Tentando engravidar sem sucesso: insistir ou investigar?

Tentando engravidar sem sucesso: insistir ou investigar?

Existe um momento na jornada de quem deseja ser pai ou mãe em que a esperança começa a dividir espaço com a frustração. As tentativas se repetem, os meses passam — e a resposta positiva não vem. É nesse ponto que surge uma dúvida muito comum: devo continuar tentando ou já é hora de buscar ajuda médica?

A resposta não é simples, mas existe. E entendê-la pode fazer toda a diferença no desfecho dessa história.

Quanto tempo é considerado normal?

Antes de qualquer conclusão, é importante ter clareza sobre o que a medicina considera esperado. A infertilidade é definida pela OMS como a incapacidade de conceber após 12 meses de tentativas regulares e desprotegidas. Esse prazo, porém, não é fixo para todos os casos.

Para mulheres acima de 35 anos, o recomendado é buscar avaliação com 6 meses de tentativas infrutíferas. Isso porque a idade é um dos principais fatores que afetam a fertilidade feminina — e o tempo, nesse contexto, pesa de forma diferente.

Ou seja: tentar engravidar sem sucesso por 12 meses (ou 6 meses após os 35 anos) já é, por si só, um sinal para agir.

Por que tantos casais demoram a buscar ajuda?

Existem razões emocionais e culturais que levam os casais a adiar a consulta especializada. Muitos acreditam que “ainda é cedo”, que “o estresse está atrapalhando” ou que “na próxima tentativa vai dar certo”. Essa espera, embora compreensível, pode ter um custo alto.

Muitos casais chegam ao consultório frustrados após alguns meses de tentativa, sem saber que ainda há muitas alternativas pela frente e que, na grande maioria dos casos, a gravidez será alcançada com uma ajudinha menor ou maior da medicina ou das técnicas de reprodução assistida.

Procurar ajuda não significa desistir — significa agir com mais inteligência.

Sinais de alerta que não devem ser ignorados

Independentemente do tempo de tentativa, alguns sinais indicam que a investigação médica deve acontecer o quanto antes, sem esperar os 12 meses:

Na mulher:

No homem:

  • Dificuldade de ereção ou ejaculação
  • Histórico de varicocele, infecções ou cirurgias na região genital
  • Resultados alterados em exames anteriores

No casal:

  • Tentativas sem sucesso após os prazos recomendados
  • Histórico familiar de infertilidade ou menopausa precoce
  • Qualquer condição de saúde que possa afetar a fertilidade

A infertilidade é mais comum do que parece

Um dado importante para quem está tentando engravidar sem sucesso: você não está sozinho. A infertilidade afeta cerca de 17,5% da população adulta globalmente, apresentando-se como um desafio emocional, físico e financeiro para muitos casais. No Brasil, a infertilidade conjugal acomete cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva, o que representa aproximadamente 10 milhões de casais.

E, ao contrário do que muitos pensam, o problema não é exclusivo das mulheres. De todos os casais com infertilidade conjugal, 30% têm fator exclusivamente masculino e mais 20% apresentam fator misto — ou seja, em 50% dos casos a infertilidade masculina está envolvida, de forma exclusiva ou associada. 

Por isso, a investigação deve sempre incluir os dois parceiros desde o início.

O que acontece na consulta de investigação?

Muita gente evita buscar ajuda por medo do que pode descobrir. Mas a investigação é, na verdade, um ato de cuidado — e costuma trazer mais alívio do que angústia.

Na consulta especializada, o médico avalia o histórico do casal e solicita exames direcionados. Para a mulher, isso pode incluir ultrassom transvaginal, dosagens hormonais e avaliação da reserva ovariana. Para o homem, o principal exame é o espermograma — um exame simples, rápido e indolor, que analisa quantidade, motilidade e morfologia dos espermatozoides.

O espermograma é um exame básico que deveria ser feito em todos os homens antes mesmo de tentar a gravidez, para que, se houver um problema, ele seja tratado antes que se perca tempo em busca de uma gestação espontânea que pode não acontecer. Com o diagnóstico em mãos, o caminho fica muito mais claro — e as chances de sucesso, maiores.

Insistir ou investigar? A resposta certa depende do momento

Insistir faz sentido quando o casal está dentro dos prazos esperados, sem sinais de alerta, e mantém uma rotina saudável de tentativas. Nesse caso, paciência e informação são os maiores aliados.

Mas tentar engravidar sem sucesso além dos prazos recomendados, ou diante de qualquer sinal de alerta, é indicação clara de que a investigação não deve mais esperar. O casal não deve perder tempo: quanto antes diagnosticar e tratar a causa da infertilidade, melhor o prognóstico de gravidez.

A boa notícia é que, hoje, a medicina reprodutiva oferece recursos para a grande maioria dos casos — da indução de ovulação à fertilização in vitro. O diagnóstico precoce amplia as opções e aumenta as chances de sucesso.

Leia também: 6 erros comuns na tentativa de engravidar | Sintomas de infertilidade no homem e na mulher

Quando a espera vira sofrimento, é hora de agir

Tentar engravidar sem sucesso é uma experiência que afeta muito mais do que o corpo — afeta a autoestima, o relacionamento e a saúde emocional do casal. Cada mês que passa sem resposta pode pesar, e carregar esse peso sozinho torna tudo mais difícil.

Se você chegou até aqui, provavelmente já sente que algo precisa mudar. E esse sentimento merece ser levado a sério. Na Fecondare, você não recebe apenas um diagnóstico — recebe escuta, orientação e um plano pensado exclusivamente para a sua história. Nossa equipe especializada está pronta para entender onde você está nessa jornada e indicar o caminho mais adequado para seguir em frente.

Não adie mais. O melhor momento para buscar ajuda é agora — e o primeiro passo é mais simples do que parece.

Agende sua consulta e dê início à sua investigação com quem entende do assunto

Dr. Jean Louis Maillard

Especialidade: Ginecologista - Diretor técnico médico
CRM: CRM-SC 9987 , CRM-RS 13107 e RQE 5605

Ginecologista formado na Faculdade de Medicina da PUCRS em 1983, com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia, Precertopship de Histeroscopia e Fellow nos Hospitais Tenon e Port Royal em Paris