Pai também é tentante: o papel do homem no tratamento de fertilidade

Pai também é tentante: o papel do homem no tratamento de fertilidade

O homem tem um papel fundamental no tratamento de fertilidade. Além de participar da investigação das possíveis causas da infertilidade, ele também acompanha decisões importantes, realiza exames quando indicados e compartilha, ao lado da parceira, todas as etapas da reprodução assistida. A infertilidade pode estar relacionada a fatores masculinos, femininos ou à combinação de ambos, por isso o tratamento deve sempre considerar o casal como protagonista dessa jornada.

Apesar disso, ainda é comum que a atenção esteja voltada principalmente para a mulher. Na prática, porém, a construção de uma família começa com um cuidado compartilhado, em que informação, acolhimento e participação ativa fazem diferença durante todo o processo.

Neste artigo, você entenderá por que o homem também é tentante, qual é o seu papel no tratamento de fertilidade e como sua participação contribui para uma jornada mais consciente e integrada.

A infertilidade não tem gênero

Por muito tempo, a dificuldade para engravidar foi tratada como “problema da mulher”. Ela fazia os exames, tomava os medicamentos, ajustava a rotina. Ele ficava à margem do processo. Mas a biologia não funciona assim.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), as causas da infertilidade se distribuem de forma praticamente igual: 35% de origem feminina, 35% de origem masculina, 20% envolvendo os dois parceiros e 10% sem causa identificada. Ou seja, em pelo menos metade dos casos, o homem faz parte da equação, seja como fator único ou combinado.

Apesar disso, a investigação masculina ainda é frequentemente adiada, e muitos casais perdem meses tentando descobrir causas femininas enquanto o fator masculino simplesmente não foi avaliado.

Por que o homem evita fazer os exames?

Parte da resposta está na cultura. Fertilidade, virilidade e identidade masculina são conceitos que, no imaginário social, aparecem ligados. Um diagnóstico de infertilidade masculina pode ser vivido pelo homem como uma ameaça à sua identidade, o que gera resistência em buscar ajuda.

Segundo especialistas da SBRA, quando o homem descobre a infertilidade, a impossibilidade de engravidar a companheira pode fazer com que ele se sinta ameaçado na sua identidade, além de romper expectativas geracionais profundas. Por isso, o acompanhamento psicológico é parte essencial do tratamento, e não um recurso de último caso.

Na Fecondare, o suporte psicológico está integrado ao atendimento desde o início do processo, para os dois parceiros.

Saiba como o acompanhamento psicológico pode ajudar casais tentantes.

O espermograma: o exame que todo homem deveria fazer

O principal exame para avaliar a fertilidade masculina é oespermograma. Ele analisa quantidade, motilidade e morfologia dos espermatozoides, e é o ponto de partida para qualquer investigação do fator masculino.

O exame é simples, rápido e feito por coleta de sêmen. Com base no resultado, o médico consegue identificar condições como:

  • Oligozoospermia: baixa contagem de espermatozoides
  • Astenozoospermia: redução na motilidade dos espermatozoides
  • Teratozoospermia: alterações na morfologia dos espermatozoides
  • Azoospermia: ausência total de espermatozoides no sêmen

Cada uma dessas condições tem abordagens terapêuticas específicas, que vão de mudanças de estilo de vida a técnicas como a ICSI, em que um único espermatozoide selecionado é injetado diretamente no óvulo.

Entenda como funciona a ICSI e quando ela é indicada.

O que pode afetar a fertilidade masculina?

A qualidade seminal começa a declinar aos 30 anos, com redução de cerca de 1% na produção de testosterona por ano. Após os 45 anos, aumenta significativamente a fragmentação do DNA espermático, o que pode impactar não só a capacidade de concepção, mas também a qualidade dos embriões.

Outros fatores que afetam a fertilidade masculina incluem:

  • Varicocele: dilatação das veias do testículo, uma das causas mais comuns e tratáveis
  • Uso de anabolizantes: o uso de testosterona externa interrompe a produção natural de espermatozoides e pode levar à azoospermia
  • Tabagismo e álcool: reduzem a qualidade e a motilidade dos espermatozoides
  • Obesidade e sedentarismo: alteram o equilíbrio hormonal masculino
  • Estresse crônico: impacta a produção de testosterona e a qualidade seminal

Ser pai começa antes do positivo

Ser pai não começa no nascimento, nem no teste positivo. Começa na decisão de estar presente no processo, de fazer os exames, de sentar na consulta, de entender o diagnóstico junto com a companheira.

A jornada de fertilidade exige dos dois parceiros não apenas exames e procedimentos, mas presença, paciência e disposição para buscar ajuda quando necessário. E o papel do homem no tratamento de fertilidade começa muito antes da gestação. Ao assumir essa jornada de forma ativa, ele já está exercendo a paternidade, muito antes de segurar o filho nos braços.

Se você e seu parceiro estão tentando engravidar, o próximo passo é a avaliação conjunta. Não existe tratamento completo sem investigação completa de ambos.

Entenda quando o casal deve procurar uma clínica de fertilidade.

O que fazer agora?

Pai também quer, pai também tenta, pai também sente. E pai também pode e deve ser investigado. Se vocês estão tentando engravidar sem sucesso, a avaliação começa com uma consulta para os dois.

Na Fecondare, o atendimento é individualizado, acolhedor e conduzido por uma equipe multidisciplinar certificada pela SBRH e pela SBRA, em Florianópolis/SC.

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Conteúdo revisado por Dr. Ricardo Nascimento — Ginecologista | CRM-SC 3198 | RQE 2109 | Clínica Fecondare, Florianópolis/SC.

Este artigo tem finalidade exclusivamente educativa. O tratamento indicado para cada caso deve ser definido por um médico especialista após avaliação clínica completa.

Dr. Ricardo Nascimento

Especialidade: Ginecologista
CRM: CRM-SC 3198 e RQE 2109

Formado em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina, em 1981. Residência Médica na Maternidade Carmela Dutra- Secretaria Estadual de Saúde-SC, Especialização em Reprodução Humana na Universidade Federal do Paraná.

Perguntas Frequentes

O homem também precisa investigar a fertilidade?

Sim. A investigação da infertilidade deve envolver o casal desde o início, já que os fatores masculinos podem estar presentes isoladamente ou associados aos fatores femininos. O espermograma costuma ser um dos primeiros exames solicitados, mas outros exames podem ser indicados conforme a avaliação médica.

A infertilidade masculina é comum?

Sim. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS),os fatores masculinos estão presentes, isoladamente ou em conjunto com fatores femininos, em cerca de metade dos casos de infertilidade. Por isso, a participação do homem é essencial durante toda a investigação.

O apoio emocional também é importante para os homens?

Sim. O tratamento de fertilidade pode gerar expectativas, dúvidas e desafios para ambos os parceiros. O acompanhamento psicológico pode contribuir para que o homem vivencie esse processo com mais segurança, equilíbrio e acolhimento.

O homem participa apenas no início do tratamento?

Não. O homem tem um papel importante durante toda a jornada, desde a investigação da fertilidade até o acompanhamento das consultas, a tomada de decisões e o suporte mútuo ao longo do tratamento.

Quando um casal deve procurar um especialista em reprodução humana?

A avaliação é recomendada quando o casal não consegue engravidar após 12 meses de tentativas sem contraceptivos, ou após 6 meses quando a mulher tem 35 anos ou mais. Em situações específicas, como histórico de doenças reprodutivas ou alterações conhecidas na fertilidade, a orientação pode ser buscar avaliação antes desse período.