Criopreservação: regras e limites

Publicado em: 28 de Janeiro de 2016

Criopreservação: regras e limites

A maioria dos casais que procura a reprodução assistida se depara com muitas dúvidas quanto aos procedimentos, principalmente com relação à criopreservação. Esses casais precisam de informações seguras para se sentirem confiantes quanto ao que realmente acontece nestes momentos e quais as soluções possíveis que podem ser utilizadas.

O total esclarecimento do casal em relação aos procedimentos técnicos é muito importante, bem como a informação sobre alternativas, riscos e chances de sucesso. As regras éticas e morais são definidas através de resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), pois não há outra lei no país que regulamente a reprodução assistida. É importante saber que a criopreservação, embora recente em termos de ciência, tem demonstrado sua eficácia.

 

Preservando óvulos para o futuro

O congelamento ou criopreservação é um procedimento prévio, com vistas a uma utilização futura. Um dos pontos a esclarecer sobre esse assunto é que quando o paciente decide fazer congelamento para utilizar em uma inseminação futura, apenas o óvulo é congelado e não o embrião já fecundado como supõem algumas pessoas.

A capacidade de armazenamento é praticamente ilimitada e o material é acondicionado em containers de nitrogênio líquido a uma temperatura de -170° C. Esta temperatura é tão extrema na sua capacidade de conservação que o material pode ficar armazenado por tempo indeterminado. Estudos demonstram que não há limite de tempo para uma conservação de material orgânico em tão baixas temperaturas.

 

Criopreservação dos embriões excedentes

Durante o processo de tratamento de Fertilização In Vitro (FIV) existe a possibilidade de se obter mais embriões do que aqueles que são necessários para realizar a transferência para o útero. Nessa situação, os embriões excedentes podem ser congelados e, caso seja esta a opção, utilizados posteriormente.

Em alguns casos, pode haver impedimentos para a transferência imediata do embrião fecundado para o útero, como quando há risco de síndrome da hiperestimulação dos ovários, por exemplo, então é recomendado o congelamento da totalidade dos embriões.

A estimulação dos ovários, embora não seja obrigatória, tem demonstrado sua eficiência, pois a presença de dois ou três ovócitos aumenta a chance de fecundação, aumentando, consequentemente, a probabilidade de uma gestação múltipla.

O congelamento de óvulos é indicado em casos em que a mulher está em tratamento de câncer ou qualquer outro quadro de saúde que a impeça de desenvolver a gestação naquele momento. O congelamento garante a preservação da possibilidade de reprodução.

Não existe nenhuma diferença nas probabilidades de fecundação por um embrião recém-fecundado ou por um embrião congelado durante certo tempo.

 

Regras do CFM para descarte

Em 2013, o CFM voltou a atualizar a resolução sobre os procedimentos de reprodução assistida no Brasil. A revisão anterior tinha sido feita em 2010, depois de permanecer sem alterações por mais de 20 anos. A idade máxima da mulher para ser submetida a tratamentos de fertilidade ficou estabelecida em 50 anos, no máximo, e até então não havia limite.

Sobre o descarte ficou definido que, após 5 anos, os embriões congelados podem ser doados para fins de pesquisas ou para servir a outros pacientes ou então devem ser descartados. Só poderão permanecer criopreservados por mais de 5 anos com a expressa vontade dos pacientes, que assumirão total responsabilidade pela decisão. Já com relação aos óvulos e espermatozoides congelados e não utilizados pelo paciente eles podem ser descartados normalmente.

Conteúdo atualizado em: 12 de julho de 2017

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