03/02/2020

Como engravidar tendo ovários policísticos

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Engravidar tendo ovários policísticos é possível? 

Neste artigo te mostramos que é possível, sim!

No entanto, é muito importante conhecer como a síndrome se manifesta e de que forma a gravidez acontece nessa situação. 

Leia o artigo até o final para entender sobre o assunto e tirar todas as suas dúvidas, além de manter uma atenção especial sobre essa disfunção ovariana, pois, quando não tratada, pode trazer consequências graves à mulher

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Sintomas: como posso identificar a SOP?

Um dos fatores de risco para a síndrome dos ovários policísticos e que também agravam o quadro é a obesidade. Por isso, o controle do peso sempre deve ser proposto como forma de tratamento, paralelamente a outras terapias.

Isso porque a origem da SOP pode estar relacionada à resistência do organismo à insulina. Por isso, é possível que a maior concentração dessa substância no sangue, processo denominado de hiperinsulinemia, seja responsável por provocar o desequilíbrio hormonal e o consequente aumento do peso.

Dentre os sintomas da síndrome, podemos classificar como os mais característicos:

  • hirsutismo: que corresponde ao excesso de pelos em regiões tipicamente masculinas;
  • irregularidade no ciclo menstrual ou a ausência de menstruação;
  • dificuldade para dormir e cansaço frequente durante o dia;
  • resistência à insulina e, consequentemente, aumento de açúcar no sangue.

Na maioria das vezes, o organismo da mulher que apresenta todos esses sinais também apresenta grande quantidade de hormônios masculinos, fator que chamamos de hiperandrogenismo.

Nesse caso, as mulheres que apresentam elevados níveis de hormônios masculinos no corpo podem perceber como sintomas:

  • crescimento anormal de pelos nas regiões do baixo ventre, seios, queixo e buço;
  • a pele está mais oleosa, com uma quantidade maior de espinhas e cravos;
  • queda de cabelo;
  • aumento do peso;
  • manchas na pele, principalmente nas axilas e atrás do pescoço.

Por isso, quando observamos a presença desses sintomas, a doença é facilmente diagnosticada. No entanto, quando somente alguns dos sinais são identificados, o diagnóstico fica menos evidente. 

O que fazer quando os sintomas não estão evidentes para a paciente?

Quando a mulher está com suspeita de infertilidade e não há sintomas claros de que há uma disfunção ovariana, como a síndrome dos ovários policísticos, o diagnóstico para a dificuldade de engravidar fica confuso. 

De forma geral, as manifestações clínicas da síndrome aparecem durante a infância ou nos anos que precedem a adolescência. Isso sugere que a SOP é influenciada por programação fetal e/ou eventos pós-nascimento precoces. Por isso, é incomum que os sintomas da doença venham a surgir, em totalidade, antes da puberdade.

Dessa maneira, para realizar o diagnóstico da doença de forma correta, o ideal é manter a atenção para os critérios semelhantes aos usados para identificar disfunção ovulatória e hiperandrogenismo. Esse é um ponto de partida para chegar até o diagnóstico correto da SOP.

De qualquer forma, o que é indicado é manter sua saúde sempre muito bem monitorada, fazendo exames regulares e frequentando um médico de forma frequente. Somente um profissional qualificado saberá analisar os sintomas e evidências da síndrome dos ovários policísticos

Além disso, quando há suspeitas de infertilidade, é recomendado que a mulher procure imediatamente um médico para identificar a causa do problema e evitar outras possíveis complicações.

Síndrome dos ovários policísticos e a infertilidade

Você sabia que a síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma das principais disfunções ovarianas relacionadas à infertilidade?

A síndrome dos ovários policísticos é um distúrbio que causa desequilíbrio hormonal, interferindo diretamente na ovulação e desencadeando a formação de pequenos cistos. Dessa forma, uma mulher com SOP ovula menos e de maneira irregular. 

De maneira geral, o que acontece é que os ovários não conseguem recrutar um folículo para que ele cresça e seja expelido, assim como acontece na ovulação

Assim sendo, os gametas permanecem nos folículos, sendo impedidos de passar pelo processo natural de maturação, já que os hormônios que deveriam agir para torná-los aptos para a concepção estão totalmente desregulados.

No entanto, esse processo não acontece com todos os óvulos, pois alguns deles até conseguem se desenvolver para eclodir. Todavia, devido ao desequilíbrio hormonal, esses mesmos óvulos não são capazes de seguir seu curso natural, o que impede que a fecundação ocorra naturalmente.

Alterações morfológicas

Devido os microcistos que surgem com a síndrome, toda a estrutura ovariana é modificada. O que acontece é que os ovários atingem um tamanho até três vezes maior do que o normal e, por isso, fica bastante fragilizado.

As causas para a ocorrência dessas alterações morfológicas ainda estão indefinidas. No entanto, o que se sabe é que parte dos fatores associados a esse processo é de ordem genética. 

Como é feito o diagnóstico da SOP?

O diagnóstico da doença é feito com base nos exames de sangue e outros testes clínicos. Geralmente, os exames que costumam ser solicitados medem os níveis hormonais a partir de dos seguintes testes:

  • dosagem dos hormônios FSH (hormônio folículo-estimulante), LH (hormônio luteinizante), estradiol, TSH (hormônio tireoestimulante), SDHEA (sulfato de deidroepiandrosterona), testosterona total e 17-OH progesterona (verificado entre o 2º e o 3º dia do ciclo menstrual);
  • medição da curva de insulina associada à curva de glicemia e teste de intolerância à insulina;
  • do ultrassom ginecológico transvaginal ou pélvico.

É importante lembrar que o ultrassom é um exame de imagem capaz de mostrar a presença de cistos nos ovários

No entanto, ainda é um teste incapaz de identificar as causas da irregularidade menstrual e das outras manifestações, já que consiste em um exame complementar para o diagnóstico. 

Converse com o seu médico para verificar quais exames devem ser realizados especificamente para o seu caso. 

Como tratar a SOP?

O questionamento de muitas mulheres nessa situação é: a SOP pode ser curada

Felizmente, existem algumas opções de tratamentos para a síndrome dos ovários policísticos.Como são muitos os sintomas que a SOP desencadeia, foram desenvolvidos diversos tratamentos para cada um deles. 

Por esse motivo, a escolha da terapêutica a ser utilizada para conter a síndrome, depende, basicamente, dos objetivos da mulher. 

O ideal é que cada caso seja avaliado individualmente para que o melhor tratamento, ou a combinação de mais de um, seja recomendada por um especialista.

Controle da obesidade

Em geral, as pacientes obesas tendem a sofrer menos com a doença, principalmente com os sintomas causados pelo hiperandrogenismo, a partir da diminuição do peso. 

Por isso, caso seja essa a indicação de tratamento, a melhor forma de trabalhar o problema é mudando o estilo de vida da paciente. 

Ou seja, é ideal que ela passe a incorporar à sua rotina: uma dieta saudável, a prática de exercícios físicos e alterações comportamentais em relação aos hábitos diários.

Além disso, há situações em que a administração de drogas que diminuam os níveis de insulina pode ser efetiva, tanto em mulheres obesas, como nas mulheres que estão no peso saudável.

Continuidade no tratamento é fundamental

De forma geral, o tratamento da SOP é feito para controlar o problema e, por isso, exige atenção da mulher até a menopausa. Ou seja, uma vez diagnosticada com SOP, os cuidados e manutenção da saúde devem ser contínuos.

Isso pois a falta de cuidados adequados pode ocasionar no retorno de todos os sintomas da doença relatados pela paciente antes mesmo do diagnóstico e do tratamento.

Complicações

Um agravante da SOP não tratada é o câncer no endométrio, que  surge em decorrência da ausência de menstruação.

Isso acontece pois o tecido que reveste a parte interna do útero é responsável por acomodar o embrião e, geralmente, acaba sendo eliminado pela menstruação de forma indevida. 

Dessa forma, há um acúmulo de endométrio na cavidade uterina, o que favorece o desenvolvimento de um tumor.

Como saber que a infertilidade é consequência da SOP?

A dificuldade para ter um filho é uma consequência comum da síndrome dos ovários policísticos. Inclusive, a suspeita de que este seja o motivo limitante da gestação pode ser confirmada pela avaliação dos sintomas e do histórico médico da mulher. 

Dessa forma, caso ela não possua problemas na tireoide ou na glândula suprarrenal, parte-se para a investigação da SOP. Quando o diagnóstico é confirmado, o tratamento é iniciado para evitar complicações.

No entanto, é importante considerar que em qualquer momento em que seja realizado o diagnóstico da SOP, a mulher deve ser orientada sobre a preservação da fertilidade. Ou seja, o desejo de engravidar em um futuro próximo pode ser determinante na escolha da terapia.selecionada para tratar o problema.

Por isso, existem duas formas de tratar a SOP: uma se aplica às mulheres que desejam engravidar, enquanto a outra é indicada para aquelas que preferem adiar a maternidade ou não tem vontade de ser mães.

Como é o tratamento da SOP quando a mulher deseja ter filhos?

Quando a mulher ainda tem o desejo de engravidar, o tratamento consiste na prescrição de anticoncepcionais hormonais, logo no começo do tratamento, para regular a menstruação. O medicamento inibe o funcionamento dos ovários, juntamente com o processo de maturação dos folículos que dão origem aos óvulos.

Dessa forma, enquanto o organismo da mulher está sob efeito do contraceptivo, os ovários ganham tempo para se recuperar e poder exercer sua função novamente. 

O órgão também permanece protegido da formação de cistos e assim, o corpo consegue diminuir os níveis de hormônios masculinos e insulina. Depois que o ciclo menstrual é normalizado, o uso do medicamento é suspenso e as chances de ovulação e gravidez aumentam.

Medicamentos que induzem a ovulação

Além disso, quando a mulher decide que é o momento de engravidar, o especialista também pode prescrever medicamentos para induzir a ovulação. Durante cinco dias, a partir do terceiro, quarto ou quinto dia do ciclo, a mulher recebe uma dose diária do indutor.

A indução da ovulação com coito programado é uma técnica de reprodução humana assistida de baixa complexidade, recomendada para mulheres que querem engravidar tendo ovários policísticos.

Existem diferentes fármacos que estimulam a formação de um óvulo, com variação de custo, efeitos e indicações. Por isso, a escolha do tipo de indutor a ser usado é feita de acordo com as condições de cada paciente. 

Além disso, e administração do medicamento pode ser associada a outras medicações que tenham como função baixar os níveis de insulina no organismo.

A importância de acompanhar todo o processo

Toda mulher que induz a ovulação precisa fazer um acompanhamento, por meio de ultrassonografias. Isso deve ser feito desde o início do ciclo até a ovulação, em dias alternados, para verificar se o tratamento está sendo eficiente. 

O primeiro exame é feito para identificar os folículos com melhores chances de liberar um gameta. Já na segunda ultrassonografia, é definido qual é o intervalo que casal deve manter relações sexuais para promover a fecundação. No último teste, o médico observa se o óvulo eclodiu.

Quando a mulher ovula durante o ciclo induzido, as chances de que haja fecundação são muito maiores, quando há o diagnóstico de ovários policísticos. Caso contrário, é possível fazer, no máximo, mais duas tentativas.

E quando não há sucesso pela indução da ovulação?

Em pacientes em que a indução e o coito programado não resultaram em gravidez, uma alternativa é realizar a fertilização in vitro (FIV). No entanto, esse é um tratamento que também requer indução da ovulação e o acompanhamento constante com exames de imagem. 

Porém, na FIV, o objetivo das ultrassonografias é averiguar o momento certo para coletar os gametas completamente desenvolvidos estará completo para que possam ser coletados. Feito isso, o óvulo é coletado por punção vaginal e inserido em uma placa de Petri, juntamente com o espermatozoide.

Após essa etapa, os gametas permanecem mantidos juntos no interior de uma incubadora, que simula as condições das trompas para que ocorra a fecundação

Depois que o espermatozoide encontra o óvulo e a concepção acontece, os chamados pré-embriões são implantados no útero da mulher. Transcorridos 12 dias da transferência para a cavidade uterina, a paciente já pode se submeter a um exame para confirmar a gravidez.

Como é o tratamento para a mulher que não deseja ser mãe?

Quando a mulher não deseja engravidar, a síndrome dos ovários policísticos é tratada apenas com pílula anticoncepcional e outros métodos contraceptivos à base de hormônio, sob o intuito de restaurar o equilíbrio hormonal. 

Entretanto, a menstruação só permanece regulada enquanto a paciente se mantém medicada, já que a interrupção no uso do fármaco restabelece os sintomas da SOP.

De qualquer forma, independentemente da causa, a síndrome dos ovários policísticos merece atenção e tratamento

Quando a doença não é tratada, favorece o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e obesidade na fase do climatério feminino. 

Evite as possíveis complicações da SOP, cuidando da sua saúde regularmente e dando atenção a qualquer desconforto que surgir. Lembre-se que mesmo uma pequena suspeita deve ser investigada por um especialista.

Entre em contato com a equipe da Fecondare para agendar uma consulta e acompanhar sua fertilidade, mesmo tendo a síndrome dos ovários policísticos.

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Publicado por: Dra. Ana Lúcia Bertini Zarth - Ginecologista - CRM-SC 8534 e RQE 10334
CRM 8534 e RQE 10334  Ginecologista Formada na Faculdade de Medicina da PUC – RS em 1993; Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital São Vicente de Paula, Passo Fundo – RS. Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) em 1997. Fellow em Reprodução Assistida pela […]

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Nosso material tem caráter meramente informativo e não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico, autotratamento ou automedicação. Em caso de dúvidas , consulte o seu médico.

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