Como a obesidade interfere na fertilidade de homens e mulheres

Publicado em: 29 de Março de 2016

Como a obesidade interfere na fertilidade de homens e mulheres

A obesidade interfere na fertilidade de homens e mulheres. A condição, caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, é fator de risco para uma série de doenças, como hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, síndrome metabólica e disfunções hormonais. O Brasil tem cerca de 18 milhões de pessoas consideradas obesas. Somando o total de indivíduos acima do peso, o montante chega a 70 milhões, o dobro da quantidade que existia há três décadas, conforme dados registrados pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Existe uma classificação para caracterizar uma pessoa em relação ao seu peso chamada de Índice de Massa Corporal (IMC). Esta classificação é usada para determinar se a pessoa está abaixo ou acima do peso que seria o “ideal” para a sua altura.

A conta é feita dividindo o peso pela altura ao quadrado: IMC = Peso/Altura². Para explicar melhor, vamos exemplificar:

Considere uma mulher de 35 anos, faixa etária limite para uma mulher engravidar naturalmente, sem complicações. Digamos que ela pese 88 quilos e tenha 1,65 metros. Primeiro, vamos calcular a altura ao quadrado, ou seja, vamos multiplicar 1,65 por 1,65. O resultado é 2,7225. Agora, vamos dividir 88, que é o peso, pelo resultado da multiplicação da altura (2,7225). O valor obtido, 32,32, demonstra que essa mulher é obesa, conforme a tabela do IMC:

Categoria IMC
Abaixo do peso Abaixo de 20
Peso normal 20,0 – 24,9
Sobrepeso 25,0 – 29,9
Obeso 30,0 – 39,9
Obeso mórbido 40,0 e acima

Estar abaixo do peso também configura um risco para a infertilidade e não é saudável. Assim, mesmo a pessoa com IMC menor que 20 deve procurar um profissional de saúde para uma avaliação. O conselho também vale para as pessoas cujo índice for igual ou maior que 25,0.

A obesidade interfere na fertilidade dos homens por causa das alterações hormonais

A obesidade tem causas multifatoriais. O excesso de peso não é resultado somente da má alimentação, mas também do patrimônio genético da pessoa, de aspectos econômicos e ambientais, dos hábitos de vida e do metabolismo individual (que é a maneira como o organismo processa as substâncias químicas, como os alimentos ingeridos, com o intuito de gerar energia e manter o equilíbrio interno), que pode sofrer de disfunções endócrinas.

Quando uma pessoa está obesa, o organismo fica sobrecarregado e uma série de problemas é desencadeada, e  a saúde reprodutiva de homens e mulheres pode ser comprometida.

Os homens podem sofrer com uma produção menor de testosterona, o que pode levar à redução da libido e problemas de ereção. Neles, também é observado o aumento do nível de estradiol, o que afeta a produção de espermatozoides.

Excesso de peso também provoca alterações nos hormônios femininos

Nas mulheres, a obesidade interfere na fertilidade da mesma forma que nos homens, porém, o responsável por esse processo é o estrógeno, hormônio sexual fabricado pelos ovários. Por causa do excesso de gordura, pode ocorrer um distúrbio na produção e metabolização do estrógeno, perturbando a reprodução, causando disfunções na ovulação e diminuindo as chances de gravidez. Ciclos menstruais irregulares, com intervalos muito curtos, de menos de quinze dias, ou muito longos, com menstruações a cada dois ou três meses, tornam-se mais comuns.

Mulheres que estão muito acima do peso também podem desenvolver a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), uma doença caracterizada pela falta de ovulação e também pelo excesso de hormônios masculinos no organismo. Quando o corpo não consegue utilizar de maneira eficiente a insulina produzida ou desenvolve uma resistência à substância, que é produzida normalmente, mas não é reconhecida pelas células, há descompensação em todo o funcionamento hormonal, o que leva os ovários a funcionar de maneira errada, trazendo como consequência a SOP.

Outras condições associadas ao ganho de peso em mulheres em idade fértil são a incapacidade de ovular ou a falta de qualidade dos óvulos. Pode haver, ainda, maior demora para engravidar e aumento do risco de abortamento, alteração do endométrio e das tubas uterinas e pior resposta ovariana à estimulação, no caso da realização de um tratamento em reprodução humana assistida, como a fertilização in vitro. Há, também, o risco de desenvolver complicações na gravidez.

O tratamento é perder peso

Para que esses problemas sejam amenizados, é preciso buscar uma mudança de hábitos, e a perda de peso, de maneira saudável, é a solução. Reduzir o peso em, pelo menos, 10% (8,8 quilos, considerando a mulher do exemplo acima) já melhora a capacidade reprodutiva.

Além de reconquistar a fertilidade, quando a infertilidade for causada pela obesidade, a redução de peso (seja por dieta e atividade física ou por meio de cirurgia) e a diminuição de gordura evitam o surgimento de doenças, como a diabetes e a hipertensão que, com o passar dos anos, podem se tornar um risco grave para a saúde.

Para a maioria das pessoas, a decisão de sair da condição de obeso não é o suficiente. O acompanhamento com profissionais da saúde, como médicos endocrinologistas e nutricionistas, e um plano de exercícios físicos adequados à condição de cada indivíduo é indispensável. Em alguns casos, essa é a melhor alternativa, pois, mesmo que o foco do tratamento seja o excesso de peso, caso surja qualquer outra condição que esteja obstruindo a fertilidade, ela já pode ser adequadamente tratada devido ao acompanhamento.

Conteúdo atualizado em: 12 de julho de 2017

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