Prostatite: o que é e como pode afetar a fertilidade masculina

Publicado em: 24 de Janeiro de 2014

Prostatite: o que é e como pode afetar a fertilidade masculina

A prostatite é uma infecção que afeta a próstata e pode ser a causa da infertilidade masculina. É uma condição mais comum em homens com menos de 50 anos.

A próstata é uma glândula masculina localizada abaixo da bexiga. Ela tem a função de produzir um líquido rico em nutrientes (cálcio, zinco, fosfato, etc.) para os espermatozoides, chamado líquido prostático, que constitui o fluido seminal. Ela também produz o PSA (o mesmo que é dosado em homens mais velhos para o rastreamento de câncer de próstata), que é uma substância responsável por deixar o sêmen mais líquido para facilitar o movimento dos espermatozoides.

Durante a relação sexual, é o líquido prostático que neutraliza a acidez vaginal, permitindo que os espermatozoides permaneçam vivos por mais tempo nas estruturas internas do útero.

O que causa a prostatite?

Normalmente, a infecção que prejudica o órgão é causada por bactérias (principalmente a Escherichia coli, a mesma que causa as infecções urinárias). Ela pode se manifestar como uma dor na região genital ou para urinar, aumento da frequência de idas ao banheiro e febre. Pode ser, também, uma doença crônica (que dura alguns meses) e que se manifesta com uma dor na bacia (dor pélvica), disfunção erétil, presença de sangue no sêmen, dentre outras condições. Muitas vezes, a dor do paciente pode dificultar ou impedir o exame físico realizado pelo médico.

A relação sexual é uma das maneiras de o homem ser contaminado e desenvolver uma prostatite. Também é uma forma de transmitir a bactéria para a mulher, caso ela já esteja alojada no líquido que é ejaculado.

A próstata está localizada em uma região muito próxima da bexiga. Inclusive, a urina, para ser expelida, passa pelo canal existente dentro da próstata. Da mesma forma, o canal que transporta o esperma também faz o caminho pela parte interna do órgão. Como a infecção aumenta a temperatura na região e os espermatozoides são sensíveis a essas alterações, não resistem e perdem a vitalidade necessária para sair e chegar até o óvulo.

O que é observado pelo médico durante o diagnóstico

Para diagnosticar a prostatite, além do histórico do paciente e do exame físico, é importante realizar o exame de urina e verificar se há bactérias no sêmen. O toque retal, utilizado mais frequentemente no diagnóstico do câncer de próstata, e a análise do PSA também são feitos para detectar o aumento da próstata. Como última alternativa, o médico pode solicitar que o homem faça uma biopsia do órgão.

A reação do homem ao exame de toque retal é um forte indicativo da existência de infecção. Alguns homens sentem dor quando o toque é feito. Após realizar o exame, alguns comentam, ainda, que sentem vontade de urinar. Essas duas reações são um indicativo de que é a prostatite o possível motivo da infertilidade masculina.

A presença da infecção leva a uma diminuição na produção e qualidade do líquido gerado na próstata. Uma das razões principais é a presença de muitos radicais livres, que são substâncias danosas às células, que podem dificultar a reprodução.

A próstata prejudicada por uma infecção aumenta de tamanho (incha), e isso, consequentemente, reduz o espaço disponível para a passagem do sêmen pelos ductos. É por isso, também, que surgem os sintomas urinários, como dificuldade para eliminar a urina completamente, aumento do número de vezes que é preciso ir ao banheiro e a sensação de dor.

O incômodo não chega a ser incapacitante. Os momentos em que o desconforto surge com maior clareza é quando o homem anda de bicicleta, motocicleta ou realize qualquer atividade com cela (usada em cavalos).

Em homens jovens com prostatite, é possível observar, no espermograma, a presença de diversas células inflamatórias. Às vezes, os exames são a única forma de detectar a razão pela qual um homem não consegue gerar um filho, pois além dessa dificuldade, não há nenhum outro sinal que indique que a causa do problema é a prostatite. Em muitos homens, a infecção é assintomática.

Efeitos da prostatite

A prostatite pode levar, também, à ejaculação precoce, à ejaculação retardada, à não ejaculação e à dificuldades com a ereção. O tratamento dessa condição, feito com antibióticos e anti-inflamatórios, costuma melhorar a eventual disfunção sexual e a infertilidade provocada por ela. Por isso, é importante levar em consideração a possível infecção na próstata em pacientes inférteis e com sintomas, assim como é essencial procurar um médico especialista, para que seja feito o diagnóstico correto e tomado o devido cuidado.

Grande parte dos casos de prostatite dispensam completamente a realização de uma cirurgia para retirar a próstata. A resolução do problema é buscada com o uso de antibióticos, massagem prostática e de um laser de baixa intensidade.

O tratamento com remédios deve ser seguido por, no mínimo, 30 dias, tempo necessário para que o medicamento faça efeito, já que há uma dificuldade de o medicamento chegar até a próstata, em função da sua localização.

A terapia com laser é indolor e não invasiva. É recomendada por sua ação anti-inflamatória, bioestimuladora, regeneradora, analgésica, fortalecedora do sistema imunitário e facilitadora da microcirculação sanguínea.

É comum, no processo, alguns homens desistirem ou interromperem o tratamento.

Maneiras de a prostatite se manifestar

Outra coisa que pode acontecer com aqueles que seguem o tratamento é a prostatite deixar de ser aguda para tornar-se crônica. A infecção é difícil de tratar e, não bastasse isso, ela ainda se divide em tipos:

Prostatite bacteriana aguda

O homem que procura ajuda médica quando a prostatite ainda é aguda tem maior chance de se curar da infecção. Às vezes, o processo requer cuidados hospitalares quando o tratamento precisa ser por via endovenosa ou há obstrução intensa da urina.

Prostatite bacteriana crônica

O que determina que a prostatite é crônica é o fato de o tratamento ser realizado corretamente, mas alguns sinais persistirem. Por exemplo, a permanência do PSA alto, apesar de a administração do antibiótico já ter sido feita mais de uma vez. Nesses casos, não há o que fazer, além de acompanhar e observar.

Parte dos homens diagnosticados com prostatite bacteriana crônica pode desenvolver um distúrbio chamado azoospermia, ou seja, ter falta de espermatozoides no sêmen. O que causa essa ausência dos gametas no líquido que é ejaculado é a impossibilidade de o espermatozoide encontrar-se com o sêmen devido ao entupimento das vias da próstata, provocado pela infecção crônica.

Prostatite não bacteriana

Para tratar esse tipo de prostatite, o antibiótico pode, até, ser dispensado. Mesmo assim, ainda é a primeira opção, porque é difícil definir quando a infecção é, ou não, causada por bactéria. De qualquer forma, não é um problema o homem fazer uso do medicamento, considerando que muitos possuem propriedades anti-inflamatórias que contribuem para a recuperação.

Prostatodinia

É também conhecida como síndrome da dor pélvica crônica. Além disso, é a forma de prostatite que os homens têm com maior frequência. Caracteriza-se por aparecer em indivíduos que nunca sofreram uma infecção urinária. Sem causa estabelecida, a desconfiança é que o próprio retorno da urina pelo canal faça com que o homem desenvolva a prostatodinia.

O que fazer quando a prostatite afeta a fertilidade do homem

Devido à maneira como a prostatite compromete a saúde reprodutiva do homem, é muito difícil que ele consiga tornar-se pai pelas vias naturais. Isso não quer dizer, no entanto, que essa possibilidade está descartada.

Um homem pode ter um filho, mesmo tendo a próstata infeccionada, pois há técnicas de reprodução assistida que foram desenvolvidas para esse fim: transformar um homem em um pai, apesar das dificuldades.

O que o médico especialista em reprodução humana assistida indica para os homens com prostatite – e que enfrentam problemas de fertilidade por causa dela – é a realização da coleta do espermatozoide direto do testículo, por meio de uma punção.

A retirada do gameta é feita com o auxílio de uma agulha. O procedimento é conhecido como PESA (Punção do Epidídimo para Extração de Espermatozoide) e realizado com o homem sedado. Os médicos buscam coletar os espermatozoides móveis, pois a taxa de sucesso na Fertilização in Vitro é maior quando os gametas possuem boa motilidade.

São necessários, aproximadamente, 30 minutos para extrair os espermatozoides. Após a coleta, é recomendado ao homem que permaneça 24 horas em repouso.

A preparação para a punção requer a realização de alguns exames de imagem, como uma ultrassonografia para avaliar as condições dos testículos e do epidídimo, e de dosagem dos hormônios, como o FSH (folículo-estimulante). Nos homens, ele é essencial para a produção dos espermatozoides.

Uma vez coletados os gametas masculinos, é hora de promover o encontro de um deles com o óvulo. A junção dos dois é feita por intermédio da Injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI).

O que a injeção intracitoplasmática de espermatozoide tem de diferente para a fertilização in vitro convencional é a forma como o óvulo é fecundado. Na ICSI, o gameta masculino é introduzido diretamente dentro do óvulo.

Por um período, a fecundação é acompanhada para averiguar se o desenvolvimento dos embriões ocorre da maneira adequada. Somente depois disso (cerca de cinco dias), eles são transferidos para o útero da mulher com o apoio de um cateter específico.

Além da qualidade dos gametas masculino e feminino, há outros fatores que determinam o sucesso da fertilização. Um deles é a idade da mulher. As taxas de gravidez são mais altas entre as mulheres com idade inferior a 35 anos.

Isso ocorre devido a um fator biológico. As mulheres nascem com um número determinado de óvulos e, ao chegar na puberdade, elas começam a usar essa reserva, o que contribui para a diminuição da quantidade de gametas femininos que possuem.

Outra condição associada ao sucesso ou não da gravidez é a idade dos óvulos. Quanto mais aniversários a mulher comemora, mais velhos se tornam os gametas, já que elas nascem com eles e não produzem novos óvulos ao longo da vida. Isso pode dificultar a gravidez porque, quanto mais idade os óvulos vão adquirindo, menor se torna a qualidade deles.

Outro risco é o de ocorrer uma gravidez tardia, em que há a probabilidade de surgirem complicações durante a gestação. A saúde da mulher e a segurança do bebê é um ponto a ser observado, nesse caso.

Tudo isso precisa ser considerado quando se busca o tratamento para a infertilidade provocada pela prostatite. Dependendo do caso e da vontade de o homem tornar-se pai, o médico especialista pode recomendar outras maneiras de concretizar o desejo da paternidade. Algumas das alternativas é recorrer à doação de espermatozoides, por exemplo.

A doação é anônima e nenhuma outra pessoa precisa ser envolvida no processo, caso quem estiver realizando o tratamento assim o desejar. A decisão é pessoal, pertence a cada paciente e o código de ética médica garante o sigilo do profissional sobre a questão.

A prostatite pode evoluir para um câncer?

É importante lembrar que a prostatite não aumenta as chances de um homem desenvolver um câncer na próstata. A infecção e o tumor são doenças completamente diferentes.

A única coisa que pode-se afirmar que as duas condições detêm em comum é a alteração do PSA – como um indicativo da existência de alguma anormalidade que precisa ser investigada – e o exame de toque retal – que permite detectar a infecção.

O aparecimento da prostatite está diretamente relacionado aos hábitos de vida do paciente e aos cuidados adotados na relação sexual. Muitos dos agentes causadores da prostatite podem ser adquiridos a partir do sexo feito sem proteção.

Os fatores patológicos associados também influenciam no aparecimento da infecção, como o diabetes, as doenças cardiovasculares e a obesidade. Ter atenção a esses pontos evita que a saúde, principalmente a reprodutiva, seja danificada e o desejo do homem em tornar-se pai seja impedido pelos problemas de infertilidade.

Conteúdo atualizado em: 17 de Janeiro de 2018

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