Gestação anembrionária

Publicado em: 31 de outubro de 2011

Trata-se de um tipo de gestação que pode ocorrer a qualquer mulher, não havendo nenhum grupo com maior chance de desenvolvê-la. As causas de seu surgimento não são completamente conhecidas, mas acredita-se que a parte do óvulo fertilizado que formaria o bebê não se desenvolve, enquanto a parte que forma a placenta e as membranas continua se desenvolvendo normalmente dentro do útero.

A despeito disso, o organismo da mulher não reconhece que não existe um embrião dentro do útero, já que os hormônios próprios da gestação continuam sendo produzidos. São esses hormônios que fazem com que a mulher acredite que realmente está grávida, pois seu corpo passa pelas mudanças próprias do período gestacional e ela sente sintomas que são comuns aos dois casos. Por esses motivos, não há sinais ou sintomas clínicos que sugiram que a gravidez seja anembrionada, como sangramentos, corrimentos ou dor.

O diagnóstico de gestação anembrionária é feito por ultrassonografia, geralmente a partir da 7ª semana de gestação, e é confirmado quando o saco gestacional medir mais do que 20mm e não for encontrado nenhum sinal de embrião.

Quando o diagnóstico é confirmado, não é seguro, como preconizado, apenas esperar por um aborto espontâneo, que pode demorar até semanas. Devido à angústia gerada pelo quadro, muitas vezes acaba-se administrando substâncias químicas que induzem o aborto e muitas mulheres acabam optando pela realização da curetagem uterina, que retira mecanicamente o saco embrionário vazio de dentro do útero por meio de raspagem. A curetagem também é realizada quando o aborto espontâneo não é completo.

O fato de passar por um episódio de gravidez anembrionária não aumenta a chance de isso se repetir. A maioria das mulheres consegue ter gestações normais no futuro.

No entanto, o Dr. Jean Maillard, ginecologista da Clínica Fecondare (CRM-SC 9987 e CRM-RS 13107), esclarece que a mulher não deve “acreditar que está grávida”. Ela de fato está grávida, pois a presença de saco gestacional com placentação inicial só ocorre após fecundação de um óvulo e sua nidação no útero. O que ocorre, neste caso, é que a gravidez não se desenvolve, pois o embrião não se forma, o que faz com que a gestação se interrompa.

Independente do que se faça a evolução será para a expulsão do produto da concepção, complementa Dr. Jean. “Hoje, pelo diagnóstico muito precoce dado pelo US trans-vaginal as atitudes acabam ocorrendo antes disto com a curetagem uterina”, finaliza.

O Dr. Ricardo Nascimento, ginecologista da Clínica Fecondare (CRM-SC 3198), por sua vez, ressalta que, afortunadamente, a gravidez anembrionada é um evento raro. O seu achado é sempre uma surpresa dasagradável para o casal e para os médicos que os acompanham,  pois os sintomas habituais de abortamento não ocorrem e o fato se torna concreto apenas com a realização de uma ultra-sonografia.

A ausência do embrião porém, não diminui a dor da perda gestacional por parte do casal e, além do apoio que eles merecem  do médico assistente, é importante ressaltar que o evento não é repetitivo e que, pelos conhecimentos atuais, não representa um fator de risco para novas gravidezes, que podem ser tentadas de novo, logo após a recuperação física e psicológica da mulher, explica o Dr. Ricardo.

Artigo elaborado pela equipe Fecondare em parceria com a E-saúde.

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