Publicado em 31/07/2021

Gestação sem bebê? Entenda a gravidez anembrionada

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É possível engravidar sem um bebê? Infelizmente, sim. Essa condição rara é a gestação anembrionada, popularmente chamada de ovo cego. Nas primeiras semanas, tudo indica que a gravidez está normal. A mulher sente os sintomas típicos do período e os testes hormonais dão positivo. Porém, quando é realizada a primeira ultrassonografia de rotina, aparece apenas o saco gestacional — sem o embrião.

Neste artigo, mostramos os principais aspectos sobre esse tipo de problema, bem como se ele impacta, ou não, nas futuras tentativas de engravidar. Confira!

Quais são as causas da gestação anembrionada?

A gestação anembrionada pode ocorrer em qualquer mulher. Não há um grupo com maiores chances de desenvolvê-la e as causas do problema ainda não são completamente conhecidas.

Tudo indica, porém, que essa condição pode ser consequência de uma falha genética na união dos gametas. Acredita-se que essa condição ocorra porque uma parte do óvulo fertilizado, que formaria o bebê (embrioblasto),não se desenvolve, enquanto outra parte, a qual dá origem à placenta e às membranas, desenvolve-se normalmente dentro do útero.

A despeito disso, o organismo da mulher não consegue reconhecer que não existe um embrião dentro do útero, já que os hormônios próprios da gestação continuam sendo produzidos. São esses hormônios que fazem com que ela acredite que, realmente, está grávida.

Na prática, o corpo da mulher passa pelas mudanças próprias do período gestacional, inclusive sentindo os sintomas característicos do período. Ao mesmo tempo, geralmente, não há sinais clínicos que sugiram alguma anormalidade, como sangramentos, corrimentos ou dores.

Como é o diagnóstico e o desfecho da gravidez anembrionada?

O diagnóstico de gravidez anembrionada é feito por ultrassonografia, geralmente, a partir da 7ª semana de gestação. Mas a confirmação é dada apenas quando o saco gestacional mede mais do que 20 mm e não foi encontrado nenhum sinal do embrião.

Nessas circunstâncias, não é indicado esperar por um aborto espontâneo — que pode demorar até semanas. O estado emocional da mulher tem que ser levado em conta na definição da estratégia de tratamento.

Devido à angústia gerada pelo quadro de insucesso da gravidez, muitas vezes, acaba-se administrando substâncias químicas que induzem o aborto, sendo necessário a realização da curetagem uterina ou A.M.I.U. em algumas.

Esse procedimento retira, mecanicamente, o saco embrionário vazio de dentro do útero, por meio de raspagem. A curetagem ou A.M.I.U. também é necessária quando o aborto espontâneo não é completo.

Quem teve gestação anembrionada uma vez, pode apresentá-lo novamente?

O fato de passar por um episódio de gestação anembrionada não aumenta a chance de isso se repetir. Tanto que muitas dessas mulheres conseguem ter gestações normais no futuro.

No entanto, Dr. Jean Maillard, ginecologista da Clínica Fecondare (CRM-SC 9987 e CRM-RS 13107),esclarece que a mulher não deve acreditar que está esperando um bebê. Ela, de fato, está grávida, pois a presença de saco gestacional com placentação inicial só ocorre após fecundação de um óvulo e sua nidação no útero. Mas neste caso, a gravidez não se desenvolve, pois o embrião não se forma — o que leva à interrupção da gestação.

Assim, independentemente do que se faça, a evolução desse tipo de quadro será para a expulsão do produto da concepção. “Hoje, graças ao diagnóstico muito precoce obtido pela ultrassonografia transvaginal, as atitudes acabam ocorrendo antes disto, com a curetagem uterina”, complementa Dr. Jean.

Dr. Ricardo Nascimento, ginecologista da Clínica Fecondare (CRM-SC 3198),por sua vez, ressalta que, afortunadamente, a gestação anembrionada é um evento raro. Ainda assim, seu achado é sempre uma surpresa desagradável, tanto para a mulher ou o casal como para os médicos que fazem seu acompanhamento. Isso porque, como os sintomas habituais de abortamento não ocorrem, o fato só se torna concreto com a realização da ultrassonografia solicitada na rotina do pré-natal.

A ausência do embrião, porém, não diminui a dor da perda gestacional por parte da mulher ou do casal. Afinal, a expectativa já havia sido criada. Por isso, além do apoio dado pela equipe médica, é importante ressaltar que o evento não é repetitivo e que, pelos conhecimentos atuais, não representa um fator de risco para as próximas gravidezes.

Quando é possível recomeçar as tentativas de engravidar?

Dr. Ricardo afirma que é possível começar a tentar engravidar logo após a recuperação física e psicológica da mulher. Nesse sentido, vale a pena fazer o acompanhamento com um especialista em reprodução humana e, se necessário, sessões de psicoterapia para casais tentantes.

Quem enfrenta uma gestação anembrionada não precisa ter receio de passar pelo problema novamente. Na imensa maioria dos casos, trata-se de um incidente isolado, devido a um erro na fecundação. Porém, se não for a primeira vez que ela ocorre, é necessário promover uma investigação do cariótipo — um exame que faz a análise dos cromossomos do casal e é bastante usado em investigações de abortos de repetição.

Esperamos que o artigo tenha sido esclarecedor. Mas caso ainda tenha ficado com alguma dúvida, entre em contato. Nossos especialistas estão à inteira disposição!

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Publicado por: Dr. Marcelo Costa Ferreira - Ginecologista - CRM/SC 7223 e RQE 2935
Formado em Medicina pela FURB, Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia, Especialização em Reprodução Humana no Centro de Referência da  Saúde da Mulher em São Paulo e Especialização em Reprodução Assistida

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      Nosso material tem caráter meramente informativo e não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico, autotratamento ou automedicação. Em caso de dúvidas , consulte o seu médico.

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