Cientistas desvendam envelhecimento dos óvulos

Publicado em: 23 de setembro de 2015

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Um estudo recente da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, afirma que  novas descobertas  no campo do DNA humano podem tornar possível aumentar o tempo de fertilidade da mulher para que ela possa gerar filhos até aproximadamente a idade de 50 anos, se a ciência conseguir controlar o dano ao DNA.

Oktay Kutluk, médico e professor da New York Medical College, figura entre os mais importantes pesquisadores do mundo em ciência reprodutiva. Seus trabalhos são publicados em diversas revistas científicas. Recentemente ele divulgou um estudo, publicado na Revista Science Translational Medicine que, de acordo com suas explicações, teria encontrado uma “teoria geral do envelhecimento reprodutivo”.

Como acontece o envelhecimento reprodutivo

Ao nascer, uma mulher tem aproximadamente um milhão folículos primordiais, as células que dão origem aos óvulos, mas só 500 deles chegarão a ser óvulos maduros (ovócitos) geralmente um por mês durante o período de vida fértil da mulher. Os outros sofrerão um processo natural de degradação e morrerão. A razão desta deterioração tem sido desconhecida da ciência.

O estudo a respeito do envelhecimento dos óvulos, desenvolvido pelo Dr. Oktay Kutluk, utilizou ovócitos humanos e também de camundongos (cobaias), confirmando que as alterações danosas ao DNA em ambos vai aumentando com a idade. Com o avanço da idade, os pesquisadores conseguiram relacionar também um declínio na manifestação de uma série de genes essenciais na reparação de danos no DNA, inclusive os genes classificados como BRCA1 e BRCA2.

A função destes genes, existentes em todos os seres humanos é fazer a reparação de danos em células e danos do DNA e, assim, manter o crescimento dos tecidos saudável. Se existirem mutações sua funcionalidade fica comprometida. Sabe-se já há algum tempo que a alteração destes genes aumenta o risco de câncer de mama nas mulheres. As mutações do BRCA1 também determinam na espécie humana uma perda mais rápida dos óvulos.

Mapeando a perda de funcionalidade dos óvulos

Os estudiosos expuseram à uma substância chamada peróxido de hidrogênio, conhecida pelo seu alto poder oxidante e que causa danos ao DNA, os óvulos de cobaias modificados para expressarem baixos níveis de genes que reparam o DNA. Confirmou-se o que era esperado: foram observados mais danos ao DNA nestes óvulos em comparação aos que não foram expostos à substância oxidante. Manejou-se óvulos de cobaias com idade mais avançada, aumentando sua expressão BRCA1 e houve uma resistência à exposição do agente oxidante parecida com a dos camundongos mais novos.

Segundo os pesquisadores da Universidade de Nova York, estas descobertas oferecem evidências novas de um novo processo para demonstrar que os óvulos humanos perdem a funcionalidade com a idade.

Preservar a reparação do DNA dos óvulos

O Dr. Oktay diz que na sequência das pesquisas deverá ser encontrado um tratamento capaz de auxiliar a preservar a eficácia dos mecanismos de reparação do DNA dos óvulos, o que deverá estender o período fértil feminino.

Segundo os médicos, agora é preciso descobrir porque com o avanço da idade, as mulheres vão perdendo eficiência na reparação do DNA. Aí então, a ciência poderá ter o domínio de todo o processo.

Esses dados estão trazendo grande expectativa à Medicina Reprodutiva em todo o mundo devido ao respeito e credibilidade tanto da Universidade de Nova York, por sua tradição em pesquisas, como pelos renomados pesquisadores envolvidos nestes estudos.

Fonte: Artigo “Impairment of BRCA1-Related DNA Double-Strand Break Repair Leads to Ovarian Aging in Mice and Humans”, publicado na Science Translational Medicine.

 

Conteúdo atualizado em: 4 de agosto de 2017

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