Congelamento de óvulos: o que é, como funciona e quanto custa

Publicado em: 5 de dezembro de 2012

Congelamento de óvulos: o que é, como funciona e quanto custa

O congelamento de óvulos é uma das técnicas existentes em reprodução humana assistida recomendada pelos especialistas para mulheres ou casais que desejam ou precisam postergar a gravidez por algum tempo.

O método é muito procurado por mulheres que preferem conquistar, primeiro, a estabilidade econômica ou priorizar a carreira para, depois, tornarem-se mães. Ou por aquelas que ainda não encontraram o(a) parceiro(a) com quem desejam ter um filho ou mais, ou que possuem problemas graves de saúde, como câncer, que precisam ser tratados antes da gestação.

O congelamento de óvulos é uma forma de preservar a fertilidade feminina. Mesmo as mulheres que não têm a intenção de engravidar podem optar pela técnica para não extinguir por completo a possibilidade de ter um filho, no caso de algum dia mudarem de ideia.

A capacidade de engravidar é fortemente influenciada pela idade, por isso, muitas das mulheres que adiam a gestação podem deparar-se com a infertilidade no momento em que decidem tornar-se mães. O procedimento de congelamento de óvulos também possibilita driblar essa situação.

Atualmente, muitas mulheres saudáveis que sabem que podem sofrer com a diminuição da fertilidade com o passar dos anos, estão congelando os óvulos. Criopreservar as células reprodutoras pode garantir que estejam saudáveis em outro momento da vida.

O que é o congelamento de óvulos

O congelamento de óvulos trata-se de um processo de coleta e resfriamento que conserva as células reprodutivas femininas para que possam ser usadas no futuro, em uma possível gestação. Com isso, mulheres com mais de 35 anos, que podem ter maior dificuldade para engravidar, podem fazer uso da célula jovem congelada quando decidirem ter um filho.

O congelamento de óvulos também proporciona às mulheres que precisarão se submeter a tratamentos agressivos (como quimioterapia, radioterapia e ressecção​ ​ovariana), que podem torná-las estéreis, a oportunidade de vivenciar a maternidade quando desejarem.

Entenda mais sobre o congelamento de óvulos

Toda mulher que está considerando congelar os óvulos deve, primeiro, consultar-se com um médico especializado em reprodução humana assistida para conversar a respeito dessa possibilidade. É possível que ele solicite um teste para verificar a reserva ovariana, essencial para que o congelamento de óvulos possa ser realizado, afinal, é impossível promover a estimulação ovariana se os óvulos não existirem.

Um número baixo de óvulos não significa que a mulher não possa engravidar. Quer dizer, apenas, que ela poderá enfrentar uma certa dificuldade quando quiser se tornar mãe e reforça a necessidade de congelar os óvulos para tentar garantir a fertilidade no futuro.

Como é feito o procedimento

O procedimento para congelamento de óvulos inicia 10 dias antes dos óvulos serem coletados.

A mulher com a saúde em dia inicia o processo com uma estimulação hormonal, com o objetivo de produzir mais óvulos no mesmo ciclo menstrual. Isso é feito com o uso de medicamentos e hormônios específicos, sob orientação do médico especialista em reprodução humana. Para determinar a data da coleta dos óvulos, é feito o controle seriado com ultrassom. Quando os folículos atingem o tamanho adequado, uma nova medicação é administrada para que ocorra a maturação dos óvulos. De 34 a 36 horas após a administração do medicamento, a coleta é agendada.

O procedimento deve ser feito em uma clínica especializada em reprodução humana. A mulher é sedada e anestesiada para ser submetida à punção dos ovários guiada por ultrassom transvaginal. Cada óvulo é capturado individualmente e encaminhado ao laboratório para avaliar o grau de maturidade e se é viável para ser congelado. Depois do procedimento, os óvulos são avaliados e, quando estão em perfeito estado, é feito o congelamento.

Riscos​ ​envolvidos​ ​no​ ​congelamento​ ​de​ ​óvulos

Uma pequena parcela das mulheres submetidas à estimulação dos ovários para produção de gametas viáveis para o congelamento pode desenvolver a síndrome da hiperestimulação ovariana. A condição ocorre quando as substâncias vasoativas  aumentam muito durante a fase de estímulo dos ovários, ​provocando​ ​​acúmulo​ ​e​ ​excesso​ ​de​ ​líquido em cavidades corporais.

A mulher com a síndrome sente desconforto abdominal, dificuldade para respirar e percebe o aumento da circunferência na região do abdômen. Há tratamento para o problema, mas a intervenção depende de a mulher relatar os sintomas ao médico que a está orientando no congelamento dos óvulos. O acompanhamento do profissional deve ser constante para que os imprevistos não se​ ​tornem​ ​um​ ​risco​ ​para​ ​a​ ​saúde.

Técnicas usadas para o congelamento de gametas femininos

Atualmente, no Brasil, existem duas formas de congelar os óvulos: congelamento rápido e vitrificação. Na segunda, o congelamento acontece instantaneamente após o médico colher os óvulos. Para preservá-los durante o processo, eles são envolvidos em uma solução gelatinosa com alta concentração de crioprotetor – uma substância usada para proteger o tecido biológico de danos que podem ser causados pela criopreservação. Em poucos minutos, eles chegam a até -196°C nos tanques de nitrogênio líquido, onde são acondicionados em palhetas individuais, identificadas com os dados do casal.

A vitrificação evita a formação de cristais, cujas chances são maiores de acontecer no congelamento lento. Os cristais podem se romper e danificar o óvulo durante o descongelamento, reduzindo a possibilidade de usá-los, além de ocasionarem alterações cromossômicas.

Na vitrificação isso não acontece: a solução de crioprotetor impede a formação dos cristais e conserva a estrutura celular intacta. Além disso, oferece baixo risco de rompimento dos óvulos, evitando que a mulher tenha de se submeter novamente a todo o preparo do congelamento.

Ao ser desvitrificado, o óvulo apresenta a mesma capacidade de fertilização de um gameta feminino fresco.

Número de óvulos coletados para serem congelados

As clínicas de fertilização costumam colher de 10 a 15  óvulos – um número suficiente e que serve como reserva para eventuais fertilizações mal-sucedidas.

No caso de mulheres ou casais diagnosticados com alguma doença que atrapalhe a fecundação, ou que tenham histórico de dificuldades para gerar filhos, é possível congelar uma quantidade ainda maior de óvulos.

Por quanto tempo os óvulos podem permanecer no nitrogênio

Os gametas são mantidos em nitrogênio líquido por tempo indeterminado. O congelamento mantém todas as características essenciais do óvulo, portanto, independentemente do tempo que permanecer congelado, ele não envelhece nem sofre qualquer alteração que possa impedir a mulher de utilizá-lo em uma futura fertilização.

Quantidade de óvulos usados na fertilização

Cada um dos óvulos descongelados para a fecundação recebe um espermatozoide, por meio de uma técnica de reprodução humana denominada injeção intra-citoplasmática de espermatozoides (ICSI).

O número de embriões que serão transferidos depende da idade da mulher na época da coleta. Quanto mais jovem, menor é a quantidade de embriões colocados no útero, pois a chance de a gravidez se confirmar é maior em mulheres abaixo dos 35 anos.

Os embriões excedentes voltam a ser criopreservados. Após três anos congelados,  poderão ser descartados ou doados, dependendo da vontade das pacientes.

É seguro descongelar e usar o óvulo na fecundação

A mulher pode utilizar os óvulos congelados somente no momento em que considerar mais oportuno, sem se preocupar com a necessidade de ter de respeitar prazos.

Especialistas afirmam que não há diferença entre um óvulo congelado e um natural. A maioria dos óvulos sobrevive tendo uma alta taxa de aproveitamento após o descongelamento. Os gametas são descongelados somente quando a mulher decide que é hora de engravidar.

O que os médicos especialistas em reprodução assistida aconselham, porém, é que a mulher não espere ter mais de 50 anos para engravidar, pois nessa faixa etária é maior o risco de ocorrer complicações durante a gravidez.

A fertilização é feita com o uso de espermatozoides coletados do parceiro ou doados, de acordo com a decisão da mulher ou do casal. Enquanto isso, o útero é preparado com o uso de medicações específicas, para poder receber o embrião. Depois de fertilizados, eles são implantados no útero e, em aproximadamente 12 dias, é possível realizar o exame de sangue para ver se a gestação progrediu.

Taxa de gravidez com óvulos congelados

A probabilidade de a mulher engravidar com óvulos congelados está diretamente relacionada à idade que possuía quando realizou o procedimento. Quanto mais jovem uma mulher realizar o congelamento, maiores serão as chances dela engravidar. A idade mínima permitida à mulher para congelar os óvulos é 21 anos.

Ainda assim, o congelamento dos óvulos não é uma garantia de que a gravidez irá ocorrer. Apenas permite à mulher, quando quiser tentar gestar, a possibilidade de fazê-lo utilizando o óvulo jovem, que estava guardado. Com isso, as chances de conseguir gerar uma criança são maiores.

Saiba se há uma idade limite para congelar os óvulos

Quanto antes a decisão de congelar os óvulos for tomada, mais novos serão os óvulos e maiores serão as chances de sucesso de uma futura gravidez. O indicado é que o procedimento seja feito antes dos 35 anos, mas nada impede de ser realizado depois se, na avaliação, o médico concluir que isso é possível e viável.

A partir dos 35 anos, a reserva ovariana da mulher diminui gradativamente e os óvulos perdem qualidade. Aos 40 anos, a mulher detém apenas 8% da função reprodutiva. Por este motivo, o ideal é congelar os óvulos até os 35 anos, quando a reserva ovariana é maior e os óvulos não perderam qualidade, possibilitando taxas de sucesso melhores na gestação  e com menos risco de ocorrer alguma doença genética.

Indicações para o congelamento dos óvulos

Em geral, recomenda-se o congelamento dos óvulos nos seguintes casos:

  • mulheres com mais de 35 anos e menos de 40, que não sabem exatamente quando poderão ou irão desejar ter filhos;
  • mulheres com problemas nos ovários ou no útero;
  • mulheres com histórico de menopausa precoce na família;
  • mulheres que passarão por tratamentos oncológicos;
  • casais que não se sentem confortáveis com o congelamento de embriões;
  • motivação própria.

O que fazer com os óvulos congelados e não utilizados

Caso a mulher desista de usar os óvulos congelados para ter um bebê, há duas possibilidades. A primeira é simplesmente descartá-los, da mesma forma que o corpo faria, caso o óvulo estivesse no organismo e não fosse fecundado. A outra é doar os óvulos para mulheres que querem ter filhos, mas não conseguem engravidar usando seus próprios gametas.

Custo do procedimento é variável

O custo para realizar o congelamento dos óvulos varia de acordo com o valor da consulta ou honorários do especialista em reprodução humana que auxiliará no processo, dos medicamentos utilizados para a estimulação ovariana, da anuidade cobrada pelo laboratório escolhido para manter as células criopreservadas e do período em que elas permanecerão congeladas.

O congelamento de óvulos desperta muita curiosidade e muitas dúvidas, principalmente em quem pensa em utilizar a técnica. O total esclarecimento em relação ao congelamento de óvulos é muito importante, bem como a informação sobre alternativas, riscos e chances de sucesso. Uma boa fonte de orientação é o nosso e-book “Criopreservação de óvulos: o congelamento pode garantir um futuro reprodutor saudável”. Também há um vídeo em que o tema é abordado e que pode responder a outros questionamentos.

O documento oficial sobre o assunto é a Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) nº nº2.168/2017, que define as regras éticas e morais para a reprodução humana assistida, pois não há outra lei no país que regulamente a questão.

Mas, caso ainda exista alguma pergunta que tenha ficado sem resposta, entre em contato para que seja respondida. Obter informações seguras é fundamental para se sentir confiante quanto ao que realmente acontece no congelamento de óvulos. Médicos experientes e habilitados podem conceder a orientação correta e avaliar cada caso de maneira individual e adequada. Consultar-se com um especialista é a melhor alternativa. Faça isso o quanto antes.

Conteúdo atualizado em: 27 de Abril de 2018

 Agendar Consulta

Para agendar uma consulta preencha o formulário: