16/03/2019

Aborto espontâneo: quando há risco de perder o bebê?

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O aborto espontâneo é um receio que preocupa todas as mulheres grávidas, principalmente no início da gestação.

 Um aborto espontâneo se caracteriza pela perda do bebê de forma natural antes que o feto complete as 20 semanas de gestação. Grande parte dos abortos naturais acontecem antes mesmo das mulheres descobrirem que estão grávidas e, geralmente, tendem a ocorrer em casos em que a gravidez é considerada de alto risco.

Por isso, toda gestante espera ansiosamente o primeiro trimestre da gravidez passar para respirar mais aliviada e afastar de vez o medo de que algum aborto espontâneo ocorra. Mas o que será que está relacionado ao risco de perder o bebê?

O que pode levar a um aborto espontâneo?

Alguns fatores importantes podem levar uma gestação a ser interrompida por um aborto espontâneo. Vejamos cada um deles:

Fatores genéticos

A maior parte dos abortos ocorre em decorrência de fatores genéticos. Portanto, o risco de perder o bebê está mais relacionado a determinadas anomalias genéticas do feto do que a qualquer outro fator. 

Dessa forma, isso não é algo sobre o qual a mulher possa ter controle, já que grande parte das malformações fetais são resultado de uma célula ou embrião com um número inadequado de cromossomos.

É importante alertar que a possibilidade de haver mutações nos cromossomos tende a aumentar com a idade em que a gestante se encontra ao engravidar. Por exemplo, mulheres acima dos 35 anos estão ainda mais suscetíveis às mutações e, consequentemente, as chances de sofrerem um aborto espontâneo encontram-se aumentadas.

Gestação anembrionada

Outra possível condição que impede uma gestação de prosseguir chama-se “gestação anembrionada”, que ocorre quando há a fertilização do óvulo, mas o embrião não se desenvolve.

Esse é um problema que também pode ser desencadeado por anomalias nos cromossomos, pela não formação do embrião ou ainda pelo não desenvolvimento embrionário. 

Dessa forma, os sinais que confirmam essa causa podem ser descritos pela ausência repentina dos sintomas normais da gravidez ou ainda por um sangramento vaginal de coloração castanha-escura.

Problemas de saúde da mãe

Outros fatores que também podem representar um risco de perder o bebê são infecções e problemas hormonais que acometem à mãe.

 Assim, caso a mãe tenha alguma doença que provoque a coagulação sanguínea com facilidade, como, por exemplo, a síndrome do anticorpo antifosfolipídeo, esta também estará sujeita ao aborto espontâneo. 

Algumas anomalias no órgão reprodutor, como miomas e cicatrizes no útero também aumentam as chances de perder o bebê no início da gravidez. Quando a mãe possui o Rh diferente do feto, o risco de aborto também encontra-se aumentado.

Além disso, algumas doenças não tratadas, que podem provocar um aborto espontâneo, são:

  • citomegalovírus;
  • rubéola;
  • hipotireoidismo descontrolado;
  • diabetes;
  • doença celíaca;
  • lúpus eritematoso sistêmico;
  • hipertensão arterial;
  • doença renal crônica.

É importante ressaltar ainda que escorregões,  quedas e mudança repentina emocional são fatores que não estão diretamente relacionados com o risco de aborto, embora a grande maioria das pessoas acredite nisso.

Hábitos nocivos 

Os hábitos não saudáveis da mãe também podem aumentar as chances de um aborto espontâneo durante o primeiro trimestre de gravidez. 

Por exemplo, a ingestão de bebidas alcoólicas, tabagismo ou uso de drogas ilícitas ampliam o risco da perda. Além disso, o uso indiscriminado de analgésicos, anti-inflamatórios e aspirinas também estão na lista de coisas perigosas a se fazer durante a gravidez.

Quais os sinais de um aborto espontâneo?

Quando a mulher grávida está passando por um aborto espontâneo, alguns sintomas podem se manifestar para sinalizar a situação. O primeiro deles é uma mancha de sangue vermelho-vivo ou de coloração escura, podendo conter muco ou coágulos. 

O sangramento é seguido de fortes cólicas do útero, que se contraem até que o feto e a placenta sejam expelidos. Entretanto, é importante que a mulher procure ajuda médica o quanto antes, para receber os devidos cuidados necessários.

O que fazer após um aborto espontâneo?

Após o diagnóstico de um aborto, o médico irá verificar se o feto e a placenta foram expelidos completamente. Caso não haja nenhum vestígio do aborto, a recomendação é que a mulher fique de repouso até que se recupere completamente. 

No entanto, caso o feto e a placenta ainda estejam presentes no organismo da mulher, o ideal é que os fragmentos sejam removidos. Esse procedimento pode ser feito naturalmente pelo próprio corpo da mulher, sob observação médica, caso não haja nenhum outro problema aparente. 

Outra maneira de remover o feto e a placenta é por meio da curetagem de sucção ou mesmo por medicamentos que possam induzir o trabalho de parto.

Além disso, é fundamental que a mulher passe por um acompanhamento psicológico para entender o processo do aborto, que geralmente, é bastante traumático.

Após um aborto: quando é possível tentar engravidar de novo?

Caso o aborto tenha ocorrido ainda nas primeiras semanas da gestação, é possível voltar a tentar engravidar no próximo ciclo menstrual

Entretanto, caso a mulher tenha passado por intervenções cirúrgicas, o ideal é esperar três meses ou dois ciclos menstruais posteriores.

O risco de aborto espontâneo é maior em procedimentos de reprodução assistida?

A preocupação de passar por um aborto espontâneo torna-se ainda maior em mulheres que só conseguiram engravidar após realizar procedimentos como fertilização in vitro, inseminação artificial ou outro tratamento em reprodução humana assistida

Entretanto, é importante orientar que mesmo nesses casos, a probabilidade de um aborto acontecer é a mesma de qualquer outra gravidez, oriunda de condições normais. 

Faça um acompanhamento regular

De qualquer maneira, ao passar por algum dos procedimentos para engravidar, é muito importante fazer um acompanhamento regular com a clínica, além do pré-natal realizado normalmente, como em qualquer outra gravidez.

Assim, é fundamental que ao perceber qualquer alteração que pareça anormal ou desconfortável, a gestante recorra ao médico imediatamente. Fora o acompanhamento regular tradicional, o médico poderá solicitar a realização de exames necessários para verificar se está tudo bem com o bebê. 

Essa é a forma mais segura de saber se há risco de perder o bebê, além de ser possível tomar os devidos cuidados preventivos, caso a mulher encontre-se com chances aumentadas de passar por um aborto espontâneo.

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Publicado por: Dr. Jean Louis Maillard - Ginecologista - Diretor técnico médico - CRM-SC 9987 , CRM-RS 13107 e RQE 5605
Diretor Técnico Médico CRM-SC 9987 , CRM-RS 13107 e RQE 5605 Ginecologista Formado na Faculdade de Medicina da PUCRS em 1983. Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital São Lucas da PUCRS. Precertopship de Histeroscopia com Dr. Jacques Hamou em 1986. Fellow nos Hospitais Tenon e Port Royal em Paris, nas áreas de laparoscopia […]

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Diretor técnico médico: Dr Jean Louis Maillard - CRM-SC 9987 RQE 5605

Nosso material tem caráter meramente informativo e não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico, autotratamento ou automedicação. Em caso de dúvidas , consulte o seu médico.

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