifestado a doença bilateralmente,
  • não apresentem suspeita de malignidade,
  • tenham o desenvolvimento dos focos de endometriose estável,

os médicos nem sempre optam pela cirurgia, pois consideram mais adequada a realização de uma fertilização in vitro para viabilizar a gravidez.

No entanto, as indicações da cirurgia para endometriose não são tão cartesianas. A avaliação de todos os fatores em conjunto é que faz com que o médico sugira uma ou outra possibilidade de tratamento. Sendo a cirurgia a opção mais viável, é importante que seja feita por um médico especialista e preocupado em preservar a fertilidade.

Após a operação, a mulher ainda passa por um período de tratamento antes de poder engravidar. Esse tempo pode variar de um mês até um ano, conforme o estado de saúde da paciente e outros fatores. Ainda que a endometriose tenha sido tratada, pode haver recorrência das lesões, sendo necessária, portanto, a realização de terapias mais efetivas.

Grande parte das mulheres recupera a fertilidade após a cirurgia e, de acordo com cada caso, o médico pode recomendar a tentativa de engravidar naturalmente ou as técnicas de reprodução humana assistida (RHA) para conceber o bebê.

O método de RHA mais recomendado costuma ser a fertilização in vitro (FIV), mas, nos casos de endometriose leve, também pode ser feita uma inseminação artificial. Há grandes chances de o uso de uma dessas técnicas ser bem-sucedido. Em uma consulta, o médico especializado em saúde reprodutiva pode explicar o funcionamento de cada uma delas. Muitas mulheres conseguem concretizar o desejo de ter um filho com o auxílio da RHA.

Conteúdo atualizado em: 4 de agosto de 2017

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