As principais causas da infertilidade masculina

Publicado em: 19 de Janeiro de 2016

As principais causas da infertilidade masculina

Quando um casal não consegue engravidar, culturalmente pensa-se que a dificuldade é da mulher. Isso é um erro: segundo estimativas do setor de Urologia da Unicamp, as taxas de infertilidade masculina e feminina são similares, cerca de 40% para cada grupo. Os 20% restantes são relativos a causas comuns ao casal ou à infertilidade sem causa aparente. Por isso, quando há problemas, é muito importante que a avaliação seja feita tanto no homem, quanto na mulher.

A principal ferramenta para constatar a infertilidade masculina é a análise do sêmen – o conhecido espermograma. Ele avalia fatores como volume, viscosidade, concentração de espermatozoides, motilidade, morfologia, entre outros tantos aspectos. É importante ressaltar que a análise seminal não é o teste de fertilidade masculino: a avaliação deve abranger também uma investigação histórica do paciente e do casal e um exame físico.

Conheça a seguir as principais causas para a infertilidade masculina

Varicocele

Varicocele são varizes que aparecem no cordão espermático – estruturas que acompanham os testículos, da cavidade abdominal até a bolsa escrotal. Essas varizes fazem com que a temperatura testicular aumente, o que pode afetar a produção dos espermatozoides. Porém, segundo dados da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), apenas 20% dos homens que possuem varicocele são inférteis. Ela é diagnosticada por exame físico, já que geralmente não causa nenhum sintoma e pode ser tratada com cirurgia.

Processos infecciosos

São infecções diversas, como a inflamação dos testículos, que podem agir destruindo ou alterando as taxas dos espermatozoides ou obstruindo os canais deferentes (que transportam os espermatozoides dos testículos até o exterior). DSTs como clamídia, tricomoníase, ureaplasma e neisseria podem ser as causas da infecção.

Exposição a toxinas

São vários os medicamentos, drogas e outras substâncias que podem comprometer a produção dos espermatozoides. Como medicamentos, destacamos aqueles usados em quimioterapia e a radiação ionizante, além da finasterida, usada no combate à queda de cabelo.

Em relação às drogas, a maconha altera a capacidade de locomoção dos gametas e a cocaína, a sua produção. O álcool também compromete a qualidade do sêmen e o cigarro pode atrapalhar a ereção. Já os anabolizantes, por dificultarem o funcionamento da hipófise, acabam por bloquear a produção de espermatozoides – em alguns casos, de forma definitiva.

Fatores genéticos

Como fatores genéticos para a infertilidade, temos algumas anormalidades cromossômicas que são encontradas com frequência em pacientes com azoospermia (em que nenhum espermatozoide é detectado no sêmen ejaculado) ou oligozoospermia (em que a contagem de espermatozoides é inferior a 20 milhões por mililitro de sêmen).

Pesquisas conduzidas pelo médico dinamarquês Ojvind Lidegaard indicam que 10% a 15% dos pacientes azoospérmicos possuem alterações cromossômicas, como a síndrome de Klinenfelter e Deleções no cromossomo Y. Em homens com oligozoospermia, as anormalidades atingem cerca de 3% a 8% (segundo estudos de H.U. Prauer conduzidos em Oxford).

Algumas destas alterações podem resultar em riscos para a gravidez ou para o bebê se a fertilização acontecer. Por isso, cada caso deve ser analisado cuidadosamente por um especialista antes de qualquer indicação de tratamento.

O corpo cria anticorpos contra os espermatozoides

É quando o sistema imunológico do próprio homem ou da parceira detecta que o espermatozoide é um corpo estranho e o ataca e destrói. Isso pode ser contornado por uma inseminação artificial ou pela injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI).

Alterações hormonais

Os níveis hormonais masculinos afetam diretamente a produção dos espermatozoides e devem ser avaliados sempre que houver alteração no espermograma. Os principais hormônios são o FSH (Hormônio Folículo Estimulante), que estimula a produção dos espermatozoides, e o LH (Hormônio Luteinizante), que incita a produção de testosterona e, assim, preserva a libido e a ereção. Ambos podem ser repostos, porém com muito cuidado e acompanhamento médico para não agravar o quadro.

Obstrução dos ductos de transporte

Caracteriza-se pelo bloqueio ou inexistência dos ductos ejaculatórios, que levam os espermatozoides produzidos nos testículos ao esperma que será ejaculado – é o que acontece com o homem vasectomizado. As causas da alteração podem ser um defeito congênito, infecção ou ferimento, além da própria vasectomia.

O quadro pode ser revertido por cirurgia ou pela retirada dos espermatozoides direto dos testículos para uma fertilização in vitro (FIV). Antes da fertilização, é recomendado verificar se o homem é portador do gene para fibrose cística, uma das causas da azoospermia e que pode levar a complicações de saúde no bebê.

Infertilidade idiopática

É quando a causa da infertilidade não pode ser diagnosticada – o homem simplesmente não consegue engravidar a mulher. Nestes casos, é indicada a reprodução assistida por inseminação ou FIV.

Cabe lembrar que a infertilidade não é um atestado definitivo de que o homem não pode ter filhos. Hoje, um diagnóstico profissional bem feito pode indicar um dos vários métodos que possibilitam a realização do sonho da paternidade.

Conteúdo atualizado em: 4 de agosto de 2017

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