Zika vírus: o que considerar sobre a doença antes de decidir engravidar

Publicado em: 14 de janeiro de 2016

Zika vírus: o que considerar sobre a doença antes de decidir engravidar

Os casos de microcefalia, relacionados a infecção pelo Zika vírus, tem gerado muitas dúvidas nos casais que planejam ter um filho. A preocupação é com o risco de uma gravidez no atual momento. O receio é válido já que o Ministério da Saúde ainda investiga os casos. Portanto, como em tudo em Medicina, é preciso ter bom senso nas ações.

Você pode também conferir o site atualizado da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, “Gravidez em Tempos de Zika” para saber mais sobre o assunto.

Devemos engravidar?

A decisão sobre gerar um bebê pelas técnicas de reprodução humana assistida após o registro de 2.401 casos de microcefalia e 29 óbitos (até 12 de dezembro de 2015) tem de levar em consideração algumas questões. A primeira delas é a de que Santa Catarina não faz parte da zona epidêmica. O maior número de casos está concentrado nos estados das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Na região Sul, há apenas um caso sendo investigado no Rio Grande do Sul.

Ainda assim, é melhor aguardar uns meses para avaliar a evolução da incidência da doença. A recomendação do médico ginecologista da Fecondare, Dr. Jean Louis Maillard (CRM-SC 9987; CRM-RS 13107; e RQE 5605) é de que principalmente as mulheres com menos de 35 anos que estão usando contracepção e pensam em gestar neste momento, aguardem mais um tempo para conceber.

Já os casais inférteis, com idade acima dos 35 anos, que buscam os recursos da reprodução humana assistida para formar uma família podem dar continuidade ao processo, inclusive os que necessitam de ciclo de fertilização. Para estes, há a possibilidade de gerarem os embriões e deixá-los congelados até que a situação esteja realmente definida.

Devemos esperar para ter um filho?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a relação entre o Zika vírus e os casos de microcefalia ao mencionar o estudo brasileiro do Instituto Evandro Chagas, que revelou a presença do vírus em um bebê microcéfalo. O que falta é compreender a relação de causa e efeito. Por exemplo, uma pergunta sem resposta é se o vírus compromete o feto apenas nos três primeiros meses da gravidez ou em qualquer fase da gestação. Outras são se o risco do vírus atravessar a placenta é alto ou baixo, se ele é transmitido pelo leite materno e se uma infecção aguda pelo Zika no recém-nascido poderá produzir sequelas neurológicas. O que existe é a suspeita de que o vírus pode ser transmitido pelo sêmen.

Até que existam respostas mais concretas para essas e outras questões, adiar a gravidez por alguns meses é uma medida preventiva e evita que o feto seja exposto e a criança nasça com sequelas neurológicas que impactarão sobre a qualidade de vida dela própria e da família, que terá de ter assistência multiprofissional pelo resto da vida.

Só o Zika vírus causa microcefalia?

Muitas doenças virais podem levar à microcefalia, como a citomegalovirose, a toxoplasmose e a rubéola. Porém as causalidades destas já são conhecidas e para algumas já há formas de prevenção. Enquanto não surge um medicamento antiviral para o Zika que possa ser prescrito durante a gravidez sem riscos para o feto e sem ser tóxico para a mãe, a única forma de prevenir-se contra o Zika é evitar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da doença, e usar repelente.

Conteúdo atualizado em: 12 de julho de 2017

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