Gravidez de múltiplos: o que é diferente para quem espera mais de um bebê ao mesmo tempo

Publicado em: 30 de setembro de 2015

Gravidez de múltiplos: o que é diferente para quem espera mais de um bebê ao mesmo tempo

A gravidez de múltiplos pode acontecer de duas formas:

  • quando existe a duplicação de um mesmo embrião: esses casos são chamados de univitelino ou monozigótico e os bebês são idênticos;
  • quando dois óvulos são fecundados, cada um por um espermatozoide: com a fecundação de óvulos diferentes, é como se duas gestações ocorressem ao mesmo tempo. Com isso, os gêmeos são diferentes, inclusive podem ser um casal.

Nos casos de gêmeos univitelinos, o fator que mais influencia são outros casos na família. Já as gestações gemelares por dois óvulos são as que podem acontecer mais raramente de forma natural, ou em quem realizou algum tratamento de reprodução assistida.

Os dados que registram o aumento no número de nascimento de gêmeos confirmam que as gestações resultantes das técnicas de reprodução humana tem, a cada dia, mais sucesso. O último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirma o crescimento de 28,5% no nascimento de gêmeos entre os anos de 2004 e 2014. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), das 12.750 mulheres grávidas por meio de fertilização in vitro (FIV) e inseminação artificial, cerca de 3.200 são gestações de múltiplos, ou seja, entre 25% e 30%.

É possível optar pela gravidez de múltiplos?

Esses índices são o reflexo de uma outra estatística: há 25% de chance de um casal se tornar pai e/ou mãe de gêmeos ao optar por conceber o bebê por meio da FIV. Isso significa que uma em cada quatro gestações originadas pela fertilização in vitro é de múltiplos. Naturalmente, a chance de uma mulher ficar grávida de gêmeos é 0,1%.

Há algum tempo, a probabilidade de uma mãe gestar dois bebês era maior por intermédio da FIV, devido ao número de embriões que eram implantados no útero. Era permitido transferir até quatro óvulos fertilizados para o útero das mulheres, independente da idade delas. Hoje, em uma tentativa de diminuir as estatísticas relacionadas ao número de gêmeos que nascem a partir do uso da reprodução assistida, a Resolução 2.168/2017, do Conselho Federal de Medicina (CFM), determina que:

  • mulheres de até 35 anos recebam, no máximo, dois embriões;
  • em mulheres com idade entre 36 e 39 anos, sejam transferidos até três embriões;
  • quatro embriões podem ser implantados no útero somente quando a mulher possuir acima de 40 anos.

Isso não é uma garantia definitiva de que a mulher não irá estar grávida de gêmeos após a implantação dos embriões. Pode ser que os dois se desenvolvam e o casal se torne pai e/ou mãe de dois bebês. Assim como há a possibilidade de a implantação dos embriões não resultar em gravidez. Não há como prever.

Por isso, por mais que o casal chegue ao consultório do especialista em reprodução humana querendo muito ter filhos gêmeos, dificilmente ele poderá tornar isso realidade. Primeiro, porque é contra as normas que regem a reprodução assistida no Brasil. Segundo, porque não existe forma de prever o que vai acontecer no organismo feminino após a conclusão da fertilização in vitro.

Sem contar que a gravidez de múltiplos tem um risco maior para o surgimento da hipertensão e do diabetes gestacional. Além disso, pode ocorrer o nascimento prematuro dos bebês.

Cuidados básicos na gestação de múltiplos

A gravidez de múltiplos exige alguns cuidados básicos, a começar pelo acompanhamento pré-natal. Bem feito, ele irá conduzir a mulher para minimizar o risco de que aconteça o nascimento antecipado dos bebês, por exemplo. O parto prematuro pode levar os bebês a nascerem com baixo peso e a precisar de internação em UTI Neonatal até que conquistem estabilidade respiratória. Contudo, a permanência na unidade de tratamento intensivo não é uma realidade para todas as crianças, principalmente se tiver mais de dois quilos.

Algumas mulheres precisam de repouso a partir da metade da gestação. O obstetra será o responsável por avaliar o caso de cada mulher grávida e orientá-la sobre o que fazer. Em muitas clínicas, após a confirmação da gravidez, a assistência médica deixa de ser prestada pelo especialista em reprodução humana e passa a ser conduzida pelo médico obstetra de preferência do casal.

É decisão de ambos contar, ou não, para o médico obstetra que está realizando o acompanhamento pré-natal sobre a gravidez de múltiplos ser resultante de um tratamento em reprodução assistida. O casal pode conversar com o médico com quem fizeram o tratamento sobre a necessidade de revelar essa informação para receber uma orientação do que fazer. Alguns casais preferem manter sigilo a respeito do tratamento.

Há fatores que podem pesar nessa decisão. Por exemplo: no primeiro trimestre da gestação, é preciso que haja um cuidado maior, principalmente em função das diversas doses de remédios que a gestante recebeu no período do tratamento. Sem saber sobre ele, a conduta do obstetra com a paciente pode não ser a mais adequada para o caso.

Há que se lembrar, ainda, que todos os médicos são obrigados a seguir normas rígidas referente à ética e ao sigilo da profissão.

A gravidez de gemelares tem algo especial?

Quando uma mulher está gerando mais de um bebê ao mesmo tempo, o organismo passa por adaptações ainda mais intensas do que se fosse apenas um, principalmente em relação aos batimentos cardíacos, que ficam mais acelerados, e à respiração, que se torna mais curta e rápida. Grávidas de múltiplos também podem ver as mãos, rosto, pernas e pés incharem com mais facilidade.

É indicado um acompanhamento com um nutricionista, que irá elaborar um plano alimentar e dar dicas sobre hábitos que vão ajudar no desenvolvimento saudável da mãe e dos bebês.

Na gravidez de múltiplos, a mulher deve estar mais atenta aos sintomas nas últimas semanas de gestação e ficar preparada para o parto a partir da 34ª semana, principalmente quando são trigêmeos.

As técnicas de reprodução assistida permitem que casais que sofrem com a infertilidade possam identificar as causas do problema e realizar tratamentos que possibilitem a gravidez. Para saber mais sobre a fertilização in vitro baixe o e-book “Orientações gerais sobre o tratamento de Fertilização in Vitro” preparado pela Fecondare e tire suas dúvidas.

Conteúdo atualizado em: 26 de Abril de 2018

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