A evolução científica e social em 40 anos de Reprodução Assistida

Publicado em: 23 de outubro de 2018

A evolução científica e social em 40 anos de Reprodução Assistida

Poucos nascimentos são tão lembrados como o de Louise Brown, o primeiro “bebê de proveta” do mundo. “Foi no dia 25 de julho de 1978, às 23 horas e 47 minutos”, recorda-se com exatidão Ricardo Nascimento, ginecologista especialista em Reprodução Assistida da Clínica Fecondare. O nascimento da bebê foi uma transformação paradigmática para o mundo científico e o contexto social, mudando o entendimento que se tinha sobre  como gerar uma vida.

A união dos gametas masculino e feminino realizada em ambiente laboratorial (in vitro) criou a Fertilização in Vitro (FiV) e possibilitou que a intervenção humana auxiliasse no processo de fecundação, constituindo, a partir de então, as técnicas de Reprodução Assistida. Por um lado, o nascimento de Louise foi motivo de celebração e, por outro, marcou o ponto de partida para essa área da saúde que desenvolve-se diariamente, lidando com questões científicas, éticas e sociais.

O impacto das técnicas pode ser vislumbrado pela quantidade de potenciais pacientes da Reprodutiva Assistida. De acordo com a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), cerca de 8 milhões de brasileiros podem ser inférteis e esses números podem aumentar se for considerado que pessoas com mais de 40 anos diminuem a cada dia suas chances de uma gravidez bem sucedida.

Por sinal, é a decisão de ter filhos tardiamente um dos fatores mais notórios que tem levado casais a optarem por alternativas de Reprodução Assistida. Assim, o contexto social é um dos componentes que influenciam o desenvolvimento da especialidade, buscando por respostas que atendam demandas atuais, como procedimentos para pacientes tratados para o câncer, casais homossexuais e pacientes mais idade.

A FiV, em especial, se tornou uma alternativa muito utilizada porque atende às necessidades de casais com mais de 35 anos que desejam ter filhos, o que colaborou para torná-lo o método mais conhecido, mas não é o único. Seu pioneirismo foi essencial para a criação de técnicas como a inseminação artificial e de tratamentos hormonais, que espalhou por todo o mundo a possibilidade, antes impensável, de que casais inférteis pudessem ter filhos.

 

Evolução e acessibilidade

Estima-se que existam hoje no mundo 8 milhões de pessoas que foram concebidas a partir da FiV. A disseminação foi possível graças à constante pesquisa que envolve a reprodução assistida, o que possibilitou o surgimento de novas técnicas e procedimentos auxiliares, gerando barateamento e maior acessibilidade.

“Os equipamentos foram aprimorados e outros surgiram, como o ultrassom transvaginal para retirar os óvulos, que proporciona mais conforto às mulheres, e a injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI), que permite a escolha e aplicação de espermatozoides saudáveis de homens com problemas de fertilidade. O ambiente para a cultura de embriões foi melhorado, aumentando as chances de gravidez”, enumera Dr. Ricardo.

O ginecologista da Clínica Fecondare explica que a técnica é apenas uma das opções disponíveis ao casal. “A FiV não é considerada de pronto, o casal passa por uma investigação, com uma série de exames, já que o seu tratamento pode ser resolvido com a prescrição de medicamentos, uma cirurgia ou inseminação artificial”. Sendo assim, a técnica é usada quando as outras opções não geram resultado.  

 

Opções de tratamentos se multiplicam

A ampliação dos tratamentos é percebida desde os testes de fertilidade, que vão guiar a equipe médica multidisciplinar sobre quais os procedimentos mais adequados para cada paciente ou casal. Com o espermograma, por exemplo, é possível avaliar a saúde dos gametas masculinos, enquanto a videohisteroscopia avalia a saúde do útero. O fator mais importante, tanto para eles quanto para elas, é a atenção ao tempo.

Pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp) relataram que mulheres com até 29 anos têm chance de 10% de abortamento espontâneo, taxa que sobe para 29% em pacientes com mais de 40 anos. No caso dos homens, os espermatozoides tendem a perder a qualidade conforme envelhecem. Fatores que transformam a busca pela gravidez uma corrida contra o relógio.

Como alternativa para lidar com essa corrida a opção é congelar o tempo, ou melhor: congelar óvulos e espermatozoides. Dr. Ricardo esclarece do se trata a técnica: “A criopreservação permite que gametas e embriões permaneçam saudáveis para serem utilizados posteriormente”. O método permite que pacientes que vão passar por tratamentos oncológicos tenham a chance de terem um filho que até pouco tempo eram mínimas.

 

Procedimentos de reprodução assistida crescem anualmente

A tendência é que pessoas que recorram aos procedimentos de Reprodução Assistida ampliem a cada ano. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) houve um aumento de 168,4% de FiV entre 2011 e 2017. Só no Brasil foram realizados 33.799 procedimentos em 2016, número que saltou para 36.307 em 2017. Atualmente a estimativa é de que sejam feitos 2 milhões de tratamentos de FiV por ano em todo o mundo.

Na Clínica Fecondare, que atende em Florianópolis, a FiV representa 35% dos procedimentos realizados em 2017, com 231 procedimentos. sendo seguido pela transferência de embriões descongelados (235), o congelamento de óvulos (169 procedimentos) e a inseminação intrauterina (31) Ambos os tratamentos aumentaram em relação ao ano de 2016.

A organização da vida contemporânea tem levado casais a optarem por ter filhos mais tarde e a Medicina Reprodutiva estará de portas abertas para apresentar diferentes possibilidades para colaborar com a geração de uma nova vida.

Conteúdo atualizado em: 23 de outubro de 2018

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