Como engravidar tendo ovários policísticos

Publicado em: 4 de outubro de 2017

Como engravidar tendo ovários policísticos

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma das principais disfunções ovarianas relacionadas à infertilidade. Um dos fatores que agravam o quadro é a obesidade. Por isso, o controle do peso, frequentemente, é proposto como forma de tratamento, paralelamente a outras terapias.

Além da obesidade, alguns sintomas da síndrome são o hirsutismo (excesso de pelos em regiões tipicamente masculinas), a irregularidade no ciclo menstrual ou a amenorreia (ausência de menstruação). No organismo da mulher que apresenta todos esses sinais, também pode haver grande quantidade de hormônios masculinos (hiperandrogenismo) e resistência à insulina (o que causa o aumento de açúcar no sangue). A dificuldade para dormir e de se sentir descansada após as horas de sono podem ser outro indicativo da disfunção ovariana.

Mulheres com níveis maiores de hormônios masculinos no corpo podem perceber:

  • crescimento anormal de pelos nas regiões do baixo ventre, seios, queixo e buço;
  • que a pele está mais oleosa, com uma quantidade maior de espinhas e cravos;
  • queda de cabelo;
  • aumento do peso;
  • manchas na pele, principalmente nas axilas e atrás do pescoço.

Nos casos em que são observados cada um desses sintomas, a doença é facilmente diagnosticada. Em contrapartida, naqueles em que somente parte dos sinais é identificada, pode haver uma dificuldade maior em determinar que os ovários policísticos são a causa da infertilidade.

As manifestações clínicas da síndrome, frequentemente, aparecem durante a infância ou nos anos que precedem a adolescência. Isso sugere que a SOP é influenciada por programação fetal e/ou eventos pós-nascimento precoces. Entretanto, dificilmente os sintomas da doença surgem, de forma integral, antes da puberdade.

O que alguns grupos de especialistas têm proposto para o diagnóstico da doença é a observação de critérios semelhantes aos usados para determinar disfunção ovulatória e hiperandrogenismo.

O que é a síndrome dos ovários policísticos

A síndrome dos ovários policísticos é um distúrbio que causa desequilíbrio hormonal, interfere na ovulação e leva à formação de pequenos cistos. A mulher com SOP ovula menos e de maneira irregular. Em resumo, o que acontece é que os ovários não conseguem recrutar um folículo para que ele cresça e seja expelido, ou seja, ovulado. Os gametas permanecem nos folículos, sem nem serem maturados, porque os hormônios que deveriam agir para torná-los aptos para a concepção estão desregulados.

Mas isso não acontece com todos os óvulos. Alguns deles até conseguem se desenvolver para eclodir. No entanto, devido ao desequilíbrio hormonal, eles não seguem seu curso natural dificultando a sua fecundação.

Os microcistos que surgem modificam a estrutura ovariana. Em geral, os ovários atingem um tamanho três vezes maior do que o normal. As causas para a ocorrência dessas alterações morfológicas são indefinidas. O que se sabe é que parte dos fatores associados a elas é genética. Mulheres que são irmãs ou filhas de portadoras da disfunção têm 50% de chance de desenvolvê-la.

A origem da SOP pode estar relacionada, também, à resistência do organismo à insulina. É possível que a maior concentração dessa substância no sangue (a hiperinsulinemia) seja responsável por provocar o desequilíbrio hormonal e o consequente aumento do peso.

A estimativa é de que 20% da população feminina em fase reprodutiva sejam portadoras da síndrome.

Ovários policísticos têm cura?

O questionamento de muitas mulheres nessa situação é se os ovários policísticos têm cura. Como são muitos os sintomas que a SOP desencadeia, desenvolveram-se diversos tratamentos para cada um deles. Por esse motivo, a escolha da terapêutica a ser utilizada para conter a síndrome depende, basicamente, dos objetivos da mulher.

Em geral, pacientes obesas podem sofrer menos com a doença, principalmente com os sintomas causados pelo hiperandrogenismo, a partir da diminuição do peso. Caso seja essa a indicação de tratamento, a melhor forma de trabalhar a mudança no estilo de vida é incorporar à rotina uma dieta saudável, a prática de exercícios físicos e alterações comportamentais em relação aos hábitos diários.

Há situações em que a administração de drogas que diminuam os níveis de insulina pode ser efetiva tanto em mulheres obesas como nas que possuem peso considerado normal.

Uma questão que precisa, sempre, ser discutida, no início do tratamento, é a fertilidade. O desejo de engravidar em um futuro próximo pode ser determinante na escolha da terapia.

A dificuldade para ter um filho é uma consequência comum da síndrome dos ovários policísticos. A suspeita de que este seja o motivo que impossibilita a gestação pode ser confirmada pela avaliação dos sintomas e do histórico médico da mulher. Caso ela não possua problemas na tireoide ou na glândula suprarrenal, parte-se para a investigação da SOP.

O diagnóstico é feito com base nos exames clínicos e de sangue. Os que costumam ser solicitados medem os níveis hormonais a partir da verificação:

  • da dosagem dos hormônios FSH (hormônio folículo-estimulante), LH (hormônio luteinizante), estradiol, TSH (hormônio tireoestimulante), SDHEA (sulfato de deidroepiandrosterona), testosterona total e 17-OH progesterona (entre o 2º e o 3º dia do ciclo menstrual);
  • da curva de insulina associada à curva de glicemia e teste de intolerância à insulina;
  • do ultrassom ginecológico transvaginal ou pélvico.

O ultrassom é um exame de imagem capaz de mostrar a presença de cistos nos ovários, mas que não consegue, sozinho, identificar as causas da irregularidade menstrual e das outras manifestações. É, apenas, um exame complementar.

A partir da confirmação da existência da síndrome, é natural querer saber se os ovários policísticos têm cura. O tratamento é feito para controlar a condição e exige atenção da mulher até a menopausa. A falta de cuidados adequados pode ocasionar o retorno de todos os sintomas e dificuldades sentidos pela paciente antes do diagnóstico e do tratamento.

Um agravante da SOP não tratada é o câncer no endométrio. A doença surge porque a mulher não menstrua. Assim, o tecido que reveste a parte interna do útero, acomoda o embrião e, geralmente, é eliminado pela menstruação acaba não sendo expulso como deveria. Isso faz com que haja acúmulo de endométrio na cavidade uterina e esse fator é o que favorece o desenvolvimento de um tumor.

Tratamento depende da vontade da mulher de engravidar futuramente

Há duas formas de tratar a SOP. Uma se aplica às mulheres que desejam engravidar. A outra é indicada para aquelas que preferem adiar a maternidade ou não tem vontade de ser mães.

No primeiro caso, o médico especialista em reprodução humana assistida pode receitar anticoncepcionais hormonais, no começo do tratamento, para regular a menstruação. O medicamento inibe o funcionamento dos ovários e, consequentemente, o processo de maturação dos folículos que dão origem aos óvulos.

Enquanto o organismo da mulher está sob efeito do contraceptivo, os ovários ganham tempo para se recuperar e poder exercer sua função novamente. O órgão também permanece protegido da formação de cistos e o corpo consegue, nesse intervalo, diminuir os níveis de hormônios masculinos e insulina. Depois que o ciclo menstrual é normalizado, o uso do medicamento é suspenso e há maior chance de ovulação e gravidez.

O especialista também pode prescrever medicamentos para induzir a ovulação. Durante cinco dias, a partir do terceiro, quarto ou quinto dia do ciclo, a mulher recebe uma dose diária do indutor.

A indução da ovulação com coito programado é a técnica de reprodução humana assistida de baixa complexidade mais recomendada para mulheres que querem engravidar tendo ovários policísticos.

Existem diferentes fármacos que estimulam a formação de um óvulo, com custo variado, efeitos diversos e indicações distintas. A escolha do tipo de indutor a ser usado é feita de acordo com a condição de cada paciente, e sua administração pode ser associada a outras drogas, que tenham como função baixar os níveis de insulina no organismo.

Toda mulher que induz a ovulação precisa fazer um acompanhamento, com ultrassonografias, desde o início do ciclo até a ovulação, em dias alternados, para verificar se o tratamento está sendo eficiente. O primeiro exame é feito para averiguar os folículos com melhores chances de liberar um gameta. A segunda ultrassonografia define qual é o intervalo entre o qual o casal deve manter relações sexuais para promover a fecundação. Na última, o médico observa se o óvulo eclodiu.

Há 25% de chances de a mulher que quer engravidar tendo ovários policísticos conseguir que a concepção ocorra caso ela ovule no ciclo induzido. Caso contrário, é possível fazer, no máximo, mais duas tentativas.

Em pacientes em que a indução e o coito programado não resultarem em gravidez, uma possibilidade é realizar uma fertilização in vitro (FIV).

Esse tratamento também requer indução da ovulação e acompanhamento constante com exames de imagem, porém, na FIV, o objetivo das ultrassonografias é averiguar quando o desenvolvimento dos gametas estará completo para que possam ser coletados por meio de uma punção transvaginal. Feito isso, o óvulo é colocado em uma placa de Petri junto com o espermatozoide.

Os gametas são, então, mantidos juntos no interior de uma incubadora que simula as condições das trompas, para que ocorra a fecundação. Os espermatozoides utilizados no procedimento são coletados após a masturbação, por punção dos testículos ou obtidos por doação, dependendo da condição de saúde do sistema reprodutor masculino em questão.

Depois que o espermatozoide encontra o óvulo e a concepção acontece, os chamados pré-embriões são implantados no útero da mulher. O processo é indolor. Transcorridos 12 dias da transferência para a cavidade uterina, a paciente já pode se submeter a um exame para confirmar a gravidez.

Em mulheres que não estejam tentando engravidar, a síndrome é tratada com pílula anticoncepcional e outros métodos contraceptivos à base de hormônio, na intenção de restaurar o equilíbrio hormonal. Contudo, a menstruação só permanece regulada enquanto a paciente se mantém medicada. A interrupção no uso do fármaco restabelece os sintomas da SOP.

Independentemente da causa, a síndrome dos ovários policísticos merece atenção e tratamento, pois favorece o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, de diabetes tipo 2 e obesidade, na fase do climatério feminino. As possíveis complicações podem ser evitadas com o simples agendamento de uma consulta. Mesmo uma pequena suspeita deve ser investigada por um médico.

Conteúdo atualizado em: 9 de Fevereiro de 2018

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