Fertilização in vitro e laqueadura são compatíveis

Publicado em: 19 de novembro de 2014

Fertilização in vitro e laqueadura são compatíveis

Muitas mulheres fazem laqueadura tubária, uma forma segura de evitar a gravidez sem utilização de pílulas anticoncepcionais e mais tarde se arrependem por diversas razões. A mais comum é a mudança de parceiro e o desejo de ter um filho com o novo companheiro.

Dessa forma, a tranquilidade de não estar sujeita à uma gravidez indesejada que antes existia, na nova situação conjugal dá lugar ao sentimento de infertilidade, quando a mulher já faz parte de uma faixa etária em que os tratamentos disponíveis nem sempre geram os resultados esperados.

As mulheres que se submeteram à laqueadura tubária têm duas opções para voltar a ter filhos: a reanastomose tubária microcirúrgica – uma cirurgia que procura reverter a laqueadura – ou a fertilização in vitro, com transferência de embriões. Vamos analisar as duas alternativas com base em um estudo feito por professores do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da USP.

A reversão da laqueadura

A reversão da laqueadura ou reanastomose tubária pode ser feita via abdominal ou por laparoscopia. Os índices de sucesso na retomada da fertilidade apresentam um amplo espectro de variação que vai de 30% a 80% para laqueaduras com mais de 5 anos e pode chegar a 83% para laqueaduras mais recentes, após 18 meses da cirurgia. As grandes diferenças entre os dados da literatura médica sobre a reversão devem-se às condições individuais do organismo, bem como à diferença de idade das mulheres que foram analisadas, principalmente com fatores ligados à integridade das trompas de falópio.

Os professores da USP afirmam que os resultados da reversão de laqueadura tubária estão ligados à integridade anatômica e funcional das trompas, sendo indicada uma avaliação cuidadosa das pacientes que desejam se submeter a este método para ter filhos novamente, já que o sucesso da cirurgia depende de condições previamente existentes. Outro fator que deve ser levado em consideração para escolher esta alternativa é a idade da paciente, já que com o avanço da idade a diminuição da fertilidade feminina é progressiva.

A alternativa da fertilização in vitro

Caso a mulher não possa ser submetida à reversão da laqueadura ou não tenha sucesso nessa tentativa outra alternativa é a fertilização in vitro com transferência de embriões. A decisão também depende de diversos fatores, como a faixa etária da paciente, a ocorrência simultânea de outros fatores de infertilidade e das condições de saúde da paciente.

O estudo do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da USP evidenciou diferença entre as respostas à indução da ovulação, as taxas de fertilização e de clivagem, o número de embriões transferidos e as taxas de gravidez clínica por ciclo transferido, entre as pacientes anteriormente submetidas à laquedura tubária e o grupo de controle cujo motivo de infertilidade era apenas um índice de infertilidade leve do parceiro. A análise conjunta dos dados, de acordo com os resultados do estudo que foram publicados, indicou que a laqueadura tubária não interfere nos resultados da fertilização in vitro, o que esclareceu uma dúvida pouco abordada até então na literatura médica.

Foram confirmados dados conseguidos pelo professor e pesquisador Sitko, cujos resultados também não apontaram para diferenças no número de embriões transferidos e nas taxas de gravidez obtidas através da fertilização in vitro com transferência dos embriões, quando fazem a comparação entre pacientes que tiveram laqueadura tubária com mulheres portadoras de infertilidade secundária não submetidas à laqueadura.

A conclusão dos estudos é que a laqueadura tubária não interfere nos resultados da fertilização in vitro e da transferência de embriões e que as mulheres previamente submetidas à laqueadura tubária com idade superior a 35 anos apresentam pior resposta à indução da ovulação que as mais jovens. Por outro lado, o estudo revelou também que a reversão da laqueadura (reanastomose tubária microcirúrgica) apresenta melhor prognóstico em mulheres mais jovens, situadas na faixa etária até 35 anos.

Dessa forma, os dois procedimentos não são competitivos. Pelo contrário, de acordo com a avaliação dos estudiosos, os procedimentos se apresentam como complementares, sendo que a decisão conjunta entre médico e paciente, levando-se em consideração todas as condições estudadas é o melhor caminho para decidir qual o melhor procedimento em cada caso.

Fonte:

Estudos: Resultados de fertilização in vitro em mulheres submetidas previamente à laqueadura tubária – Rev. Bras. Ginecol. Obstet. vol.28 no.12 Rio de Janeiro Dec. 2006; conduzidos porPós-Graduandos do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP – Ribeirão Preto (SP), Brasil, Rosana Reis, George Dantas, Paula Andrea Salles Navarro, Carlos Henrique Medeiros,Wellington Martins, Rui Alberto Ferriani, Marcos Felipe Silva de Sá.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-72032006001200005

Conteúdo atualizado em: 13 de Fevereiro de 2017

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