11/04/2019

Como identificar o HPV?

O HPV (sigla em inglês para Papilomavírus Humano) é uma infecção sexualmente transmissível, que pode atingir tanto o sexo masculino quanto o feminino.

O contágio se dá principalmente por contato sexual, sendo considerada essa uma doença sexualmente transmissível (DST), embora a infecção também pode se dar pelo do contato direto com a pele ou a mucosa já infectada. Em casos mais raros, o HPV é transmitido durante o parto, da mãe para o feto.

Mas, caso haja a infecção pelo vírus, qual a melhor opção de tratamento? Os sintomas são nítidos e bem específicos? Será que é possível evitar o contato com o vírus?

É o que veremos nesse artigo, acompanhe:

Como ocorre a transmissão do HPV

A transmissão do vírus se dá de 3 formas principais. Confira quais são elas!

Relações sexuais

A principal via de transmissão do HPV é através de relações sexuais sem o uso de preservativo. Como o vírus é transmitido pelo contato direto da pele ou mucosas do paciente infectado, qualquer forma de contato sexual, seja oral, genital ou anal, é capaz de transmitir o HPV. O contato manual com o local afetado pelo vírus também pode gerar a transmissão, sendo que não é necessário haver penetração para que ele seja transmitido.

Gravidez

Como citamos no início do artigo, em alguns casos raros, a transmissão ocorre da paciente portadora do HPV à criança no momento do parto, quando o bebê tem algum tipo de contato com as lesões da mãe. O HPV não é um vírus que circula na corrente sanguínea, portanto, não há chances de o bebê ser infectado quando ainda está no útero.

Autoinfecção

Quando o paciente já está infectado, pequenos ferimentos na pele ou mucosas podem servir como porta de entrada para que o vírus se espalhe para outras partes do corpo. 

Como identificar os sintomas do HPV  

Segundo o INCA, apenas 5% das pessoas infectadas pelo HPV apresentam sintomas. Por isso, como a manifestação de sintomas é rara, é possível que o vírus permaneça latente por muito tempo. 

Entretanto, isso acaba levando a uma baixa da capacidade imunológica do organismo, desencadeando a multiplicação do vírus e, consequentemente, o aparecimento das lesões. 

Como são essas lesões?

As lesões provocadas pelo HPV aparecem como verrugas no ânus e na região genital, podendo causar coceira, mesmo esta não sendo uma questão predominante. Aparecem ainda em única manifestação ou em mais partes do corpo, assim como podem possuir diversos tamanhos e características.

As lesões podem ser clínicas ou subclínicas. As lesões subclínicas não são capazes de serem vistas a olho nu, mas podem ser encontradas nos mesmos locais das lesões visíveis. 

Já as lesões clínicas são nítidas e quando aparecem tendem a acometer, principalmente, as seguintes regiões:

  • pênis;
  • bolsa escrotal;
  • região pubiana;
  • região perianal;
  • vulva;
  • vagina;
  • colo do útero;
  • ânus;
  • áreas extragenitais como mucosa nasal, oral e laríngea.

De maneira geral, as lesões podem tanto ser desencadeadas por tipos de HPV viral oncogênico, como por tipos do vírus que não causam o risco de desenvolvimento de câncer. 

Da mesma forma, o câncer desenvolvido pelo HPV também pode não apresentar sintomas. Por isso, é importante identificar a presença do vírus precocemente, facilitando a eficácia do tratamento. 

Quais são os tipos de HPV?

Atualmente, cerca de 150 tipos de HPV já foram identificados e sequenciados geneticamente, mas existem mais de 200 variações do vírus. Dentre esses tipos, apenas 14 podem causar lesões que originam algum tipo de câncer e cerca de 60 são responsáveis por causar verrugas comuns na pele, sem indicar uma possibilidade de câncer. 

HPV e câncer: qual a relação?

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), existem inúmeros tipos diferentes de HPV, sendo mais de 40 as variações que atingem o trato ano-genital.

Em alguns casos, a infecção pelo papilomavírus humano tende a regredir espontaneamente, mas em outras situações o problema persiste e se agrava. 

Por exemplo, na maioria das vezes, quando a infecção é oriunda de um tipo de HPV viral oncogênico, isso significa que algumas lesões irão surgir após o contato com o vírus e caso não sejam tratadas corretamente, podem progredir para o câncer. 

Dentre os tipos de câncer que o HPV causa, podemos citar, principalmente:

Como pode se perceber, os cânceres causados pelo HPV estão relacionados aos órgãos reprodutores e, consequentemente, podem afetar a fertilidade dos doentes. Por isso, é importante realizar o diagnóstico precoce.

Como é feito o diagnóstico de HPV?

Como o aparecimento de sintomas da infecção pelo HPV não é considerado uma maneira eficaz de identificar a infecção pelo vírus, é importante que as pessoas com vida sexual ativa façam visitas a um urologista ou ginecologista com periodicidade.

Dessa maneira, o especialista solicitará exames para a identificação do vírus. Tanto em homens quanto em mulheres, o vírus pode ser identificado por meio de diferentes exames. Confira.

O teste de hibridização molecular ou captura hídrica são métodos eficientes para identificar o vírus, já que há análise dos genes do vírus, sendo possível identificar o subtipo do papiloma vírus humano e, assim, realizar o tratamento mais adequado. O exame é feito por meio da coleta de uma pequena parte da lesão, que é enviada a um laboratório para análise. 

Quanto às lesões clínicas, podem ser diagnosticadas por uma análise clínica de um ginecologista, urologista ou proctologista. Em mulheres, o exame mais solicitado é o Papanicolau, capaz de identificar as lesões provocadas pelo vírus, apesar de não permitir a detecção do HPV. Por isso, exames complementares devem ser realizados.

No caso dos homens, as lesões podem ser identificadas por meio de um exame denominado peniscopia, devendo ser realizado por um urologista.

Já as lesões que não são visíveis a olho nu, podem ser confirmadas por exames laboratoriais ou mesmo por procedimentos que aumentam a visualização das lesões identificáveis a olho nu após a reação ao contraste.

Se o resultado der positivo significa que tenho câncer?

Não, necessariamente. Como citamos acima, apenas 14 tipos de HPV causam algum câncer. A possibilidade de um câncer só existe quando há alguma alteração no exame de Papanicolau, no caso da mulher, ou do exame de peniscopia, no caso dos homens. Quando isso ocorre, é necessário realizar exames mais específicos para avaliar se o paciente possui algum tipo de câncer.

Caso não haja alteração, significa que o paciente é portador do vírus, mas não apresenta nenhum tipo de alteração celular. Na maioria das vezes, o médico recomenda a realização de novos exames 12 meses depois. Em grande parte dos casos (cerca de 90%), os exames mostram que o vírus desapareceu. 

Tratamento

O tratamento pela infecção do HPV é individualizado, considerando a especificidade de cada paciente. Quando houver lesões, essas serão tratadas e removidas, quando não desaparecem naturalmente.

Além disso, a base do tratamento é medicamentosa, com estimuladores do aumento da imunidade.

É muito importante tratar a infecção pelo vírus HPV, já que a evolução do problema também pode causar infertilidade. Felizmente, hoje em dia, também é possível prevenir alguns tipos do vírus.

Vacina contra o HPV

A vacina contra o HPV mais eficaz disponível atualmente no Brasil é quadrivalente, ou seja, protege o indivíduo contra os quatro tipos mais incidentes de infecção pelo vírus (6,11,16 e 18). Entretanto, outros tipos de vacina já estão sendo testados pela Vigilância Sanitária.

A vacina já pode ser tomada por meninos e meninas a partir dos 9 anos de idade, quando a vida sexual ainda não se iniciou. A aplicação é feita em duas doses, respeitando o intervalo de seis meses entre as aplicações.

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Publicado por: Dr. Jean Louis Maillard - Ginecologista - Diretor técnico médico - CRM-SC 9987 , CRM-RS 13107 e RQE 5605
Diretor Técnico Médico CRM-SC 9987 , CRM-RS 13107 e RQE 5605 Ginecologista Formado na Faculdade de Medicina da PUCRS em 1983. Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital São Lucas da PUCRS. Precertopship de Histeroscopia com Dr. Jacques Hamou em 1986. Fellow nos Hospitais Tenon e Port Royal em Paris, nas áreas de laparoscopia […]

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Nosso material tem caráter meramente informativo e não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico, autotratamento ou automedicação. Em caso de dúvidas , consulte o seu médico.

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