Quantas tentativas de FIV são necessárias até engravidar?

Quantas tentativas de FIV são necessárias até engravidar?

Não existe um número determinado de tentativas de FIV (Fertilização In Vitro) necessárias para engravidar. Algumas pacientes conseguem uma gestação após a primeira transferência embrionária, enquanto outras precisam de mais de uma. Além disso, uma única coleta de óvulos pode formar vários embriões e permitir diferentes transferências, sem que seja necessário repetir toda a estimulação ovariana. Por isso, mais importante do que contar tentativas é entender a chance cumulativa de sucesso de acordo com a idade, os embriões disponíveis e o histórico de cada paciente.

Uma tentativa de FIV é o mesmo que uma transferência de embrião?

Não, e essa distinção é fundamental para entender o tratamento com mais clareza.

Um ciclo completo de FIV começa com a estimulação ovariana, passa pela coleta dos óvulos, pela fertilização em laboratório e pelo cultivo embrionário. Ao final desse processo, podem estar disponíveis um ou vários embriões. Esses embriões podem ser transferidos para o útero imediatamente, no chamado ciclo fresco, ou vitrificados para transferências futuras.

Isso significa que, em muitos casos, uma única coleta gera embriões suficientes para mais de uma transferência. Quando a primeira transferência não resulta em gravidez, a paciente pode realizar uma nova transferência com um embrião já criopreservado, sem precisar passar por nova estimulação ovariana.

A confusão entre esses conceitos é muito comum e pode distorcer as expectativas sobre o que significa “uma tentativa” de FIV.

Veja como funciona o processo completo de FIV na Fecondare.

Como funciona a taxa de sucesso cumulativa da FIV?

As taxas de sucesso da FIV são geralmente apresentadas por transferência embrionária individual. Para mulheres com menos de 35 anos, as taxas de nascidos vivos por transferência chegam a 40% em condições favoráveis, e diminuem progressivamente com o avanço da idade.

Mas a métrica mais relevante para quem está em tratamento é a taxa cumulativa, que considera o resultado acumulado ao longo das diferentes transferências realizadas com os embriões obtidos em uma coleta ou ao longo de múltiplos ciclos. À medida que existem novas oportunidades de transferência, aumenta a probabilidade cumulativa de alcançar uma gestação e, dependendo do desfecho analisado, um nascimento. Isso não significa, porém, que a chance individual de cada transferência aumente.

É importante compreender, no entanto, que a chance cumulativa cresce à medida que novas oportunidades de transferência são realizadas. Isso não significa que a probabilidade de cada transferência individual necessariamente aumente. O resultado de cada transferência depende da qualidade do embrião transferido, das condições uterinas naquele momento e de fatores que nem sempre são totalmente conhecidos.

Por que a FIV pode não funcionar na primeira transferência?

A implantação embrionária é um processo complexo e multifatorial. Na maioria das vezes, quando uma transferência não resulta em gravidez, não é possível determinar com precisão por que aquele embrião específico não se implantou.

Entre os fatores que podem influenciar o resultado estão:

  • Qualidade embrionária: nem todos os embriões formados têm potencial de implantação, independentemente de sua aparência morfológica. Alterações cromossômicas, mais frequentes em mulheres acima dos 35 anos, são responsáveis por parte das falhas. Saiba mais sobre a análise genética do embrião.
  • Condições uterinas: alterações estruturais, infecções ou condições como adenomiose podem criar um ambiente menos favorável para a implantação
  • Fatores não identificados: em muitos casos, não há uma causa clara. A implantação envolve uma interação complexa entre embrião e endométrio que a medicina ainda não consegue prever ou controlar inteiramente

Uma transferência que não resultou em gravidez não permite, por si só, concluir o que acontecerá na próxima. 

O que determina as chances de sucesso em cada tentativa?

Alguns fatores têm impacto direto sobre as perspectivas de sucesso ao longo do tratamento:

Idade da mulher

É o fator com maior influência nas taxas de sucesso da FIV. Quanto mais jovem a mulher no momento da coleta, melhor tende a ser a qualidade dos óvulos e dos embriões, e maiores as chances de sucesso por transferência. Em mulheres acima dos 40 anos, a taxa de sucesso por transferência cai de forma significativa.

Causa da infertilidade

A causa da infertilidade orienta as expectativas e o planejamento do tratamento. Algumas condições respondem melhor à FIV do que outras, e esse contexto é parte importante da conversa entre médico e paciente antes de iniciar o tratamento.

Número e qualidade dos embriões disponíveis

Casais que produzem embriões de boa qualidade em um ciclo têm mais oportunidades de transferência sem necessidade de nova estimulação ovariana. Cada embrião criopreservado representa uma oportunidade futura dentro do mesmo ciclo de coleta.

O que a equipe avalia depois de uma FIV que não deu certo?

Após uma transferência sem resultado, o primeiro passo é sempre conversar com a equipe médica sobre o que foi observado: quantos embriões ainda estão disponíveis, como foi a qualidade do embrião transferido e quais são as perspectivas para as próximas etapas.

Nem toda falha exige mudança de protocolo ou acréscimo de exames. Em muitos casos, a conduta mais adequada é simplesmente realizar uma nova transferência com um embrião já disponível, sem intervenções adicionais. A decisão de aprofundar a investigação, quando indicada, é tomada pelo médico com base no histórico clínico completo e no número de transferências já realizadas sem resultado.

Quando há indicação de investigação adicional, ela pode incluir avaliação da cavidade uterina, pesquisa de condições que possam comprometer a implantação ou, em casos selecionados, análise genética dos embriões. Vale destacar que o teste genético pré-implantacional (PGT-A) pode auxiliar na seleção embrionária em situações específicas, mas não tem benefício universal comprovado em aumentar a taxa cumulativa de nascidos vivos para todas as pacientes. Sua indicação depende do perfil clínico de cada caso.

Existe um número máximo de tentativas de FIV?

Não existe um número universal. O planejamento depende da idade da paciente, da resposta ovariana, do número de embriões obtidos, do histórico das transferências realizadas, das condições clínicas e dos objetivos de cada casal.

O que existe é uma avaliação contínua entre médico e paciente sobre as perspectivas de cada caso. Essa conversa é atualizada ao longo do tratamento, com base nos dados disponíveis, e leva em conta tanto as informações clínicas quanto o contexto de vida de cada família. Não há um limite fixo a partir do qual o tratamento deva necessariamente ser encerrado, mas há momentos em que a equipe e o casal precisam reavaliar juntos as perspectivas e os próximos passos.

Como lidar com a ansiedade entre uma tentativa e outra?

O período de espera entre a transferência e o resultado é, para muitas pacientes, o momento mais difícil de todo o tratamento. A ansiedade, o medo do resultado negativo e o desgaste emocional acumulado são respostas esperadas em uma situação genuinamente difícil.

Na Fecondare, o acompanhamento psicológico faz parte da estrutura do tratamento desde o início, não como recurso de emergência, mas como suporte contínuo ao longo de cada etapa. Saiba como o apoio psicológico pode ajudar casais em tratamento de reprodução assistida.

Na FIV, um resultado negativo não permite prever sozinho o que acontecerá na próxima transferência. O mais importante é compreender o resultado dentro do conjunto do tratamento: quantos óvulos foram obtidos, quantos embriões se desenvolveram, se ainda existem embriões criopreservados e quais fatores clínicos precisam ser considerados. É a partir desse cenário que a equipe consegue conversar com a paciente sobre as perspectivas reais e quais podem ser os próximos passos.

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Conteúdo revisado por Dra. Fernanda Souza Peruzzato — Embriologista e Diretora de Laboratório | CRBM-5 0934 | Clínica Fecondare, Florianópolis/SC.

Este artigo tem finalidade exclusivamente educativa. O tratamento indicado para cada caso deve ser definido por um médico especialista após avaliação clínica completa.

Fernanda Souza Peruzzato

Especialidade: Embriologista
CRM: CRBM-5 0934

CRBM-5 0934 Embriologista Biomédica (CRBM-5 0934) formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Possui experiência e habilitação profissional nas áreas de Genética e Reprodução Humana. Em 2012, concluiu o Master em Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida pela Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva SPMR (Projeto ALFA/SP). Atualmente está cursando o Curso de Embriologia Clínica […]

Perguntas Frequentes

A FIV funciona na primeira tentativa?

Para algumas pacientes, sim. Para outras, são necessárias mais transferências. Não existe uma regra, e a variabilidade depende de fatores clínicos individuais como idade, qualidade embrionária e condições uterinas.

Se a transferência não funcionou, preciso repetir toda a estimulação ovariana?

Não necessariamente. Se ainda há embriões criopreservados da mesma coleta, é possível realizar novas transferências sem repetir a estimulação. A necessidade de um novo ciclo completo depende do número de embriões disponíveis.

Quantos embriões são transferidos por tentativa?

Em geral, a transferência de embrião único é a estratégia mais recomendada para reduzir o risco de gestação múltipla sem comprometer as taxas de sucesso. A decisão é sempre individualizada.

O teste genético dos embriões aumenta as chances de engravidar?

Em casos selecionados, pode auxiliar na escolha do embrião a ser transferido. No entanto, não há benefício universal comprovado para todas as pacientes. A indicação é definida pelo médico com base no histórico clínico.

Quanto tempo devo esperar entre uma transferência e outra?

O intervalo depende do protocolo e das condições clínicas da paciente. Em transferências de embriões congelados, o intervalo costuma ser menor do que em ciclos com nova estimulação ovariana. O médico orienta o momento mais adequado para cada situação.