Doação de óvulo: o meu filho terá duas mães?

Publicado em: 23 de novembro de 2012

Doação de óvulo: o meu filho terá duas mães?

Um dos tratamentos para a infertilidade feminina consiste na utilização de um óvulo doado. Em laboratório, este óvulo deverá se unir ao espermatozoide do futuro pai, e o embrião resultante deverá ser colocado no corpo da mulher que até então não poderia engravidar. Num processo tão pessoal e sensível quanto este, é de se esperar que as mulheres envolvidas, assim como os seus maridos, passem por muitos questionamentos e muita angústia.

Uma pesquisa no Reino Unido resolveu conversar com algumas mulheres que se submeteram a  esse processo e discutiu os diversos dilemas e preocupações que sobrevoavam a mente delas. As leis envolvidas diferem pelos  países, mas os desejos e anseios humanos nem tanto. Um dos dilemas mais prevalentes é a dúvida entre receber uma doação que seja anônima ou conhecida.

Um dos medos por parte das futuras mães, em relação à doação conhecida, é o de que a doadora possa em algum momento de sua vida rever sua decisão e querer fazer parte da vida da criança, fazendo-as sentirem-se ameaçadas, vulneráveis e inseguras. E a existência de uma mulher real e conhecida poderia ser uma lembrança constante de sua própria infertilidade, vista por elas como uma incapacidade, pela qual se culpam.

Outro medo frequente já nas que não consideram a doação anônima a melhor opção é o de não saber as características físicas da doadora e genéticas também, tanto no que compete a estética, quanto questões que envolvem sua saúde e características emocionais. A pesquisa concluiu que a  preferência recai sobre o processo anônimo, uma vez que o medo da interferência da doadora sobrepuja as preocupações com as características biológicas e psicológicas do bebê.

Muitas vezes as aflições diminuem no nascimento, outras vezes novas aflições aparecem, principalmente quando se começa a questionar sobre a futura personalidade da criança. A maneira de lidar com isso varia de mulher para mulher, ou casal para casal. Assim como quando refletem sobre contar ou não para a criança a forma como ela foi gerada. A informação de por que a doadora doou o seu óvulo se torna importante nesse contexto, segundo as participantes da pesquisa.

Um desejo ainda difícil de ser satisfeito, principalmente pela falta de oferta, é o de gerar um irmão ou uma irmã com a mesma doadora, o que causa mais angústia e frustração para os casais que sentem essa necessidade.

Os estudos mostram como a experiência de doar e a de receber mudam a vida das pessoas envolvidas, conforme as etapas dos processos vão se concretizando. O desejo de ter um bebê e o  nascimento em si mudam a forma de pensar dos casais, trazem novos questionamentos e novas emoções. As percepções trazidas pelo estudo podem auxiliar no aconselhamento pré-tratamento, por isso é tão importante o apoio e auxílio do médico especialista.

Para o Brasil, explica Dr. Jean Louis Maillard (CRM-SC 9987 e CRM-RS 13107), não existe a possibilidade de que a doadora tenha grau de parentesco, o que facilita a equação. As doações compartilhadas sempre são anônimas e de forma alguma os casais devem ter a chance de se conhecerem durante todo o processo. Na Espanha e nos EUA, onde há a possibilidade de venda de óvulos, o processo também é feito de forma anônima.

Conteúdo atualizado em: 9 de Março de 2017

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