E quando os abortos de repetição são inexplicados?

Publicado em: 22 de setembro de 2012

E quando os abortos de repetição são inexplicados?

Quando não é possível achar uma razão para os abortos de repetição (AR), alguns aspectos devem ser observados. É normal que até 50% deles fiquem sem diagnóstico, ou seja, não se ache uma “doença” que possa ser responsabilizada. Isso acarreta uma grande desalento para a paciente que não compreende a situação ou não a aceita, já que não haveria motivo explícito. Também para o médico acarreta frustração, pois ele fica sem saber como prosseguir com o tratamento.

É importante destacar que, na grande maioria das vezes, as mulheres que estão nessa condição ainda podem engravidar espontaneamente, sem tratamento algum, por isso é considerado um bom prognóstico. Há estudos aprofundados que visam entender por que abortos de repetição inexplicados ocorrem e saber até que ponto são resultado de uma doença de base que não pôde ser detectada até então ou de uma mera casualidade.

Neste contexto as mulheres podem ser classificadas em dois tipos. O tipo 1 faz referência àquelas que realmente abortam por obra do acaso, não possuindo alteração biológica de qualquer natureza. O tipo 2 se refere àquelas alterações patológicas que não conseguem ser identificadas na avaliação médica usual, mas que, na verdade, existem e poderiam ser responsáveis pelos abortos. Mas como classificar a paciente? Alguns parâmetros devem ser levados em consideração.

A grande maioria (aproximadamente 60%) das implantações do embrião no útero, que poderiam resultar em uma gestação normal, é perdida espontaneamente e a mulher nem fica sabendo que esteve grávida. Isso é normal na natureza humana. Ainda assim, essas gravidezes poderiam ter sido diagnosticadas se tivessem sido submetidas a teste laboratorial. Pela avaliação médica, a gestação pode ser diagnosticada após algumas semanas por meio de sintomas e achados de exame físico. Se esta gestação clinicamente evidente resultar em um aborto, as chances de se ter um processo patológico envolvido são maiores do que no caso anterior. Assim, o momento da gestação é o primeiro fator a se considerar na hora de classificar a mulher:  momento precoce ou já clinicamente evidente.

Quanto mais jovem a mulher, maior a chance de seu aborto resultar de algum distúrbio (que no caso não consegue ser identificado), sendo a idade, portanto, um segundo parâmetro. Também devemos considerar a quantidade de abortos prévios que a paciente já possa ter sofrido, porque quanto maior é esse número, menor a chance de ser uma perda meramente casual. Por último, é importante saber o cariótipo, ou seja, o conjunto de cromossomos do concepto que foi abortado. Exame normalmente solicitado após 2 ou mais perdas recorrentes. Se ele era normal, é mais provável que alguma doença de base tenha influenciado no término desta gestação.

As causas que não conseguem ser diagnosticadas podem ser as mais diversas. Existem fatores relacionados ao estilo de vida sabidamente associados ao AR. Atualmente está se estudando até mesmo mulheres que são “tão férteis” – por uma alteração dentro do útero – que permitiriam a implantação de embriões ainda “mal formados” acarretando o posterior aborto. No contexto geral da avaliação da paciente, a classificação entre tipos 1 e 2 poderia ser muito útil na orientação do suporte e tratamento, de modo que eles seriam efetuados de forma mais específica e, portanto, mais eficaz. Seria uma maneira de nortear melhor o especialista e o casal que ainda possuem poucas ferramentas para lidar com esta condição.

Conteúdo atualizado em: 3 de Maio de 2017

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