Publicado em 11/02/2021 - Atualizado 11/08/2021

Congelamento de óvulos: o que é, como funciona e quanto custa?

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Quem acompanha a Fecondare no blog e redes sociais já sabe como as mulheres com mais de 35 anos, naturalmente, podem ter mais dificuldades para engravidar. Para “driblar” o relógio biológico, ao decidirem ter um filho, muitas têm optado pelo uso de uma célula reprodutiva jovem. Isso é possível graças ao congelamento de óvulos. A técnica de reprodução humana assistida possibilita às mulheres vivenciar a maternidade quando desejarem, contribuindo para o fenômeno mundial da maternidade tardia e planejada.

Neste artigo, mostramos como se dá todo esse processo. Para descobrir, continue a leitura!

Em quais situações o congelamento de óvulos pode ser indicado?

O congelamento de óvulos é uma das técnicas existentes em reprodução humana assistida. Trata-se de um processo de estimulação, coleta e resfriamento, que conserva as células reprodutivas femininas para que possam ser usadas no futuro, em uma possível gestação.

O método é recomendado pelos especialistas para mulheres ou casais que desejam ou precisam postergar a gravidez por algum tempo. Entre outras situações, costuma ser bastante procurado por:

  • mulheres que preferem conquistar, primeiro, a estabilidade econômica e/ou investir em sua formação acadêmica;
  • mulheres que desejam priorizar a carreira para, depois, tornarem-se mães;
  • mulheres que ainda não encontraram o(a) parceiro(a) com quem desejam ter um filho;
  • mulheres com problemas no aparelho reprodutivo, que exigem a retirada dos ovários;
  • mulheres com histórico de menopausa precoce na família;
  • mulheres com problemas graves de saúde (como câncer) e que precisarão se submeter a tratamentos que podem torná-las estéreis antes da gestação, como boa parte dos tratamentos oncológicos (principalmente, quimioterapia, radioterapia e ressecção​ ​ovariana);
  • casais que, por questões pessoais, não se sentem confortáveis com o congelamento de embriões.

Qual é o peso da idade na fertilidade feminina?

O congelamento de óvulos é considerado uma forma de preservar a fertilidade feminina. Graças à técnica, mulheres que não têm a intenção de engravidar no presente não precisam extinguir, por completo, a possibilidade de ter um filho — caso mudem de ideia no fututo.

Como se sabe, a capacidade de engravidar é fortemente influenciada pela idade. Por isso, muitas das mulheres que adiam a gestação podem se deparar com a infertilidade no momento em que decidem se tornar mães. O procedimento de congelamento de óvulos possibilita driblar essa situação.

Atualmente, muitas mulheres saudáveis, sabendo que podem sofrer com a diminuição da fertilidade com o passar dos anos, estão congelando seus óvulos. Afinal, criopreservar as células reprodutoras pode garantir que estejam saudáveis em outro momento da vida.

O que saber antes de congelar os óvulos?

Toda mulher que está cogitando congelar os óvulos deve, em primeiro lugar, consultar-se com um médico especializado em reprodução humana assistida. É preciso conversar, individualmente, a respeito dessa possibilidade.

Nessa primeira consulta, é possível que o especialista solicite um teste para verificar a reserva ovariana. Esse exame é essencial para que o congelamento de óvulos possa ser realizado — afinal, é impossível promover a estimulação ovariana se os óvulos não existirem.

Mas atenção: um baixo número de óvulos não significa que a mulher não possa engravidar. Quer dizer, apenas, que ela poderá enfrentar uma certa dificuldade quando quiser se tornar mãe. Na prática, o resultado do teste de reserva ovariana serve para reforçar a importância de congelar os óvulos para tentar garantir a fertilidade no futuro.

Como o congelamento de óvulos é feito?

preparação para a criopreservação começa, em média, 10 dias antes dos óvulos serem coletados. Em mulheres com a saúde em dia, o processo se inicia com a estimulação hormonal ovariana.

O objetivo é produzir mais óvulos no mesmo ciclo menstrual, aumentando as possibilidades de êxito (visto que, de forma natural, apenas um ovócito é liberado a cada ciclo). A estimulação é feita com o uso de medicamentos indutores de ovulação e hormônios específicos, sob orientação do médico especialista em reprodução humana.

Para acompanhar o desenvolvimento folicular, realizam-se de 3 a 4 ecografias. Já para determinar a data da coleta dos óvulos, é feito o controle seriado com ultrassom.

Quando os folículos atingem o tamanho adequado, uma nova medicação é administrada, para que ocorra a maturação dos óvulos. Após 34 a 36 horas da administração do medicamento, a coleta é agendada.

O procedimento deve ser realizado em uma clínica especializada em reprodução humana. Após ser sedada e anestesiada, a mulher é submetida à punção dos ovários guiada por ultrassom transvaginal. A captura leva de 15 a 30 minutos.

Cada óvulo é capturado individualmente e encaminhado ao laboratório, para avaliar o respectivo grau de maturidade. Após a análise dos especialistas, os óvulos que estiverem em perfeito estado (maduros e com boa qualidade morfológica) seguem para o congelamento, sendo vitrificados e armazenados em containers de nitrogênio líquido.

Quais são os riscos envolvidos no congelamento de óvulos?

Uma pequena parcela das mulheres submetidas à estimulação dos ovários, para produção de gametas viáveis para o congelamento, pode desenvolver a chamada síndrome da hiperestimulação ovariana. Tal condição ocorre quando as substâncias vasoativas aumentam muito durante a fase de estímulo dos ovários, ​provocando​​​acúmulo​ ​e​ ​excesso​ ​de​ ​líquido em cavidades corporais.

A mulher com essa síndrome sente desconforto abdominal, dificuldade para respirar e percebe o aumento da circunferência na região do abdômen. Existe tratamento para o problema, mas a intervenção depende da paciente relatar os sintomas ao médico que a está orientando no processo de congelamento de óvulos.

Por isso, não custa reforçar: o acompanhamento profissional deve ser constante. Essa é a melhor forma de afastar imprevistos que podem se​ ​tornar​​um​ ​risco​ ​para​ ​a​ ​saúde da mulher.

Quais são as técnicas usadas para o congelamento de gametas femininos?

Atualmente, no Brasil, existem duas formas de congelar os óvulos: congelamento rápido e vitrificação — a última, mais rápida e eficaz. Na vitrificação, o congelamento acontece instantaneamente, logo após o médico colher os óvulos.

Para preservá-los durante o processo, os óvulos são envolvidos em uma solução gelatinosa com alta concentração de crioprotetor. A substância serve para preservar o tecido biológico de danos que podem ser causados pela criopreservação.

Em poucos minutos, os óvulos colhidos chegam a temperatura de 196°C negativos. Isso ocorre em um tanque de nitrogênio líquido, onde são acondicionados em palhetas individuais, identificadas com os dados do casal.

O processo de vitrificação evita a formação de cristais, cujas chances de ocorrer são maiores no congelamento lento. Esses cristais podem se romper e danificar o óvulo durante o descongelamento, reduzindo a possibilidade de usá-los, bem como ocasionar alterações cromossômicas.

Na vitrificação esse risco não existe. A solução de crioprotetor impede a formação dos cristais e conserva a estrutura celular intacta. Além disso, oferece baixo risco de rompimento dos óvulos, evitando que a mulher tenha de se submeter, novamente, a todo o preparo do congelamento.

Ao ser desvitrificado, o óvulo apresenta a mesma capacidade de fertilização de um gameta feminino fresco. Finalmente, após serem fecundados, os embriões resultantes são transferidos para a cavidade uterina.

Número de óvulos coletados para serem congelados

As clínicas de fertilização costumam colher de 10 a 15 óvulos. Trata-se de um número suficiente e que serve como reserva para eventuais fertilizações malsucedidas. Esse numero para mulheres ate 35 anos, a medida que a idade avança. maior será o numero de ovulos necessarios.

No entanto, a quantidade de óvulos coletados pode variar. No caso de mulheres ou casais diagnosticados com alguma doença que atrapalhe a fecundação, é possível congelar uma quantidade maior. O mesmo ocorre com pacientes com histórico de dificuldades para gerar filhos.

Tempo de permanência dos óvulos no nitrogênio líquido

Os gametas são mantidos em nitrogênio líquido por tempo indeterminado. O congelamento mantém todas as características essenciais do óvulo. Portanto, independentemente do período que permanecer congelado, ele não envelhece nem sofre qualquer alteração que possa impedir a mulher de utilizá-lo em uma futura fertilização.

Quantidade de óvulos usados na fertilização

Cada um dos óvulos descongelados para a fecundação recebe um espermatozoide. Geralmente, isso se dá por meio de uma técnica de reprodução humana denominada injeção intra-citoplasmática de espermatozoides (ICSI).

O número de embriões que serão transferidos depende da idade da mulher na época da coleta. Quanto mais jovem, menor é a quantidade de embriões colocados no útero, pois a chance de a gravidez se confirmar é maior em mulheres abaixo dos 35 anos.

Os embriões excedentes, por sua vez, voltam a ser criopreservados. Após três anos congelados, poderão ser descartados ou doados — de acordo com a vontade das pacientes.

Existe algum tipo de prazo para usar os óvulos congelados?

Especialistas afirmam que não há diferença entre um óvulo congelado e um natural. Portanto, a mulher pode utilizar os óvulos criopreservados no momento em que considerar mais oportuno.

Ao longo de anos, notou-se que a maioria dos óvulos congelados sobrevive, apresentando uma alta taxa de aproveitamento após o descongelamento. Isso é feito somente quando a mulher decide que é hora de engravidar.

O que os médicos especialistas em reprodução assistida aconselham, porém, é que a mulher não espere ter mais de 50 anos para engravidar. Nessa faixa etária, o risco de ocorrer complicações durante a gravidez é bem maior.

Quais são as taxas de gravidez com óvulos congelados?

Após o descongelamento, a fertilização é feita com o uso de espermatozoides coletados do parceiro ou doados, de acordo com a decisão da mulher ou do casal. Enquanto isso, o útero é preparado com o uso de medicações específicas, para poder receber o embrião.

Depois de fertilizados, os óvulos são implantados no útero. Em, aproximadamente, 12 dias, pode-se realizar o exame de sangue para ver se a gestação progrediu.

A probabilidade de a mulher engravidar com óvulos congelados está diretamente relacionada à idade que possuía quando realizou o procedimento. Assim, quanto mais jovem uma mulher realizar o congelamento, maiores serão as chances de engravidar.

Ainda assim, o congelamento dos óvulos não é uma garantia de que a gravidez irá ocorrer. Apenas permite à mulher, quando quiser tentar gestar, a possibilidade de fazê-lo utilizando o óvulo jovem, que estava guardado. Com isso, as chances de conseguir gerar uma criança são maiores.

Existe idade mínima e máxima para congelar os óvulos?

A idade mínima permitida à mulher para congelar os óvulos é 21 anos. Já a idade limite varia de paciente para paciente. Mas quanto antes a decisão de congelar os óvulos for tomada, mais novos serão os óvulos e, consequentemente, maiores serão as chances de sucesso de uma futura gravidez.

Assim, o indicado é que o procedimento seja feito antes dos 35 anos. No entanto, nada impede de ser realizado depois se, na avaliação, o médico concluir que isso é possível e viável.

Por que os 35 anos são considerados um divisor?

A partir dos 35 anos de idade, a reserva ovariana diminui gradativamente e os óvulos perdem qualidade. Aos 40 anos, a mulher detém apenas 8% da função reprodutiva.

Por este motivo, o ideal é congelar os óvulos até os 35 anos, quando a reserva ovariana é maior e os óvulos não perderam qualidade. Dessa forma, possibilitam-se taxas de sucesso melhores na gestação e com menos risco de ocorrer alguma doença genética.

No entanto, muitas pacientes com mais de 35 anos, com boas condições de saúde, estão aptas para o congelamento de óvulos. Como já foi explicado, são mulheres que não sabem, exatamente, quando poderão ou desejarão ter filhos e desejam manter a possibilidade de gerar um filho em aberto.

Confira o vídeo em que a Dra. Ana Lúcia Zarth explica um pouco mais sobre a melhor idade para congelar os óvulos.

O que é feito com os óvulos congelados e não utilizados?

Caso a mulher desista de usar os óvulos congelados para ter um bebê, existem duas possibilidades:

  • pode-se, simplesmente, descartá-los, da mesma forma que o corpo faria, caso o óvulo estivesse no organismo e não fosse fecundado ou
  • é possível doar os óvulos para mulheres que querem ter filhos, mas não conseguem engravidar usando seus próprios gametas.

Qual é o custo estimado para realizar o procedimento?

O custo para realizar o congelamento de óvulos varia em função de diversos fatores. Primeiramente, existe o valor da consulta ou honorários do especialista em reprodução humana que auxiliará no processo.

Além disso, há os gastos com os medicamentos utilizados para a estimulação ovariana. Por fim, há o custo da anuidade cobrada pelo laboratório escolhido para manter as células criopreservadas, o qual é proporcional ao período em que elas permanecerão congeladas.

Como se informar melhor sobre o congelamento de óvulos?

O congelamento de óvulos desperta curiosidade e muitas dúvidas, principalmente em quem pensa em utilizar a técnica. O total esclarecimento em relação ao procedimento é muito importante, bem como a informação sobre alternativas, riscos e chances de sucesso.

Para ajudar, uma boa fonte de orientação é o nosso e-book Criopreservação de óvulos: o congelamento podegarantir um futuro reprodutor saudável. Ele está disponível para download gratuitamente. Também disponibilizamos um vídeo em que o tema é abordado, o qual pode responder a outros questionamentos.

No mais, o documento oficial sobre o assunto é a Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM)  Nº2.283/2020, que define as regras éticas e morais para a reprodução humana assistida. Ainda não há outra lei no País que regulamente a questão.

Para concluir, é importante reforçar que informações seguras são fundamentais para se sentir confiante quanto ao que realmente acontece no congelamento de óvulos. Médicos experientes e habilitados podem conceder a orientação correta e avaliar cada caso de maneira individual e adequada. Por isso, consultar-se com um especialista é imprescindível. Faça isso o quanto antes!

Esperamos que este material tenha ajudado a tirar boa parte das suas dúvidas. Caso deseje saber mais sobre o procedimento, agende uma consulta e faça uma avaliação individual!

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Publicado por: Dra. Ana Lúcia Bertini Zarth - Ginecologista - CRM-SC 8534 e RQE 10334
Formada na Faculdade de Medicina da PUC – RS em 1993, Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia, Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) em 1997.

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      Nosso material tem caráter meramente informativo e não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico, autotratamento ou automedicação. Em caso de dúvidas , consulte o seu médico.

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