Blastocisto: o que é e por que essa fase é tão importante na FIV?

Blastocisto: o que é e por que essa fase é tão importante na FIV?

O blastocisto é um estágio avançado do desenvolvimento embrionário, geralmente alcançado entre o quinto e o sétimo dia após a fecundação. Na fertilização in vitro (FIV),chegar a essa fase é um marco importante porque mostra que o embrião conseguiu avançar por várias etapas de desenvolvimento e fornece à equipe de embriologia mais informações para planejar sua transferência ou congelamento.

Embora blastocistos apresentem características que podem favorecer sua seleção para transferência, chegar a essa fase não significa garantia de implantação ou gravidez. O resultado de uma FIV depende de diferentes fatores, como idade, características embrionárias, condições uterinas e contexto clínico de cada paciente.

Do óvulo fertilizado ao blastocisto: o que acontece em cada dia

Depois que ocorre a fecundação, forma-se uma célula chamada zigoto. A partir desse momento, começa uma sequência de divisões e transformações acompanhadas pela equipe de embriologia.

De maneira simplificada, o desenvolvimento ocorre assim:

  • Dia 1: avaliação da fecundação;
  • Dias 2 e 3: divisão do embrião em um número crescente de células;
  • Dia 4: formação da mórula, quando as células ficam mais compactadas;
  • Dias 5 a 7: formação e expansão do blastocisto.

Ao chegar à fase de blastocisto, ocorre uma diferenciação importante das células.

A massa celular interna, também chamada de embrioblasto, dará origem aos tecidos do embrião. Já o trofectoderma, localizado na parte externa, participará da formação da placenta.

Também surge uma cavidade preenchida por líquido, chamada blastocele, característica dessa fase do desenvolvimento.

É essa organização mais complexa que diferencia o blastocisto dos estágios embrionários anteriores.

Por que nem todos os embriões chegam ao blastocisto?

Essa é uma das dúvidas que mais surgem durante um tratamento de FIV. A resposta é direta: nem todo embrião tem potencial de desenvolvimento completo, e o cultivo prolongado em laboratório serve, entre outras coisas, para revelar exatamente isso.

Durante os dias de cultivo, o embriologista acompanha o desenvolvimento de cada embrião, observando o ritmo das divisões celulares, a simetria entre as células e outros critérios morfológicos. Essa análise contínua ajuda a identificar quais embriões estão evoluindo dentro do esperado para cada fase do desenvolvimento.

Embriões que param de se dividir antes de atingir o blastocisto provavelmente tinham alterações que impediriam a implantação ou o desenvolvimento de uma gestação saudável. Embora seja emocionalmente difícil receber essa informação, ela representa uma filtragem natural que aconteceria de qualquer forma, inclusive em uma gravidez espontânea.

Como são classificados?

Quando um embrião atinge o estágio de blastocisto, a equipe de embriologia realiza suaclassificação morfológica, que orienta a decisão sobre quais embriões serão transferidos e quais serão vitrificados para uso futuro.

A classificação segue um sistema composto por um número e duas letras, como por exemplo 5AA ou 3BC:

  • O número indica o grau de expansão do blastocisto, de 1 (inicial) a 6 (totalmente expandido e com eclosão em andamento)
  • A primeira letra avalia a qualidade das células da massa celular interna, que formarão o bebê
  • A segunda letra avalia a qualidade do trofectoderma, que formará a placenta

As letras variam de A (excelente) a C (qualidade reduzida). Um blastocisto 5AA, por exemplo, representa expansão avançada com boa qualidade em ambas as populações celulares, sendo considerado de alta qualidade morfológica. Mas é importante entender que a classificação é um critério orientador, não um veredito: embriões com classificações mais modestas também podem resultar em gestações bem-sucedidas.

Por que a transferência em blastocisto tem vantagens?

Transferir o embrião no estágio de blastocisto oferece algumas vantagens clínicas em relação à transferência em estágio mais precoce, no terceiro dia de desenvolvimento:

  • Melhor seleção embrionária. Ao estender o cultivo até o quinto ou sexto dia, a equipe consegue identificar com mais precisão quais embriões têm maior potencial de implantação. Embriões que chegam ao blastocisto já demonstraram capacidade de progressão.
  • Sincronia com o endométrio. Na natureza, o embrião chega ao útero exatamente no estágio de blastocisto. Transferir o embrião nessa fase reproduz com mais fidelidade o momento em que o endométrio está preparado para recebê-lo.
  • Possibilidade de transferência de embrião único. Com uma seleção mais precisa, é possível optar pela transferência de um único embrião com boas chances de implantação, reduzindo o risco de gestação múltipla sem comprometer o resultado.

Quando o cultivo pode não ser indicado?

Em alguns casos específicos, a equipe pode optar por transferir o embrião no terceiro dia de desenvolvimento, antes de atingir o estágio de blastocisto. Isso pode acontecer quando a paciente produziu poucos óvulos, resultando em um número reduzido de embriões. Nessa situação, manter os embriões em cultivo por mais tempo aumenta o risco de que nenhum chegue ao blastocisto em laboratório, e a transferência mais precoce dá ao embrião a oportunidade de continuar seu desenvolvimento no ambiente uterino, que é o seu habitat natural.

Essa decisão é tomada caso a caso pela equipe de embriologia, com base no número de embriões disponíveis e na evolução observada durante o cultivo.

Blastocisto e análise genética: qual a relação?

O estágio de blastocisto é também o momento em que oTeste Genético Pré-Implantacional (PGT-A) pode ser realizado, quando indicado. O procedimento consiste em uma biópsia de algumas células do trofectoderma, a camada externa do blastocisto que formará a placenta, para análise cromossômica. Essas células são retiradas sem comprometer o potencial de desenvolvimento do embrião, pois não fazem parte da estrutura que origina o bebê.

A análise genética permite identificar embriões com alterações cromossômicas antes da transferência, o que pode aumentar as chances de implantação e reduzir o risco de aborto espontâneo em casos específicos.

Entenda como funciona a análise genética do embrião na Fecondare.

Chegar ao blastocisto é uma boa notícia, mas não é o fim da jornada

Chegar à fase de blastocisto representa um marco relevante na FIV. Nesse momento, a equipe dispõe de mais informações sobre o desenvolvimento embrionário e pode utilizá-las, junto aos demais dados clínicos, para planejar os próximos passos.

Para o paciente, compreender esse processo também ajuda a lidar melhor com uma característica importante da reprodução assistida: os números naturalmente mudam entre a coleta dos óvulos, a fertilização e a formação dos blastocistos.

Na Fecondare, esse desenvolvimento é acompanhado pela equipe de embriologia com atenção a cada etapa, protocolos rigorosos de qualidade e integração constante com a equipe médica. Se você está realizando uma FIV e tem dúvidas sobre o desenvolvimento ou a classificação dos seus embriões, converse com a equipe responsável pelo seu tratamento. Entender o que está acontecendo em cada fase também faz parte de viver esse processo com mais informação e segurança.

Gostou do conteúdo? Para acompanhar todas as novidades ligadas à reprodução assistida, siga nossas redes sociais: Facebook, Instagram e Youtube!

Conteúdo revisado por Dra. Fernanda Souza Peruzzato – Embriologista e Diretora de Laboratório | CRBM-5 0934 | Clínica Fecondare, Florianópolis/SC.

Este artigo tem finalidade exclusivamente educativa. O tratamento indicado para cada caso deve ser definido por um médico especialista após avaliação clínica completa.

Fernanda Souza Peruzzato

Especialidade: Embriologista
CRM: CRBM-5 0934

CRBM-5 0934 Embriologista Biomédica (CRBM-5 0934) formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Possui experiência e habilitação profissional nas áreas de Genética e Reprodução Humana. Em 2012, concluiu o Master em Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida pela Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva SPMR (Projeto ALFA/SP). Atualmente está cursando o Curso de Embriologia Clínica […]

Perguntas Frequentes

O que é um blastocisto?

O blastocisto é o estágio mais avançado de desenvolvimento que um embrião atinge antes de ser transferido para o útero. Ele se forma entre o quinto e o sétimo dia após a fecundação e é composto por duas populações de células: uma que origina o bebê e outra que forma a placenta.

Por que nem todos os embriões chegam ao blastocisto?

Porque nem todo embrião tem potencial de desenvolvimento completo. Embriões que param de se dividir antes de atingir o blastocisto provavelmente apresentavam alterações que impediriam a implantação ou o desenvolvimento de uma gestação saudável. É uma filtragem natural, que aconteceria de qualquer forma, inclusive em uma gravidez espontânea.

Um blastocisto de boa qualidade garante a gravidez?

Não. A qualidade morfológica do blastocisto é um fator importante, mas não é o único. A receptividade do endométrio, a idade da paciente e o histórico clínico também influenciam o resultado. Ter um blastocisto de boa classificação é um avanço significativo no tratamento, não uma garantia.

O que significa a classificação 5AA, 3BC ou semelhantes?

É a forma como a equipe de embriologia avalia a qualidade do blastocisto. O número indica o grau de expansão (de 1 a 6),a primeira letra avalia as células que formarão o bebê e a segunda avalia as células que formarão a placenta. As letras variam de A (excelente) a C (qualidade reduzida). Blastocistos com classificações mais modestas também podem resultar em gestações bem-sucedidas.

É sempre melhor transferir no estágio de blastocisto?

Na maioria dos casos, sim. Mas quando o número de embriões disponíveis é reduzido, a equipe pode optar pela transferência mais precoce, no terceiro dia, para não arriscar que nenhum embrião chegue ao blastocisto em laboratório. Essa decisão é sempre individualizada.

O que é o hatching do blastocisto?

É o processo em que o blastocisto rompe a membrana que o envolve, chamada zona pelúcida, para iniciar a implantação no endométrio. Em alguns casos, a equipe de embriologia pode realizar o hatching assistido, uma abertura controlada dessa membrana para facilitar esse processo.

A biópsia para análise genética compromete o blastocisto?

Não. As células retiradas para o Teste Genético Pré-Implantacional (PGT-A) vêm do trofectoderma, a camada externa do blastocisto que formará a placenta, e não da estrutura que origina o bebê. Quando realizada por embriologistas experientes, a biópsia não compromete o potencial de desenvolvimento do embrião.