Vida após a morte: é possível ter filhos depois de morrer?

Publicado em: 7 de junho de 2013

Vida após a morte: é possível ter filhos depois de morrer?

A ideia de ter filhos após a morte não é atual. Há algumas décadas esse conceito foi colocado à prova com o intuito de permitir que esposas de profissionais de risco, como astronautas e soldados, pudessem gerar seus filhos na eventualidade de suas mortes, de modo que eles mantinham os seus espermas congelados por anos.

A reprodução assistida após a morte é um processo que torna possível obter filhos com a gravidez sendo posterior ao falecimento do pai ou mãe genéticos, através do uso da fertilização in vitro e da criopreservação (manutenção das células reprodutivas e embriões congelados por muitos anos). Os especialistas em reprodução podem executar essa ação caso não haja nenhuma contraindicação legal, ética ou médica, sendo aconselhável um período de um ano de espera entre a morte do cônjuge e a tentativa de reprodução. Quando outras pessoas, que não os parceiros, requerem a doação (que nesse caso é realizada em anonimato), a fertilização pode ser feita imediatamente.

Atualmente existem três situações em que a reprodução após a morte é realizada: em caso de morte súbita de parceiro que já havia deixado por escrito interesse e permissão para que a reprodução acontecesse e em caso de doença grave e terminal, ou morte recente, em que o casal ou o parceiro, tenham demonstrado interesse em preservar as células reprodutivas para uso posterior. A terceira opção se refere à situação em que um casal que deseja ter filhos busca a doação de embriões congelados.

E como isso é feito? Normalmente os gametas (as células reprodutivas) são guardados enquanto o homem e a mulher ainda estão vivos. A célula reprodutiva masculina (o espermatozoide), pode ser obtida por meio de masturbação ou eletroejaculação (estímulo elétrico para que ocorra a ejaculação), caso o homem esteja em boas condições de saúde e tenha a fertilidade preservada. Técnicas cirúrgicas de extração (aspiração, biópsia) se fazem necessárias no caso de paciente muito doente ou que faleceu há menos de 36 horas. O esperma será utilizado por meio de técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro com ou sem injeção intracitoplasmática de esperma (injeção do esperma diretamente dentro do óvulo, em laboratório, para tentar garantir o seu encontro e a geração do embrião).

Se o objetivo é preservarem-se os óvulos, eles podem ser retirados após procedimentos médicos, como aspiração por agulha. Existe ainda a opção de retirada completa dos ovários para transplante ou amadurecimento em laboratório para subsequente extração do óvulo, principalmente no caso de mulheres que faleceram recentemente.

O conceito da reprodução após a morte, embora não seja tão recente, ainda envolve muitas questões éticas e legais que nem sempre estão bem definidas. O consentimento por escrito é o documento de maior importância para garantir respeito e consideração ao doador

“Há que se pensar com muita tranquilidade sobre este assunto. Imagino que, para o indivíduo que ficou, a possibilidade de ter um filho de uma relação de amor que se desfez tragicamente, gere algum conforto. Mas não podemos esquecer do indivíduo que será gerado desta atitude. Será que esta é a melhor forma de virmos ao mundo? Pessoalmente ainda não tenho uma idéia definitiva, mas tenho a impressão que a humanidade ainda lida mal com sua trajetória finita na terra”, coloca o Dr. Jean Louis Maillard CRM-SC 9987 , CRM-RS 13107 e RQE 5605 , ginecologista da Fecondare.

Conteúdo atualizado em: 12 de junho de 2017

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